O dia em que fui preso pela facção xiita Hizbullah

Cena de atentado terrorista, em Beirute. Crédito Hussein Malla - 2.jan.14/Associated Press
Cena de atentado terrorista, em Beirute. Crédito Hussein Malla – 2.jan.14/Associated Press

Minha mochila, carregando um computador e uma câmera fotográfica, era motivo de inquietação em Beirute, nos arredores de Haret Hreik. Dias atrás, um carro-bomba explodira ali –onde eu estava, a trabalho, recolhendo informações para minha reportagem sobre a facção xiita Hizbullah (leia aqui).

Mais preocupante, porém, eram as fotografias que eu tirava, tanto com a câmera quanto com meu celular, razão pela qual fui detido por essa facção por quase duas horas em um de seus quartéis, ao sul de Beirute. Mantive silêncio sobre o incidente, ocorrido no sábado (4), para evitar novos confrontos com o grupo, considerado por Israel como terrorista.

A princípio, a abordagem foi feita por um jovem em uma motocicleta, que me perguntava agressivamente a razão de eu estar ali, fotografando. As explicações não lhe convenceram, e em poucos minutos uma multidão havia se reunido nos arredores. Expliquei, em árabe, que sou um repórter brasileiro e que estava no Líbano devido à morte de Malak Zahwe em um atentado a bomba (leia aqui). Me pediram que ficasse quieto e aguardasse.

A câmera, o passaporte e o celular me foram tomados por jovens que se identificaram como “Exército do Povo”, ligados ao Hizbullah. Um líder da facção veio ao nosso encontro e me forçou a subir em uma motocicleta. Fomos levados a um quartel. No caminho, sem meus documentos, na garupa de um militante, eu me lembrava de todas as recomendações de segurança que aprendi em Londres, durante um curso de sobrevivência –nada que eu pudesse usar, ali, em um território repentinamente inimigo.

Fui mantido em uma pequena sala empoeirada, sentado em uma cadeira. Ao tentar abrir as janelas, fui instruído —com pouca delicadeza— a ficar parado e a não tentar me comunicar com ninguém. Durante boa parte do tempo, um líder que se identificou como Abu Fadal sentou-se comigo, me oferecendo café, cigarros e me chamando de “convidado”. Fumamos, enquanto ele me dizia “ma btkhaf, ma btkhaf“. “Não se assuste”, em árabe.

Mas, quando ele me deixava sozinho, eu inspecionava a mesa diante de mim, à procura de qualquer informação. Havia, ali, o que pareciam ser duas vendas pretas, que torci para não usar. Difícil não estar “khaifan”, assustado. Desafeto do governo israelense, o Hizbullah certamente não gostaria de saber que moro em Jerusalém e tenho contato quase diário com as Forças de Defesa de Israel, durante meu trabalho.

Fui tratado com cordialidade durante todo o tempo, assegurado a cada dez minutos de que seria libertado em breve. O diretor da instalação veio duas vezes me acalmar, recusando porém todos os meus pedidos para telefonar à embaixada brasileira. Na pequena sala, sem meus pertences, eu tentava em vão elencar as minhas possibilidades de ação. Recusei o segundo cigarro e o segundo café.

Em sua última visita, o chefe me trouxe de volta o computador, o passaporte e o celular confiscados. Segundo ele, meu erro foi achar que poderia andar por um bairro xiita sem pedir a autorização da facção –explicação que, como bem interpretou mais tarde um colega, dá conta da complicada realidade no Líbano, em que há um segundo Estado, paralelo, capaz de deter um jornalista sem qualquer aparato de governo.

Na saída da detenção, os milicianos me pediram desculpas e finalmente me deram, entre sorrisos, as boas-vindas ao país.

Comentários

  1. Meu caro amigo, parabéns por ter saído ileso dessa tensa experiência, mas posso te adiantar que você não precisar ir longe para passar por coisa pior, experimente fazer a mesma coisa em algumas favelas do Rio de Janeiro, e você perceberá que um segundo Estado existe bem aqui perto de você.

  2. Imagine o barulho que haveria se isto acontecesse em Israel! O Itamaraty certamente faria um protesto, seria uma prova de que em Israel os direitos humanos não são respeitados, etc., etc. Como isto aconteceu em um país árabe, executado por uma entidade “de resistência”, você é que está errado, vai ver que é realmente um espião do Mossad, alguma você fez, e merece este tratamento.

