Há cem anos, a Síria pedia ajuda aos EUA

Faysal, que sonhava em ser rei dos árabes, em foto de 1919. Atrás dele, o segundo da direita para a esquerda é o lendário “Lawrence das Arábias”. Crédito Reprodução.

Este relato poderia ter diversos títulos, além daquele que eu de fato escolhi. Por exemplo, “A Síria que não foi, mas poderia ter sido”. Ou “Na Síria, o pecado original se chama Versalhes”. Ainda, “Como guerra civil, nasci há cem anos”.

Me perdoem a poesia. Mas, ignorante em história síria, me surpreendi ontem à noite ao ler uma história em que não devo ter prestado tanta atenção enquanto estive na universidade –a narrativa dos debates do Congresso Nacional Sírio. Redescobrir o ano de 1919 e voltar a pensar em como os Estados nacionais do Oriente Médio foram criados teve, para mim, um quê de epifania. Os leitores que já conhecem a história podem se enfastiar. Mas os demais talvez dividam comigo a linha de pensamento que se preocupa, hoje, em entender qual é a raiz histórica para a crise na Síria, em que mais de 100 mil pessoas já foram mortas.

Eu havia perguntado ao historiador Jonathan Berkey, do Davidson College, qual poderia ter sido a alternativa para a criação da Síria após a Primeira Guerra Mundial. Afinal, as regiões que hoje conhecemos como Síria, Líbano, Israel e os territórios palestinos vinham sendo parte durante quatro séculos do Império Otomano. Não havia, ali, a ideia de Estados como entendemos hoje. A resposta dele: bem, havia outra opção. O relatório da comissão King-Crane (que vocês podem ler aqui, na íntegra).

Terminada a guerra e desfarelado o Império Otomano, os impérios europeus, em especial o britânico, tiveram de lidar com uma série de acordos firmados em relação aos territórios agora em disputa no Oriente Médio. Por exemplo, uma série de cartas trocadas com Sharif Husayn ibn Ali, de Meca, estipulavam a criação do Estado da Grande Síria, tradicionalmente conhecido em árabe como “Bilad al-Sham” (os atuais Líbano, Síria e Israel, grosso modo). Uma declaração feita a líderes sionistas, porém, também dava garantias para a criação de um Estado judaico (o famoso dito de Balfour). Havia, ainda, o comprometimento estabelecido com a França de entregar-lhe parte dos territórios do falecido projeto turco-otomano.

A coincidência de tratados sobre um mesmo trecho do mapa-múndi causou constrangimento à época. Foi quando, enquanto potências debatiam como dividiriam o globo entre si, em Versalhes, os Estados Unidos propuseram a criação da comissão King-Crane, que estabeleceria –após uma longa viagem ao redor da região, reunindo-se com as populações regionais– a melhor maneira de satisfazer as ambições de autodeterminação dos árabes.

Um grupo de representantes de diversos grupos ao redor da Grande Síria reuniu-se no Congresso Nacional Sírio e apresentou aos enviados de King-Crane, em 2 de julho, um relatório com suas reivindicações. Dou aqui a palavra ao historiador Eugene Rogan, de Oxford, com quem também conversei recentemente a respeito desse assunto. Em sua obra “The Arabs: A History”, ele escreve que “Os delegados […] demandaram completa independência política para a Síria com fronteiras geográficas separando-a de Turquia, Iraque, Najd, Hijaz e Egito. Eles queriam que o país fosse regido por uma monarquia constitucional, com Amr Faysal como seu rei”.

O relatório King-Crane, caso vocês se deem ao trabalho de ler, inclui o documento entregue pela delegação síria. Em um trecho, está dito que:

Desejando que nosso país não seja presa de colonização e acreditando que a nação americana é a mais distante de qualquer pensamento colonizatório e não tem ambição política em nosso país, vamos procurar assistência técnica e econômica dos Estados Unidos da América, desde que tal assistência não supere 20 anos.

Os desejos da Grande Síria e o relatório norte-americano, produzido no furor da fantasia da autodeterminação, foram no entanto ignorados pelas potências imperiais europeias, que já tinham, à época da entrega de King-Crane, decidido o futuro do Oriente Médio. O que hoje entendemos por Líbano e Síria passaram ao controle francês. Iraque e atual Israel foram comandados pelo Reino Unido. Assim, com linhas traçadas a esmo na areia, povos aliados foram divididos pelas mesmas fronteiras que uniram inimigos. A história, a partir daqui, é o conjunto dos relatos da ocupação, da independência e da ditadura. A Síria moderna, assim como o Iraque, é uma das vítimas de 1919.

