Não, mulheres sauditas, não dirijam

Cena do vídeo “No Woman, No Drive”. Crédito Reprodução

Há uma série de violações aos direitos humanos ao redor do mundo, e nos países de cultura árabe os exemplos são diversos. Lemos essas histórias todos os dias, nos jornais. Regimes massacrando populações com morteiros e armas químicas, homossexuais apedrejados, crianças impedidas de estudar. Não preciso fazer a lista.

Mas, nesse rol de crimes, a proibição de mulheres assumirem o volante na Arábia Saudita parece especificamente interessante ao Ocidente. A história de muçulmanas proibidas de ir e vir, obrigadas a depender de guardiões masculinos, é uma das notícias que nos servem de lembrete de todos os avanços que ainda são precisos na península Arábica.

Tenho uma relação pessoal com essa história. Foi uma das primeiras reportagens que escrevi, em 2011, para a editoria internacional da Folha, quando consegui uma entrevista exclusiva com uma das mulheres que foram presas por desafiar a proibição ao volante no reino saudita. Também por me interessar pela história da península e pelos direitos humanos na região, costumo manter contato frequente com ativistas locais a respeito do tema.

Hoje, diversos deles publicaram em suas redes sociais o vídeo de um grupo de artistas fazendo uma sátira sagaz à questão do volante no país. Os sauditas Hisham Fageeh e Fahad Albutairi se uniram com o iraniano-saudita Alaa Wardi para gravar “No Woman, No Drive” (não, mulher, não dirija), uma sátira da canção “No Woman, No Cry” (não, mulher, não chore), de Bob Marley. O vídeo está disponível aqui.

A campanha, que se tornou viral em menos de um dia, inclui uma abordagem criativa e crítica que lembra os ocidentais de que as populações no Oriente Médio não apenas estão cientes de suas questões sociais, mas também reagem de maneiras variadas. Em um trecho da canção, Fageeh canta que os “ova-ovários estão seguros e bem”, parodiando o trecho “ob-observing the hypocrites” da canção original. Recentemente, um clérigo saudita havia dito que dirigir prejudicava os ovários das mulheres no reino saudita.

Confiram, é claro, a cobertura da Folha a respeito desta história. A notícia de manifestações a favor da liberação do volante está aqui. Enquanto isso, veja abaixo o vídeo, com legendas em árabe e em inglês, sobre “um dia em que as mulheres se sentavam no banco de trás”.

 

Comentários

  1. Essa situação é muito engraçada, o sauditas vivem em um regime teocrático ditatorial absurdo e ninguém faz nada, Israel e os EUA ficam quietinhos, pianinhos para eles e seu dinheiro.

    Todo mundo sabe da família real saindo logo após do 11/09 quando nenhum avião podia voar e das relações da familia Bush com os príncipes.

    Mas o alvo é o Irã onde as mulheres dirgem e vivem com muitos mais direitos que naquele lixo fanático dos sauditas.

    Quanto a parte religiosa, acho que tanto cristãos como judeus deveriam olhar para seus livros (bem feministas haha) antes de abrir a boca, não se esqueçam que o inferno é dos hipócritas.

    Todas as religiões abraamicas tem teto de vidro sobre direitos da mulher. Se não concordam, abram a bíblia e o tamuld.

    Abraço.

  2. O islã da era medieval, era outro como afirmam, mais tolerante, eu tenho as minhas dúvidas. Nos dias de hoje represemtam o ATRASO, o fanatismo religioso cega as pessoas, representando o atraso em tudo, as suas proibições me fazem rir!!! E REPRESENTA UM PERIGO ÁO ocidente, querendo impor suas leis em países que o acolheram, há que contê-los

  3. esse senhor pode falar a besteira que for, não pela ideia ou contribuição para a humanidade, mas pela posição que tem.
    ignorante , vassalo e poderoso cheio de dinheiro. só isso

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