  3. Concordo plenamente com o Leandro.Nas favelas do Rio é muito pior.Ele ainda foi tratado de forma cordial e deve dar graças a Deus por não ter caído nas mãos do PCC ou comando vermelho.

  4. Faço leitura diferente do Milton. Se fosse Israel talvez nem teria sobrevivido para narrar sua historia.

    1. Leitura qualquer um pode fazer.Realidade é outra coisa,basta ver o tempo que o jornalista está em Israel sem problemas.O ironico é que nem a realidade e relatos como este,descrito nas palavras do Diogo :um segundo estado ou estado paralelo tiram da mente perturbada de alguns seus pre-conceitos patéticos.

  5. Impressionante relato, Diogo. Fico feliz que nada tenha acontecido com você. Infelizmente esse tipo de coisa é um risco ocupacional de jornalistas no OM, pelo jeito. Admiro muito sua bravura em enfrentar situações assim e seguir profissionalmente com seu trabalho. E lhe desejo sucesso e segurança, sempre. Infelizmente, como bem lembrou o Leandro, esse tipo de “segundo Estado” não é exclusividade do OM.

    Você tem até sorte em poder transitar entre as diversas facções do conflito. Alguns jornalistas, pelo simples fato de terem ascendência judaica ou cidadania americana ou européia, não teriam sobrevivido a um incidente como esse.

      1. Moises.
        Estamos aguardando suas observações sobre o sequestro e detenção do Diogo pelo hizbullah.
        Está parecendo que preferes se esquivar ao fato da sua “facção” favorita adotar táticas de terror explícito, ao aprisionar, sem ser a lei, um jornalista brasileiro pelo simples fato de tirar fotos num bairro de Beirute, reduto desses milicianos.
        Aguardamos suas considerações de mais um episódio corriqueiro no dia a dia do hizbullah.

        1. Luiz,eu não tenho facção favorita,o que defendo são ações e reações que dentro de meus princípios e valores penso serem corretas seja de que lado for e o hezbollah queiram ou não é um um “efeito colateral”(como muitos outros) da política de Israel que acabou criando uma força paralela dentro de um Estado que obviamente não deveria existir.Ao contrário do Hamas não vejo o Hezb como grupo terrorista sendo seus apoiadores,que constituem a maioria da população, formados por cidadãos libaneses que possuem família,desejos e temores como qualquer um de nós muito longe do radicalismo beligerante religioso inerente ao Hamas,por exemplo.Também não vejo sentido algum nas acusações no caso da Bulgária e Argentina por não agregar nenhum valor político,militar,estratégico,etc. à sua causa que é a de resistência à subjugação sionista de seus desafetos(que ela mesma cria) pela força.Sendo inimigos é natural que a visão de Israel seja outra e como sempre enfatizo equivocada.
          Além disso,o Nasrallah já declarou que deseja ver o Líbano como um Estado forte,soberano e na prática o seu braço político vinha tentando junto ao governo criar uma coalizão equilibrada abortada por este sob a influência de seus inimigos.
          Com relação ao Diogo,caso estivesse no lugar dele ciente da existência dessa força paralela que sabe que precisa estar 24h ligado contra um Mossad ávido por uma brecha eu teria a CERTEZA que estaria sujeito a uma interpelação.
          Uma pergunta ao Diogo:Vc achou em algum momento antes ou durante a sua estadia que isso poderia acontecer?

          1. Moises, algumas frases do seu idolo e chefe do hizbullah Hasan Nasrallah :

            _ “Se buscamos no mundo inteiro por uma pessoa mais covarde, desprezível, fraca e débil na psique, mente, ideologia e religião, não se encontraria ninguém como o judeu”.
            _ Nasrallah se refere a Israel como “o Estado dos netos de macacos e porcos. Os sionistas judeus, condenou-os como” os assassinos dos profetas “.
            _ “O que os judeus querem ? Eles querem segurança e dinheiro. Ao longo da história os judeus têm sido as criaturas mais covardes e avarentas de Allah Se você olhar em todo o mundo, você não vai encontrar ninguém mais mesquinho ou ganancioso do que eles”.
            _ “Os judeus inventaram a lenda das atrocidades nazistas. É claro que os números que falam são exagerados “.
            _ “Se todos eles (os judeus) se reunirem em Israel, eles nos pouparão o trabalho de ir atrás deles no mundo inteiro”.