Comentários

  1. Prezado Diogo, não esquecendo do reino artificial criado com o nome de Transjordânia, que fez desaparecer com grande parte da Palestina da época do Império Otomano.
    Tivessem os britânicos não doado terras que poderiam vir a ser divididas entre árabes e judeus, dificilmente, o conflito territorial por terras e fronteiras seguras teria ido adiante e, com duração até hoje entre palestinos e israelenses.
    As sequelas geopolíticas e interreligiosas das divisões territoriais efetuadas pelos colonialistas europeus acarretaram consequências desastrosas e irreversíveis. Com conflitos e guerras entre credos diferentes e, mesmo iguais como é caso do sectarismo muçulmano.
    A herança colonial deixada, principalmente, na África e todo Oriente Médio fez surgir países independentes com um emaranhado de tribos, feudos e religiões que nunca conseguiram pacificamente totalmente coexistir.
    O resultado é o que vemos em conflitos intermináveis e difíceis de solucionar em pleno século XXI.

  2. Os erros de ontem estão repercutindo até hoje. É possível sair dessa armadilha. Será que não entramos na era da negociação para solução dos conflitos?

  3. Diogo,

    Parabéns pelo blog. Como um formado em RI, mas não praticante, é sempre bom ver alguém que escreve bens sobre assuntos complexos.

  4. Diogo tu pensa que ocorrer o mesmo que na África?

    Divisões imperialistas do mundo ignorando tribos, minorias, famílias, enfim o poder local constituído durante séculos que após a independência dos países leva a guerras civis pelo poder?

    É só vermos o mapa, todas as fronteiras retas e paralelas, igual a África, geralmente associada a potência que a fez (como a África francesa, britância, congo belga) e não as populações locais que simplesmente foram cortadas ao meio por uma fronteira artificial decidida em algum palácio europeu?

    Não seria caso de se refazerem as fronteiras em estados menores ou federados?

    A África ainda sofre com sangrentas guerras civis, por causa de suas fronteiras e divisões de populações, que matam muito mais que em todo OM, infelizmente ela não recebe a mesma atenção, talvez por não ser a região mais sagrada do mundo…

    1. Acredito que essas decisões dos europeus no século XIX de dividir o mundo entre si (congresso de Berlim) ainda vão repercutir muito pela história!

      Felizmente conseguimos nossa independência a tempo de nos salvarmos disso e nos consolidarmos como nação antes de continuarmos simplesmente divididos em colônias de exploração total.

      Apesar que isso se deve muito a doutrina Monroe que dizia que os EUA protegeriam a América Latina (leia-se seus interesses) de intentos europeus..

      Abraço.

  5. Ô seu Diogo, dei-me o trabalho de ler o relatório da Comissão King Crane mas quando cheguei lá estava tudinho escrito em INGRÊS, ASSIM É TRABALHO DEMAIS. Da próxima vez mande o tradutor ou traduzido

  6. Atenção: a declaração de Dalfour demonstrava a intenção britânica em estabelecer um “lar judaico” na Palestina, o que não se traduz literalmente por Estado. É preciso ter muito cuidado com estas sutilezas, especialmente em um tema tão sensível.

    1. Bem, na verdade o texto diz “national home”, um “lar nacional”. Diante das aspirações sionistas, imagino que não tenha havido tanto espaço para interpretação à época da declaração. Abraço!

      1. Sim, ele diz “national home for the jewish people”, e na sequencia ele diz “it being clearly understood that nothing shall be done which may prejudice the civil and religious rights of existing non-Jewish communities in Palestine”. Por isso “lar”ou “national home” não se traduz diretamente por “Estado judaico”, já que, primeiro, ali nao havia Estado independente, segundo, o Estado que ali pudesse existir incluiria também outras religiões inclusive a majoritária muçulmana da palestina. A promessa expressa de construçào de Estado independente, aliás, foi feita às lideranças da palestina. O texto em nenhum momento cita a palavra “Estado”, e mesmo os sionistas não acreditavam seriamente na possibilidade de um Estado “judaico” na palestina até os acontecimentos da segunda guerra. Volto, portanto, a frisar o cuidado com as palavras.
        Outra coisa: achar que a comissao king-crane, que anunciava explicitamente que os paises arabes “nao estavam preparados para a independencia” e, portanto, os Estados Unidos deveriam “ocupa-los para liderar o processo de transição ao fim do imperialismo europeu e à independencia”, parece uma piada visto a partir de uma perspectiva historica, quando a postura americana no Oriente Médio do pós segunda guerra mostrou-se igualmente intervencionista ou ,se preferir, um imperialismo sem ocupação direta salvo em momentos chave.
        Acho que, dado o tema de seu artigo, voce poderia, ao inves da comissao king crane, ter citado a fundacao do programa do partido otomano pela descentralização do império em 1912 e a primeira conferencia arabista ocorrida em Paris em 1913, formada principalmente por intelectuais sirios muculmanos e cristaos.

