Ufa, ele não é muçulmano

Forças policiais chegam ao local do tiroteio em Washington. Crédito Jason Reed/Reuters

Primeiras horas depois da notícia de um tiroteio nos EUA. As informações ainda são contraditórias. Mas, em algum momento, alguém se pergunta, ainda que em voz baixa –o autor é muçulmano? Não só porque depois dos atentados de 11 de Setembro o estereótipo ficou solidificado, mas também porque, nas atuais circunstâncias, um ataque realizado por um muçulmano teria diversas consequências políticas.

Quando foram divulgadas as primeiras notícias do ataque de ontem na capital norte-americana, as implicações pareciam sérias. Houve 13 vítimas no atentado à região do quartel-general da Marinha dos EUA. Mesmo com as autoridades desde cedo afirmando não haver indícios de ser uma ação terrorista, as informações preocupavam. Os Estados Unidos têm ameaçado, nas últimas semanas, realizar uma intervenção militar na Síria. Navios de guerra foram posicionados no Mediterrâneo. Um revide de grupos extremistas não seria uma consequência inesperada, ainda mais contra as forças marinhas.

Além disso, na semana passada o atual líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, havia pedido que seus seguidores realizassem uma série de pequenos ataques aos Estados Unidos de modo a “sangrar” a economia americana, obrigando a administração do presidente Barack Obama a manter altos gastos em segurança.

Então a notícia –Aaron Alexis, suspeito pelo tiroteio em Washington D.C., era budista. Alguém ironizou há pouco no Twitter que agora especialistas vão tentar encontrar relações entre o budismo e o terrorismo, o que seria curioso, já que essa crença oriental é em geral associada à paz. A história me lembra dois momentos da minha infância no Brasil: primeiro, quando eu era pequeno e a discussão moral era sobre se a prática do judô fazia as crianças mais violentas; depois, a vítima foi o videogame, associado aos tiroteios de Columbine.

Já discutimos esse assunto por aqui, mas acho que é do interesse regional no Oriente Médio entender quais são as relações entre o islamismo e o extremismo, se houver alguma. Eu em geral desconfio dessa interpretação, principalmente a partir do conhecimento histórico. Há uma má-vontade em relação a muçulmanos que é, devemos entender, quase hereditária –como o antissemitismo. Fruto, é claro, dos séculos de embate entre cristãos e muçulmanos, na ocupação da península Ibérica e também dos conflitos na tentativa frustrada de conquistar os territórios da Terra Santa, durante as Cruzadas. É desse período a visão cristã que associa, por exemplo, o profeta Maomé a inclinações satânicas que não lhe eram características.

Da mesma maneira, um amigo espanhol me disse outro dia que, na península Ibérica, as mães pedem aos filhos que se comportem –caso contrário, “Herodes vai te pegar”. A referência é um dos reis mais importantes da história judaica, responsável pela reforma do templo sagrado de Jerusalém. Em português, notem que dizemos que fulano “judia” de alguém (ou seja, de acordo com o Aurélio, trata como trataria um judeu).

Judeus, como sabemos, não perseguem crianças. Assim como muçulmanos não são naturalmente terroristas ou mesmo extremistas. Não acredito que a resposta para essa questão esteja na religião em si, mas talvez em sua interpretação –e certamente na noção teológica de “unidade” que torna tão difícil a separação entre Igreja e Estado em sociedades islâmicas.

Há preconceito até mesmo na análise histórica, que por décadas creditou a expansão islâmica no século 7 a um fervor religioso, que teria levado a crença dos muçulmanos “na ponta da lança”. Essa ideia já é largamente descreditada na academia, já que a ideia em voga naquele período era, na verdade, de que o islamismo só servia aos árabes –nas palavras dos primeiros califas.

A sociedade ocidental costuma se gabar de suas liberdades. Elas em geral são reais. Mas nem sempre são democráticas, no sentido da abrangência. Ontem, ao telefone com um escritor marroquino, me ocorreu que talvez nós tenhamos responsabilidades em relação a essa situação. Ele me contava sobre seus primeiros dias em Genebra, após emigrar de uma vida repressiva no Marrocos. “Percebi que teria de reinventar minha liberdade”, ele me disse. Porque viu, chegando à Europa, que ele também não poderia ser livre ali. Para os suíços, ele era mais um terrorista.

Comentários

  1. Diogo, bom dia.

    Outro dia, em um dos seus posts, você comentava sobre um episódio envolvendo uma judia etíope.

    Parece haver várias ramificações do judaísmo: na Etiópia, no Marrocos, na Península Ibérica, na Holanda etc. Usei o termo ramificação por não saber qual seria mais apropriado.

    Como esses diversos judeus são vistos e tratados em Israel?