            Estas afirmações, e tantas outras mais, mostram o caráter odioso e racista contra os judeus em geral e Israel em particular deste indivíduo que levará o Líbano a uma outra guerra civil e/ou arrastará o país para mais uma guerra contra Israel.
            Os que defendem preconceito, racismo, intolerância, mortes, assassinatos, sequestros, atentados e atrocidades em geral, não tem um exemplo maior de um líder à seguir do que este.

          2. Luiz,mais uma coisa ia me esquecendo que é abrir um parêntese e comentar sobre um outro barulho desnecessário que fizeram quanto ao questionamento feito dos números do Holocausto começando por fazer um paralelo.
            Vamos partir do princípio que vc,Luiz,seja de uma reputação ilibada e vá a um estabelecimento comercial ou a um banco,por exemplo,efetuar uma compra,empréstimo,abrir uma conta,etc.Obviamente que o procedimento normal é que se faça antes um pesquisa quanto a sua idoneidade antes de completar a operação desejada.Pergunto:
            1-Vc vai se indignar,ficar p* da vida,virar a mesa,chamar a polícia,etc. pela eventual desconfiança ou,
            2-Vc vai mostrar-se solícito fazendo até questão dessa confirmação,afinal,quem não deve não teme.
            Percebe alguma similaridade?
            Uma outra coisa é que sendo seis ou seis milhão em nada mude a gravidade do ocorrido o que até muitos judeus questionaram foi a super exposição política que se faz sobre o fato,seja com números super faturados ou não.
            Ab.

        2. Luiz,é muito mais fácil encontrar correspondência com a realidade de declarações discriminatórias e de prepotências dentro de Israel da sua existência até os dias de hoje do que corroborar com muitas distorsões que se fazem de declarações seja do Ahmadinejah,Komenei ou Nasrallah,cuja tradução do farsi ou árabe encontra no entendimento mesmo de dissidentes que não há menção seja à etnia ou religião judaica.O alvo é e sempre será o REGIME E A POLÍTICA SIONISTA seja ela composta de judeus ou não da mesma maneira que o alvo do sionismo hoje é o Hezb nem que tenha que massacrar o povo libanês que o apoia,da mesma maneira que o alvo do sionismo tem sido o governo sírio nem que para isso todo um povo esteja sendo massacrado(mas isso é outra história q fica pra outra vez).
          O que é importante frisar,a despeito destas retóricas étnicas,religiosas e de efeitos colaterais que o conflito gera, é que há um projeto sionista de consolidação territorial que vai além do que a lei lhe confere e de domínio regional(reconhecida mesmo por líderes sionistas mais radicais) pela força buscando subjugar os oponentes que resistem a está idéia que hoje são a Síria e o Líbano.Ponto.
          É neste contexto que a resistência é o lado certo da história.

          1. Moisés,
            depois de mais uma das tergiversações costumeiras e fugindo, como sempre, à realidade, é para se entender que a guerra civil na Síria e que o sectarismo e as práticas do hizbullah no Líbano são de total responsabilidade de Israel !!
            Sendo que, Israel planeja dominar o Líbano e a Síria para se consolidar territorialmente na região, atendendo à um projeto sionista de consolidação territorial !!
            Foi isso mesmo que escreveste ? Ou não ?

          2. Luiz,não há guerra civil na síria e já expliquei aqui o porquê, e o que está acontecendo na Síria e o surgimento do Hezb é de inteira responsabilidade de Israel,sim.Na Síria tudo foi planejado pra atender os interesses maior de Israel.Isso é de domínio público e há farta documentação a respeito e que encontra correspondência com o que está acontecendo.
            Resumidamente falando,Israel quer por que quer na Síria e no Líbano governos desmilitarizados,desvinculados do Irã e que digam “sim senhor” para os seus desejos e sonhos de consumo.Não sabia disso?Se não,vc já questionou alguma vez as fontes de que se utiliza pra embasar os seus argumentos?
            Os árabes possuem as suas diferenças mas nada que não se possa ser explorado e amplificado pelas potências a fim de satisfazer os seus interesses.Sabes disso?
            Em relação a expansão territorial existe uma pérola dita por um líder influente dos assentados na Cisjordânia em uma entrevista,quando perguntado se o projeto sionista de consolidação territorial além do Golan,Bekka,Cisjordânia(com seus bantustões) incluia também a Jordânia e ele respondeu algo como:”Hoje não,mas quem sabe!!!”