        1. Pedro, dificilmente uma declaração no início do século 20 enfatizaria a palavra “Estado”. Quanto às promessas, foram feitas diversas, inclusive coincidentes, de maneira que desde cedo não parecia haver intenção de cumpri-las. Acho que, pela perspectiva histórica, podemos reinterpretar o texto de Balfour (como foi feito, aliás, pela liderança sionista). De toda a maneira, quanto à comissão King-Crane, não sei se entendi sua crítica. Até porque estamos nos referindo, neste contexto, ao pós-Primeira Guerra, e não segunda. Difícil julgarmos a predisposição síria a partir dos acontecimentos então apenas futuros. Poderíamos ter citado aqui a descentralização, ou a centralização dos Jovens Turcos, ou a conquista de Selim, ou o advento do islamismo. É apenas um recorte histórico. Abraço!

        2. Os arquivos contendo os debates que levaram ao texto final da Declaração de Balfour esclarece parte do fraseado empregado. “Lar Nacional” foi usado ao invés de “Estado Nacional” apenas por razões politicas, já que havia certa oposição à essa idéia dentro do gabinete britânico, mas a intenção SEMPRE foi estabelecer um “ESTADO nacional”. Aliás, em algum ponto durante a composição do rascunho da declaração, Mark Sykes que se não estou falando bobagem era o secretário do Gabinete ou algo assim, reuniu-se com lideres sionistas para entender o que exatamente eles queriam. Sykes então reportou-se ao gabinete dizendo que “os sionistas não querem estabelecer um estado em qualquer parte da Palestina”.

          Talvez em função da estratégia adotada pelos sionistas para não confrontar parte do gabinte britanico tenha certamente passado a falsa impressão de que ” mesmo os sionistas não acreditavam seriamente na possibilidade de um Estado “judaico” na palestina.” Se isso atingiu o objetivo à epoca com parte do gabinete britânico, é de se presumir que tenha passado a mesma impressão para inumeros historiadores.

          Aliás, sintomático da verdadeira intenção dos sionistas em estabelecer o estado judaico é um trechinho da carta de Lorde Rotschild para Balfour onde ele refere-se ao conceito de “Que a Palestina deve ser reconstituida como o lar nacional do Povo Judeu. Porém, visando evitar chocar o Gabinete (e também não comptometer a Palestina inteira para os sionistas, a palavra “QUE” no inicio da frase foi substituida por “NA”. E foi Lorde Samuel Montagu, que era judeu mas não sionista,que pediu que fosse inserida na declaração a frase “Nada deverá ser feito para prejudicar os direitos das comunidades não judaicas”, pois ele temia que uma declaração sem essas garantias além de alienar os negociadores judeus, causassse perseguições anti-semitas.

          A leitura dos rascunhos da declarção de Balfour, de dominio público e disponíveis na internet, não deixam qualquer dúvida que a declaração era a afirmação da intenção do estabelecimento de um Estado Judaico na Palestina.

        3. Pedro, pq vc acha isso?
          “e mesmo os sionistas não acreditavam seriamente na possibilidade de um Estado “judaico” na palestina até os acontecimentos da segunda guerra”

          o mov. sionista sempre teve como objetivo estabelecer um estado. nessa época as bases das instituições nacionais já estavam sendo construídas, o sindicato dos trabalhadores por exemplo foi fundado em 1920.

        4. Gostei.

          Poderia ter sido chamado ao invés de Estado de Israel, de “Lar Nacional do Povo Judeu”, ou “Quase Estado de Israel”, ou, quem sabe, “Casa do Povo de Israel”.
          Na próxima viagem ao passado darei as opiniões para deliberação na plenária !

          1. Interessante essa discussão de vocês, incrível como a interpretação ou tradução de uma palavra muda tudo, não?

            Por isso o Alcorão não deve ser traduzido e é incentivado que todos aprendam árabe para ter acesso a leitura original (com mais de 1400 anos), para evitarmos situações como essas.