    Abraços.
    A.

    1. Alexandre,todo Judeu e muito benvindo a
      Israel.Temos uma Organizacao que se chama
      Organizacao Sionista Mundial,a qual,justamente trata de Judeus,sejam la
      de onde forem podem vir para Israel e serao muito bem recebidos.Nos ultimos anos temos recebido muitos judeus da Etiopia e Sudao.

  2. Por sua vez os Bahais são vítimas de preconceitos e fanatismo no Irã.Estou enganado?Corrija-me por favor?

  3. Um budista? rs. A conta não fecha, não tem jeito…

    Talvez ele não seja muçulmano. Talvez.

    Mas a verdade é que a mídia global faz o possível e o impossível para convencer o mundo que não existe um terrorismo islâmico orgânico, mas tão somente terroristas islâmicos…

  4. A religião muçulmana bem como qualquer outra religião prega a paz, o que ocorre é o desvirtuamento de grupos religiosos e interesses midiáticos e de grupos sociais em que vale a pena culpar “muçulmano”
    Deixe- nos em paz! Pelo amor de Deus! NÃO SOMOS TERRORISTAS, AMO O PRÓXIMO SEJA ELE ISLÂMICO OU NÃO.
    Se eu quero usar um véu que cubra meu cabelo, eu REALMENTE QUERO USAR, E NÃO PORQUE MEU MARIDO ME DÁ CHIBATADAS E ME OBRIGA! E lembre-se: quem armou o Talibã? EUA. Quem armou Al Qaeda? EUA. Quem alimentou o proprio monstro que agora devora essa nação? Foi a própria América.
    Parem de dizer que todo árabe/muçulmano é terrorista. Nós não acreditamos que todo israelita é um assassino (pois sim, mata palestinos) e nem acreditamos que cristãos e dentre outras religioes são inferiores a nossa.
    Só estamos vivendo agora no Ocidente porque a intervenção ocidental já tirou muitas vidas e realmente não desejo mais uma casa destruída nem uma criança ferida.

    1. M.Khoury,voces amam o proximo,desde
      que ele seja Muculmano,de preferencia,
      nao e?.Quer dizer que o “Israelita” mata
      Palestinos? O que e um Israelita para voce?
      Quer dizer que voce vive no Brasil porque
      o Ocidente interveio? aonde? como foi isso?voce pode expicar melhor?
      Quer dizer e voce afirma aqui que a mulher muculmana toma chibatadas?
      E voces sao modernos? Entao ,nao entendi nada.Porque a maioria dos ataques terroristas sao provocados pelos MUCULMANOS? Interessante,nao e?

      1. Em 1o lugar: eu não coloquei “de preferência”, você está vendo coisas. Existem bons muçulmanos e maus muçulmanos. Assim como bons judeus e maus judeus e assim por diante.
        Em 2o lugar: Eu sou do Afeganistão. País onde os EUA invadiram com a desculpa de que Osama Bin Laden estava em alguma caverna perto de Herat. E ainda os EUA falaram que iriam libertar o povo afegão do temido talibã. Isto é, EUA foi quem armou o Talibã e a familia Bin Laden. Interessante, não? Destruiram meu país.
        Minha mãe é da Palestina, saiu de lá porque a ocupação israelita tomou toda a cidade (pequena cidade perto de Tel Aviv), sem nem haver conversa e, inclusive, matando civis que não queriam deixar seus respectivos lares.
        Em 3o: Violência contra a mulher existe em qualquer lugar deste mundo. O Brasil está a frente de muitos paises islamicos nesta questão. Sugiro que acrescente mais leitura em seu cotidiano uma vez que eu, uma afegã que acabou de aprender português a menos tempo que vossa pessoa a quem me dirige a palavra, escreve BEM melhor que você.
        Ah, os Estados Unidos está em 2o lugar, se não me engano. E lá tem fama de as mulheres serem livres, não?
        Em 4o lugar: o conceito “terrorismo” é muito amplo. Para mim, terrorismo é matar crianças, invadir países por causa de petróleo, incentivar a meninas jovens a se tornarem cada vez mais anoréxicas, armarem quem não deve ser armado.
        Respeito os israelistas. Mas não posso deixar de esquecer que muitas vidas palestinas foram perdidas. Assim como culpo meu povo pelas perdas dos israelenses.
        5o – Sim, somos modernos. Primeiro porque minha capacidade de interpretação de texto é bem melhor que a sua, isso demonstra que tive uma boa educação ou então, tive acesso a cultura. E não digo a cultura de Rede Globo. Digo, cultura DE VERDADE. Então, na próxima vez que falar comigo, procure um professor de gramática para te ajudar a colocar as virgulas nos lugares certos. Ah, e coesão é algo que falta. Bom, acho que já esclareci todas as dúvidas, não?
        Adeus.