          3. Moisés, tanto é verdade seu argumento que um dos países que mais manda armas para os “rebeldes” na Síria é a Arábia Saudita, um regime despótico e ultra-fanático (O Irã perto deles é liberal), sendo que muitas dessas armas vem dos EUA e Israel.

            Os sionistas e ocidentais querem derrubar um dos governos mais sectários e liberais do Oriente Médio, não importando se surgir dele uma nova Arábia Saudita, desde que obedeça bovinamente suas ordens e lamba as botas de Israel.

            Tudo isso com o objetivo de destruir toda e qualquer resistência a Israel e qualquer apoio ao Irã que tão logo esteja sozinho contra o mundo poderá ser varrido, apesar que ainda tenho esperança que a China/Rússia não irão permitir.

  6. Concordo plenamente com o Leandro.Nas favelas do Rio é muito pior.Ele ainda foi tratado de forma cordial e deve dar graças a Deus por não ter caído nas mãos do PCC ou comando vermelho.²

    Se fosse Israel talvez você já estivesse em guantanamo, ou em algum centro de tortura na Polônia que a União Europeia covardemente ignora.

  7. Diogo,
    OPutro dia te perguntei se voce achava o grupo hezbollah terrorista. Voce me respondeu que sim.
    Hoje nesta sua interesantissima reportagem de sua experiencia incrivel, voce se refere ao “grupo militante” e diz “considerado terrorista por israel”.
    Parece que eles estao com o revolver na sua cabeca para evitar que os chamem de terrorista!
    Eles realmente tem poder!

    1. Márcio, é importante saber distinguir entre os contextos. Como repórter, não tenho de “achar” o Hizbullah terrorista ou não. A tarefa do jornalista é relatar os fatos. A sua pergunta era de foro pessoal, e como tal respondi.

      1. Mas nao e’ um fato que eles sao terroristas por definicao?
        Um exercito paralelo ao governo, que participam de acoes militares em outros paises, colocam bombas em paises alheio, e’ o que?
        Esse e’ um fato a ser reportado penso .

        1. Marcio, aqui não é uma questão de definição pessoal. A União Europeia, por exemplo, só considera o braço armado do Hizbullah como “terrorista”, mas não a organização em si.

          1. Eu entendo Diogo,
            O hezbollha pode proibir os reporteres que falam mal deles d eentrar no libano e voce nao poderia fazer mais seu trabalho.
            Mas tenho certeza que voce tambem tem uma opiniao jornalistica, factual s eo hezzbollah e’ ou nao um grupo terrorista. afinal voce tem tantas outras opinioes jornalisticas e factuais sobre a regiao e tantos outros topicos, seria surpreendente voce nao ter sobre este tao im[portant topico.

          2. Marcio, talvez eu não tenha sido claro. Eu não me abstenho por receio em relação ao Hizbullah, mas por ética jornalística. Não cabe a mim classificar o Hizbullah como terrorista ou não, mas aos órgãos internacionais, que continuarei citando em minhas reportagens.

          3. Entendi, obrigado.
            Mas a etica nao tem compromisso com a veracidade dos fatos? Entao voce nao estaria violando a etica.
            se voce se referir ao PCC como ‘ grupo criminoso voce nao estaria comentendo nenhuma falha etica, correto?

  8. Relato impressionante. Que bom que isso nao terminou mal.

    Sempre me lembro das palavras dirigidas pelo Assis Chateaubriand ao Joel Silveira antes da partida deste para a cobertura da Segunda Guerra: “Não me morra, seu Joel, não me morra. Repórter não é pra morrer, é pra mandar notícia”.

    Sua coragem e sua integridade sao inspiradoras. Parabéns pelo bom trabalho que vem fazendo no OM.