            A última bíblia com mais de 1500 anos foi achada na Turquia e o vaticano ficou desesperado para recolhê-la, por que será? O que tinha lá que poderia causar tamanho temor…

            Abraços.

          2. ” O que tinha lá que poderia causar tamanho temor…”
            Algo que colocaria os dogmas da igreja catolica em xeque.

            E o que pode causar tanto terror em representar a imagem de maome?

            Tudo besteira igual, tudo livro velho, escritos por sabe-se la’ quem e com um monte de gente achando que e’ verdade!

          3. Olha, Marcio.

            Sobre a proibição de representar Maomé: Ela existe para evitar que surja uma santificação do mesmo, uma adoração de sua imagem…

            Sobre os livros, pode ser besteira para ti, mas para cristãos, judeus e muçulmanos não é.

            Abraço.

  7. A fronteira arbitrária, por si só, não explica os ódios que existem entre povos e/ou nações em qualquer lugar do mundo, incluindo o Oriente Médio (OM). Por outro lado, ódios anteriores ao traçado das fronteiras no OM explicam melhor a situação atual dos ódios. Existem ódios alimentados há milênios no OM. Se a gente sabe com bastante precisão dos odios desde o tempo do Rei David, então há certamente ódios ainda mais antigos. As dominações e massacres consequentes continuaram alimentando ódios: gregos, troianos, romanos, cruzados, otomanos etc. Quem domina alguém na porrada vai gerar ódio em quem foi dominado. Então não é de estranhar que nos tempos modernos exista um sistema de ódios conectado à estrutura de poder na região.
    O camarada que tentou mudar radicalmente as raízes do ódio foi crucificado, e até hoje, quem tenta mudar a situação é crucificado. Nosso saudoso Sergio Vieira de Mello tentou pacificar e sabemos o que fizeram com ele.

    1. “A fronteira arbitrária, por si só, não explica os ódios que existem entre povos e/ou nações em qualquer lugar do mundo, incluindo o Oriente Médio (OM)”

      Exatamente.
      Depois gostam de colocar a culpa nos “outros”.
      Estes ilusivos “outros” sempre sao culpados.
      Mas ninguem quer senta a bunda na cadeira pra’ criar uma nacao desenvolvida. Preferem a matanca!

      1. Concordo Roland, a fronteira por si só não altera, mas como tu mesmo disse: no momento que essa fronteira coloca povos inimigos sob mesmo teto, nasce o problema. Que é o que vemos no mundo hoje.

        Marcio: Vamos colocar argentinos e chilenos (quase entraram em guerra nos anos 70), bolivianos e chilenos (nem preciso falar) ou brasileiros e qualquer vizinho (língua e cultura oposta) sob mesmo teto na marra e depois vamos embora, vamos ver se não haverá uma guerra depois pelo controle desse lugar…

        Não somos inimigos por que temos nossos espaços, mas vai alterar esse sistema para ti ver.

        E depois alguém como você virá e dirá que “gostam de colocar culpa nos outros”.

        Abraço.

        1. Discordo completamente.
          A historia tem varios exemplos do contrario.

          O fato e; que tiveram muitos tempo para resolver estes problemas tribais e nao o fizeram. Nao conseguiram evoluir socialmente para um sistema politico de partidos. COntinuam nesta de tribos de 2 mil anos atras.

          Voce sabe disso tanto quanto eu.

          1. Muito tempo? Esses países, assim como na África, não tem nem 100 anos em maioria, o Brasil ainda tinha guerras civis mais de 100 anos depois de independente (revolução federalista, a de 30 e a constitucionalista).

            Como tu disse: São tribos de 2 mil anos que são separadas e forçadas a conviver com tribos rivais, óbvio que essa tradição, de famílias de 2 mil anos vai prevalecer em suas decisões políticas muito mais que agregar a um país que eles foram forçados a aceitar.

            Tão logo o poder central vá embora essas lutas ocorrem e ditaduras aparecem e etc..

            Voce sabe disso tanto quanto eu.²

          2. Heitor,
            entao ta’ bom.
            Agora de quem entao e’ a culpa das tribos nao conseguirem conversar? A situacao a eles foi apresentada e cabe a eles faze ro melhor pssivel.
            E fica evidente que o melhor possivel e’ matar!
            So’ me responde, porque eles nao conseguiram ate’ hoje conversar?
            Me explica qual o tipo de desenvolvimento social e’ este que proibe duas tribos de se unir para construir uma nacao?
            Porque ate’ hoje continuam se matando?

