Eu <3 o regime militar do Egito

Garota com o rosto pintado dizendo “Eu amo Sisi”. Crédito Reuters

No Egito pós-golpe militar, a imagem do Exército e, principalmente, a figura do general Abdel Fattah al-Sisi, tornaram-se inesperadamente ícones nacionais.

Me lembro de, nas minhas duas últimas passagens pelo Cairo, me surpreender com as fotografias do general e com os aplausos das multidões para os helicópteros militares sobrevoando a praça Tahrir.

A mídia estatal publicou, neste sábado (21), duas histórias que dão conta dos avanços políticos de um país que havia, há dois anos, destronado o ditador Hosni Mubarak –ele próprio advindo das fileiras do Exército, o que torna esses relatos ainda mais confusos.

Um fazendeiro foi detido por ter dado o nome de Sisi a um jumento e vestido o animal com um boné militar, como aquele usado pelo general nos cartazes espalhados pela cidade. O egípcio, de nome Omar Abu al-Magd Ali al-Saghir, foi preso na sexta-feira (20) no centro do país pelo crime de ofensa, de acordo com a agência estatal Mena.

Sisi, visto como mentor do golpe de Estado de 3 de julho, hoje acumula os cargos de líder militar, ministro da Defesa e vice-premiê. Há uma petição para que ele se candidate a presidente do Egito. Para quem acompanhou o golpe militar, foi Sisi quem anunciou a deposição do presidente, na televisão.

Seu nome tem sido abreviado, no país e no exterior, como “CC” —que, em inglês, lê-se “Sisi”. Circulam, há semanas, fotos de pães assados em formato de letra “C”, em sua homenagem.

O jornal “Al-Ahram” publicou, por sua vez, o relato de um islamita que teria tentado atear fogo a uma amiga após ouvir o toque de celular dela, supostamente pró-Exército. De acordo com a mídia, ele teria jogado gasolina na mulher, de 23 anos. Ela prestou queixa à Polícia.

A música do celular dela era “Tislam al-Ayade”, ou “que Deus recompense as mãos”, uma espécie de agradecimento às Forças Armadas pela deposição do presidente islamita Mohammed Mursi, ligado à Irmandade Muçulmana.

Com a repressão violenta do Exército, os setores islamitas da sociedade estão sendo progressivamente isolados no Egito. As manifestações públicas, antes repletas de apoiadores, têm sido esvaziadas. Em agosto, centenas deles foram mortos no massacre da mesquita de Rabia al-Adawiya. Milhares, incluindo o ex-presidente, estão presos.

Toque de recolher, censura à imprensa e uma guinada na direção oposta da democracia. Deixo aos especialistas que nos expliquem, um dia, a corrente devoção ao Exército do Egito.

Comentários

  1. Diogo,ontem um Palestino que se dizia amigo
    de um Sargento do Exercito,de 21 anos,e
    trabalhavam juntos num Restaurante,o matou apos convida-lo a ir comer juntos
    em Kalkylia onde ele mora.O Palestino o
    atirou no poco depois de mata-lo e ainda
    tentou negociar com o exercito a soltura de seu irmao preso por terrorismo .E hoje,ha 1 hora atras,em Hebron, um SNIPER Palestino atirou em um Soldado Israelense no pescoco.E eles querem a PAZ,nao e?
    PRO INFERNO A PAZ E TODOS ELES.
    Estamos perdendo tempo,ja esta na hora
    de dar um basta em tudo isso.Realmente
    ja demos todas as chances para acordos,
    mas ja esta na hora de dar um basta nisso tudo.Sou a favor de uma invasao
    em Gaza e no West Bank tambem.CHEGA.
    Esta na hora de dar um aviso ao Mundo Arabe que nos nao estamos brincando.
    Vamos la BIBI,esta na hora de agir.

  2. Bem, Diogo, o mundo é assim, todas as sociedades são polarizadas.

    Até hoje tenho aguentar pessoas falando que o golpe de 64 foi uma “revolução” que não havia corrupção que era super seguro viver aqui e que os sequestros e mortos só ocorriam com quem merecia e etc…

    Sem falar que ainda falam para os militares voltarem por que o Brasil é um lixo, o PSDB vendelhão da pátria, PT bolsa-miséria e etc…

    Enfim, sempre teremos grupos assim,

    1. Ainda tem aquela história dos direitos humanos para humanos direitos, que vejo até advogados falarem, isso é um absurdo, pois somos todos humanos e merecedores de direitos.

      Não estou falando que devemos passar a mão nos criminosos como fazemos aqui, mas sim, tornar as prisões locais de aprendizado, aqui 70% dos presos voltam para o crime e na Noruega 70% não volta, mas por que isso?

      Por que se ensina a trabalhar na prisão, isso que falta aqui no nosso sistema.

      Responder ao crime com mais crimes, não importa se pelo Estado, é esse o erro que as sociedades não enxergam. Enquanto não mudarmos essa mentalidade governos militares sempre serão bem-vindos para alguns.

  3. Na verdade, o que os jovens querem é a ilusão da liberdade. Mas quando se aperceberem dos seus efeitos contraproducentes, ops, será tarde de mais. Bem vindo a desestrutura social. A ética e os valores já não estarão mais presentes.

  4. Diogo,
    Parece que os egipcios tiveram que escolher entre uma ditadura secular ou uma ditadura islamista retrograda.
    Escolheram a secular.
    E’ melhor levar porrada de bikini do que de burka!

  5. Al-Sisi deu um golpe e toda a imprensa diz que está tudo bem. Porquê?

    Al-Sisi é filho de Malikah Titani, uma judia de origem marroquina, ou seja, ELE É JUDEU!
    O irmão dele, também judeu, é membro da organização Haganah, uma espécie de esquadrão da morte judaico que atua na Palestina ocupada.

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