  9. Em Israel o trabalho da imprensa é livre: Em qualquer atentado que ocorra, como por exemplo no onibus que explodiu em TA semanas atrás, haviam dezenas e dezenas de jornalistas do mundo inteiro cobrindo, fotografando e filmando. Comparar a, hahahaha, “democracia xiita” com Israel é coisa de terrorista.

    1. Nos territórios ocupados da palestina, a população vive baixo o fusil opressor do estrangeiro sem cidadania e sujeita as mais arbitrarias prisões e violações de direitos internacionais. Se o Hezbollah é terrorista por ser um “segundo Estado”, Israel é terrorista por impedir pela força a Palestina de existir.

  10. Comparar a democracia que existe em Israel com qualquer outro sistema vigente no Oriente Médio é lamentável. O fato da grande maioria dos correspondentes internacionais residirem em Jerusalém e não nos países vizinhos prova o que estou dizendo.
    Parabéns pelo relato, Diogo e fico feliz que esteja bem.

    1. Os judeus deveriam ser os mais interessados na distinção entre o judaísmo religião e o sionismo político-econômico-financeiro, afinal, sempre existe a possibilidade de alguns pagarem por crimes de outros, além de adorarem lavar a boca com as teocracia vizinhas.

      É nesta linha que muitos judeus (não sionistas), como o escritor Norman Finkelstein, autor do best seller “a Indústria do holocausto”, o ativista Noam Chomski, rabinos como os do grupo Neturei Karta, cientistas como Vanunu, que denunciou o programa nuclear clandestino sionista e os soldados refusiniks que se negam a assassinar palestinos e acabam perseguidos e presos pelo regime que alguns, como você Ricardo, chamam de “democrático”, procuram se afastar do sionismo.

      Fazer exército com a ajuda TOTAL e irrestrita dos eua e da inglaterra e chamar de “melhor” por ganhar de uns paisecos mal armados chega a ser cômico, para não dizer trágico.

  11. Chamar o Hezbollah de Faccao e no minimo
    uma falta de bom senso.E mesmo voce,Diogo,que esta por aqui de passagem,
    sabe muito bem,que esta “Faccao” e Terrorista e seu objetivo e acabar com Israel e os Judeus,como no atentado a AMIA na Argentina,e continuam com este mesmo objetivo,pois este Nasrallah,seu lider Rato,sempre vive escondido nas sarjetas e nos esgotos.A isto voce chama
    de “lider de uma Faccao????”.

  12. Até eu sei que é necessária uma autorização para fotografar os bairros controlados pelo Hezbollah.

  13. É necessário, então, uma ‘autorização’ p/ não ser detido, julgado, condenado e liquidado sumariamente pelos terroristas de plantão, em tempo recorde!

    1. “julgado, condenado e liquidado sumariamente”

      Acho que estamos falando com um fantasma do Diogo kkkk

  14. Compreendo a utilização do termo “facção” pelo Diogo. Entretanto, ao ler a matéria senti falta da informação posteriormente colocada nos comentários: a União Européia considera apenas o braço armado do Hizbullah como terrorista (e mesmo assim, recentemente após seu envolvimento na guerra da Síria). Quando você escreve apenas: “considerado por Israel como terrorista” e deixa de fora outras classificações fundamentais do grupo, facção, etc, você privilegia a atenção do seu leitor para um tipo de informação e não lhe dá mais contexto para interpretar o que se passou ali. Acredito que a inclusão desta informação reforçaria sua busca pela ética jornalística.

    Fico feliz que tenha saído ileso e com um relato tão interessante para nos reportar. Um abraço.

    1. Concordo.
      O Diogo mencionou a união européia. MAs surpreende ele, uma pessoa obviamente inteligente, nao entender que a UE esta cagando de medo de sofrer atentados e porisso faz essa distinção ridiculA. Como se um braço nao tivesse nenhum tipo de contato e ação coordenada com o outro.
      E’ , honestamente, menosprezar a inteligência dos leitores.
      Chega a ser falta de respeito.
      A única ética aqui e’ a analise fatual das ações pelo jornalista. Esse nao fez a analise e colocou a opção de facção como a mais cômoda.
      Eu nao consigo acreditar que o Diogo nao veja que essa e’ uma definição importante para que o tópico seja discutido com clareza.