            Sm separaram forcadamente as tribos. Isso lhes da’ o direito d econtiuar a se matar?

          3. Bem, Marcio, acho que existe muita ganância na humanidade, o terreno do vizinho é sempre mais verde, etc…

            Poucas pessoas no mundo são altruístas e abrem mão de suas coisas para ver o outro bem, se fosse assim o comunismo teria dado certo e o capitalismo (máxima desse princípio) não existiria…

            O que impede de conversar é isso, quase nunca a tribo ou grupo dominante vai querer ceder espaço para a rival e o resultado é isso mesmo.

            Abraço.

  8. O relatório King-Crane trazido oportunamente pelo Diogo ajuda a desmitificar alguns termos que muitos acreditam ser lugar comum na história Síria como guerra civil e sectarismo quando menciona que as autoridades sírias já manifestavam o desejo de terem um país democrático e com respeito aos direitos das minorias e rechaço ao tratado secreto de Sykes-Picot(que seria uma tentativa de dividir o país sectarizando-o,ou seja,”divide to conquer” ,sendo que os riscos de conflitos em virtude desta intenção européia foi bem colocado por As Dr. W. M. Ramsay no relatório quando diz:
    “The attempt to sort our religions and settle them in different localities is wrong and will prove fatal. The progress of history depends upon diversity of population in each district.” And there is real danger in breaking Syria up into meaningless fragments.
    O tratado é visto por muitos como um ponto de inflexão nas relações entre os árabes e o Ocidente, já que contrariava as promessas feitas aos árabes através de T. E. Lawrence, no sentido de criar-se uma nação em território sírio em troca de apoio aos esforços de guerra britânicos contra o Império Otomano.
    Felizmente o tratado Sykes-Picot não vingou na íntegra de modo que após a independência os líderes sírios buscaram modernizar o país mas disputas políticas atrasaram este processo e é aí que entra o pai do Bashar que conseguiu com mão de ferro colocar a casa em ordem cujo maior mérito foi criminalizar qualquer tipo de discriminação desenvolvendo entre todas as etnias do país uma identidade única síria.Obviamente fez inimigos junto a minoria de radicais islamitas que compõem a Irmandade Muçulmana(vide Egito) e que foram usados como bucha de canhão no conflito atual onde os opositores externos do governo sírio trataram de resgatar o plano Sykes-Picot divulgando-o aos quatro ventos quando acreditava-se que a sua queda era eminente.
    Concluindo,não há guerra civil e sectarismo(não por parte do povo sírio)quando o conflito atual desde o início foi,é e continuará sendo,queiram ou não, entre as forças de um país SOBERANO,de um governo LEGÍTIMO,DEMOCRÁTICO e LIBERAL contra forças compostas COMPROVADAMENTE em sua grande maioria por tipos da pior espécie vindo de quase todas as partes do planeta que estão cometendo todos os tipos de barbáries financiados por USA&Ltda.Se o leitor sensato tivesse idéia de como o governo sírio tem se desdobrado para evitar que estes possíveis 100.00 mortos se transformem em um milhão teria vergonha das mentiras que falam por aí.

    1. “governo LEGÍTIMO,DEMOCRÁTICO e LIBERAL”

      Desde quando um ditador pode ser democratico?
      Se voce explicar isso eu ate’ cpmento as outras coisas erradas que voce falou.
      Mas vamos comecar pelo basiquinho.

          1. Ok,vamos lá então.O sistema político sírio é de uma democracia parlamentar onde os seus membros representam as diferentes regiões do país sendo eleitos democraticamente pela comunidade local.O presidente e seus ministros precisam ser referendados por esse parlamento e pela nova Constituição(já referendada pelo povo)o presidente deverá passar a ser eleito pelo voto direto a partir de 2014 possuindo os poderes Judiciário independentes do Legislativo e Executivo além de já possuir 15 partidos de oposição.Na prática Bashar tem em seu governo cumprido religiosamente as obrigações que lhe confere a Constituição,nada de idiossincrasia.Nas TV’s não é raro ver críticas políticas a ele sem problemas tendo até em seu governo opositores em seu ministério.Na economia ele abriu o mercado pro mundo,tinha uma indústria pujante,favorecia a livre iniciativa reservando ao Estado o papel que lhe confere de cuidar da saúde,educação e segurança.Pra quem conhece e acompanha a carreira política dele sabe que os seus princípios e valores são de um democrata e ele mais do que nenhum sírio deseja ver a democracia na Síria consolidada.
            Já que vc demonstra querer debater sem pré-julgamento recomendo a entrevista que ele deu pra Fox News onde vc vai poder ter uma idéia dele e dos acontecimentos na Síria.
            http://sana.sy/eng/21/2013/09/19/503275.htm

  9. Moises,
    O que voce chama de dmeocracia na siria nao e’ democracia por definicao,.
    COmeca pelo fato de que o Assad nao foi eleito. Ele herdou o cargo,
    Dizem que teve eleicao na qual ele obteve 97% dos votos.
    O numero ja’ diz que as tais das eleicoes sao “estranhas”.