      1. Boa noite, Márcio.
        Acho que falamos sobre coisas diferentes. A distinção feita pela UE, acredito, se dá mais em virtude do multifacetado portfólio de atividades que o Hizbullah exerce no Líbano (como partido político eleito democraticamente, por exemplo) do que por temer atentados em seu território.
        Acredito que incluir esta distinção incitaria nos leitores o desejo de entender a razão da diferença de nomenclatura (e todas as suas consequências) praticada por EUA e Israel e a U.E. Poderia também acarretar em uma pesquisa sobre o próprio Hizbullah, uma vez que é impossível aplacar todas as profundas lacunas quando um tema tão intricado é discutido em um jornal.
        O Diogo age corretamente ao se referir ao Hizbullah como facção, sugiro apenas mais contexto, mesmo que em curtas frases, para aumentar o escopo da compreensão do leitor leigo.

        1. Bom Dia Maria,
          obrigado pelo esclarecimento.
          Mas agora entao sou obrigado a discordar parcialmente.
          Essa estoria d emultifacetado e’ algo simplesmente ridiculo. Separar o partido politico do braco armado e’ no minimo inocente. Siga o dinheiro! Um nao vive sem o outro, portanto, a separacao e’ apenas estorinha de conto de fadas. E a europa , sem duvida nenhuma, morre d emedo de atendados. Porisso que sempre e’ “flexivel” com grupos terroristas.

        2. Quanto a posicao do Diogo, eu sou totalmente contra.
          A comunidade internacional a qual ele se refere somos nos. Principalmente os formadores de opiniao como, por exemplo, jornalistas.
          Se estes falahm na sua missao de identificar algo que prejudica a sociedade isso e’ ruim.
          Qualquer, absolutamente qualquer forca paralela a um governo legitimamente estabelecido nao e’ uma faccao. E’ um gru[po ilegal, e por agir em outros paises, e por ser uma organizacao paramilitar que nao e’ governo , passa a ser terrorista.
          Usar o eufemismo de faccao e’ um diservico a humanida, ao libano e um incentivo ao terrorismo.
          Uma tolerancia totalmente repudiavel. E, indiretamente, contribue para a perpetuacao de grupos paramilitares nao governamentais.

          1. Então, pelo que tudo indica, quando um país declara guerra a outro, na verdade declara guerra contra o exército e não contra o país inimigo? Isso é ridículo e a UE está mesmo ruim das pernas. Quanto ao Líbano, a antiga Suiça do Oriente Médio, continua refém do Hezbollah, da mesmíssima forma que aqui em SP algumas regiões da periferia seguem reféns do PCC sem que o Estado possa ou queira reagir.

  15. Prezado Diogo,
    como relatado por mim anteriormente, as “fronteiras’ dentro de alguns países árabes são mais perigosas do que entre diversos países.
    Parabéns por sobreviveres para contar a sua detenção. Possivelmente, um outro jornalista de outra nacionalidade com reportagens e blog que antagonizassem árabes, palestinos e “facções” como o hizbullah e o hamas estaria, pelo menos, refém até hoje.
    Por curiosidade, as fotos tiradas e o conteúdo do seu computador foram deletados ou devolvidos integralmente ?
    Um abraço, Luiz. Parabéns pelo “renascimento”.

  16. Diogo,
    Permita-me uma pequena sugestão para tornar o titulo e o seu post mais adequado a realidade.
    Você não foi “detido” ou ” preso”
    Você foi sequestrado!
    O Hezbollah não é um grupo que tem o direito de deter alguém que tenha permissão do governo para estar dentro do território do Líbano. Seu caso.
    Precisamos sim separar grupos terroristas de governos e só assim poderemos começar a pensar numa paz que não seja oriunda de uma guerra.
    Para isso também, é necessário que os governos sejam os mais plurais possíveis e possam atender as demandas minimas de todas as etnias que coabitam e coexistem em seus territórios.
    Já leu um livro chamado “Tirando os sapatos? ” do Nilton Bonder?

    1. é verdade, ele foi sequestrado, nao podemos tolerar um grupo como o hezbollah, lembrando que assim como o pcc eles estao fortemente involvidos com tráfico de drogas.