    Segundo porque democracia requer um sistema d elei que e’ aplicado igualmente a todos os cidadaos. Um sistema legal bem definido e que funcione.
    E um mnaeira de proteger os direitos dos cidadaos. Seria a polica politica do assad encaregada disto?

    Agora que voce sabe o que e’democracia, fica evidente que a siria nao e’ e nao era, por definicao,

    Quanto a entrevista do assad na Fox, nao significa nada.
    Se voce vai a uma prisao e entrevista os condenados, a maioria diz que esta’ la’ por engano.

    Voce tem que perguntar aos exilados, aos que fugiram d apolicia secreta .

    1. Marcio,
      Ela é uma democracia parlamentar no sentido de que ao nível do parlamento os seus representantes são eleitos pelo povo e como eu disse a Síria ainda está passando por um processo de consolidação da democracia mas o mais importante entender é que o sistema político sírio já está montado nesse sentido com uma Constituição democrática baseada nas tais leis que vc menciona e vem funcionando na prática sim estando no caminho certo.Mas como eu disse,na pessoa do Bashar ele é um democrata e por ele seria tudo pra ontem mas precisa respeitar a dinâmica e o timing de um povo multicultural.
      Os 97% são realmente questionáveis assim como as suspeitas de fraude nas eleições do Bush e outros exemplos que poderíamos dar e a primeira eleição de verdade prevista pra 2014 a transparência deve ser cobrada de modo que a vontade soberana primeira do povo sírio seja satisfeita sem interferência externa impingindo personagens totalmente estranhos ao povo como tentam fazer hoje, pois por não ser preso a nenhuma ideologia apenas a fatos da mesma maneira que defendo o governo hoje ficarei a vontade por princípio para criticá-lo amanhã.Hoje eu diria a vc que os próprios inimigos que compõem a NATO reconheceram em pesquisa recente que apenas 10% da população são contra Bashar.Mesmo que questionemos esta pesquisa,responda com toda sinceridade:Vc acredita que um governo sendo o que pintam dele duraria tanto tempo com as instituições ainda funcionando mesmo com um país destroçado tendo a maior potência do mundo junto com seus puppets financionando gente da pior espécie e tendo o povo ainda contra ele?Eu não tenho dúvida que bastaria o povo estar contra ele que não duraria 1 mês ou então pediriam intervenção que é tudo que não querem.
      Em relação aos exilados é um ponto importante a se comentar inclusive ele tem um irmão nessa situação e os motivos tem a ver menos com democracia e mais com divergências de política externa e atentarem contra as tais leis.
      Quanto as tais polícia política ela foi efetiva no tempo do pai e se justificou porque os radicais da IM(que vc deve saber bem o tipo que são) vinham praticando atentados contra o povo e o Estado inclusive contra a vida do pai e o agravante hoje é que juntou a fome deles com a vontade de comer dos USA&Ltda, mesmo assim durante o governo atual ele relaxou bastante suas ações.
      Suponho que vc não se deu ao trabalho de ler a longa entrevista do Bashar pois ela é bastante enriquecedora no sentido de que como eu acompanho de perto os acontecimentos por lá reflete exatamente o que ocorre no chão do conflito.

      1. Nao acho que chegaremos a uma conclusao. Principalmente porque nao consigo imaginar um democracia na qual e’ necessaria uma policia acima da lei. Nao e; democracia entao.

        Em geral, na maioria absoluta dos casos, tem um juiz que faz valer a lei e o presidente nao pode mudar a sentenca.
        Nao pode simplesmente pega rum cidadao e matar.

        Mesmo que algumas pessoas achem que houve fraude no caso Bush/Gore , o processo seguiu as leis vigentes e nao houve ruptura do tecido legal que existia.

        Se isso nao funiconou como planejado, entao os legisladores mudam a lei para fazer funcionar melhor. Voce nao vai simplesmente matando quem nao se adapta.

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