      1. Drogas? eles fazem parte de uma milícia religiosa não da guerrilha colombiana, se estiver falando a verdade gostaria de ver provas!

  17. Hezb fez o correto, foi detido e na saída houve um pedido de desculpas. Países árabes estão infestados de traidores, pagos por israel.
    israel corrompe, sequestram e assassiam o que puder por informações.
    Se não fosse pelo Hezb o Libano estaria sendo roubado como esta sendo a Palestina.

    1. Jose, a “Palestina” da Judea e Samaria assinou um acordo com Israel e durante alguns muitos anos irá receber gás a preços módicos de Israel. O Líbano jamais seria roubado por Israel e por alguns motivos: Israel produz praticamente tudo o que precisa a inda exporta excedentes (inclusive água dessalinizada); o Líbano produz apenas azeitonas e “militantes” (vamos chamar assim os seus combatentes e os meus terroristas). O que mais o Líbano produz que poderia “ser roubado”? Areia? Não. Camelos? Também não.

    2. Esqueci de um detalhe importante que o próprio Diogo está ai mesmo para confirmar. Israel não sequestra e nem assassina por informações (conforme voce escreveu), tanto que é justamente onde o Diogo prefere ficar e morar. Se isso que voce escreveu fosse verdade, o Diogo poderia ir para o Libano, para a Siria, para o Egito, para a Jordania ou para a Arabia Saudita, mas preferiu Israel. Engraçado, né?

      1. Você precisa pesquisar mais, a Jordânia e a Arábia Saudita, lacaios dos EUA e dos sionistas, são os países mais estáveis do Oriente Médio, pois não existe nenhum lacaio dos EUA promovendo o terror para derrubar seus governos e implantar outro estado serviçal como estão fazendo no Egito.

        Tenho certeza que o Diogo vive em Israel pois é um país ocidentalizado como o nosso, eu conheço amigos que vivem em Amã, na Jordânia, pois é da cultura deles.

        Israel não mata ninguém são uns santos, acho que as fotos que vejo são photoshop kkkkk

        1. Heitor ,se Israel mata ou matou e porque
          o infeliz tinha sangue nas maos de algum judeu que ele matou ou ia matar,sacou?
          Nao tem outra explicacao.E e assim que eles entendem .Esta e a conversa com eles,nao ha outra saida,ate eles ja sabem disto,porque mesmo entre eles se matam
          e nao se entendem NUNCA.Entendeu?.Nao e Gente,nao sao sao civilizados,sao animais selvagens.

          1. Ah sim, animais selvagens que dominaram a matemática, navegação, medicina e guerra por 500 anos e fizeram um dos maiores e mais ricos impérios já vistos chegando a bater nas portas de Veneza e da Polônia.. claro, claro, você está certíssimo.

    3. Jose,os Paises Arabes estao infestados de traidores? So se forem os proprios Arabes
      mesmo,haja visto o que esta acontecendo
      nos proprios paises em suas guerras civis
      onde ja morreram pelo menos 1.000.000
      de pessoas,e voce vem com seu antissemitismo barato nos culpar dos
      problemas religiosos deles?Voces nao perdem esta mania de nos culpar em tudo
      o que passa de ruim o tempo todo com voces.E a Primavera Arabe se manifestando.Alias estamos no Inverno,entao e o InFerno Arabe,nao e?

  18. Escrevi (e tive o conteúdo apagado por ser inadequado) que, o Diogo na hora do rapto(?), sequestro (?), prisão (?) morreu de medo, tanto que torceu para não ter que usar as vendas pretas que estavam em cima da mesa (vendas pretas, muitas vezes são colocadas na cabeça de quem vai ser fuzilado ou enforcado). Mas que na hora de ir embora, deve ter ficado muito feliz de que nada de ruim lhe tenha acontecido. E que isso seria um pouco da Síndrome de Estocolmo.

  19. Li todos os comentários principalmente os feitos pelos defensores do Hezbolah e do status quo no Líbano, e achei muito interessante, que nenhum deles explicou o atentado que foi na realidade o motivo da presença do jornalista em Beirute.
    Por que ninguém explica isto?

Comments are closed.