        1. M.Khoury
          Palestina? Onde fica este lugar? E um Pais?
          Sua mae foi expulsa,perto de Tel Aviv?
          Como foi isso?E eu nao escrevo bem portugues,nao e? E voce nao sabe muito
          bem definir a diferenca de Israelita (religiao) de um Israelense (cidadao).A tua CULTURA falhou por um momento,nao e?
          E no Afeganistao pelo que sei,e conheco
          um Judeu que saiu de la,me disse que e o
          fim do Mundo,e voce vem aqui me dizer
          que e um Pais moderno? faca-me o favor.
          O seu POVO esta se matando entre si,e nao e culpa dos ISRAELENSES,nao ISRAELITAS.Voces nao sabem conviver em
          Paz e prosperar,sao atrasados e retrogados(procure no dicionario).

        2. M.Khoury,so para seu governo as armas que
          o Bin Laden(coitadinho) e sua turma usam sao AK-47 que se denominam Kalashnikov,de fabricacao russa,portanto nao sao os Americanos,os quais voce odeia que fizeram esta baderna que e,e se chama AFGANISTAO,O fim do Mundo.Claro,so podia ser um Pais Muculmano.

        3. M. Khoury
          Gostaria de corrigir algumas informacoes que foram psotadas pelo(a) senhor(a).

          1)O Taliban nao surgiu por causa dos EUA, o Taliban ja’ existia ANTES , surgiu no norte do paquistao porque o presidente do paquistao tinha medo que a uniao sovietica fosse invadir o paquistao.
          Portanto essa estoria de que os EUA ciraram o Taliban e’ totalmente errada.
          2)Os EUA nao invadiram o afeganistao, eles foram atras de um terrorista internacional, o qual, o governo taliban nao quiz liberar.
          3) a violencia contra a mulher existe em uitos lugares no mundo, mas no governo taliban era algo mostruoso, e ainda e’. Se voce nao sabe disso, informe-se melhor.

          Nao confunda os fatos com opiniao.

        4. M. Khoury,
          COntinuando,
          os EUA nao destruiram pais nenhum. Quiem destrui o afeganistao foi, inicalmente, a Russia, depois foram as lutas tribais. As tribos nao conseguem se entender. E finalmente a corrupcao endemica que assola o pais.

          Essa estoria de sempre colocar aculpa do fracasso nos outros e’ algo muito ruim. A culpa do fracasso e’ de quem nao quer construir uma nacao pois nao consegue evoluir alem das relacoes tribais que persistem no seculo 21.

          1. A corrupção endêmica? Você quer dizer o Presidente Karzai? Amiguinho do Bush? Em tempos de invasão soviética, pelo menos ainda dava para sair na rua sem ter medo de ser estuprada! Não venha dizer coisas das quais não sabe. Eu vim de Cabul e fui para Peshawar escondida dentro de um caminhão e tu me vem com essa conversa? Ó céus!

        5. M. Khoury
          Ultima coisa.
          Muitos outros afegaos tem opiniao contraria a sua. ELes adoraram que os EUA foram ao afeganistao tirar o lixo do taliban de la’. Onde moro, tem muitos imigrantes do afeganistao, iraque e paquistao. Eu conehco alguns pessoalmente. E a opniao deles e’ diametralmente oposta a sua.

          1. Marcio, vou te responder, pois parece ser uma pessoa sensata e racional, o fato do Afeganistão abrigar o Bin Laden (cidadão saudita de uma família muito rica e uma ditadura absurda e que ninguém fala nada) é justificativa?

            Se o Brasil concedeu asilo ao Battisti que cometeu crimes na Itália, inclusive terrorismo, matando policiais e fazendo atentados, então é justo a Itália nos invadir para buscá-lo?

            Concordo quanto a origem do Taleban e a violência contra a mulher absurda também, mas lembrando que aqui morre uma mulher por HORA por causa de violência doméstica. Pode pesquisar.

            Afirmar que o Afeganistão é um país moderno foi um erro mesmo, pórém negar que as intervenções britâncias pelo ópio, soviéticas e agora norte-americanas no país não interferiram em nada, é simplesmente fechar os olhos.

            Conheço gente do Paquistão (minha esposa tem família lá), Afeganistão, infelizmente lá existem drones passando o tempo todo e matando qualquer um, isso cria uma sensação de insegurança e afugenta investidores.

            Abraço.

          2. Olha, eu nunca falei que o Afeganistão é um país moderno. Falei que tive cultura, educação mesmo crescendo em um país caótico. E outra, jamais falei que o EUA criou o Talibã e sim armou. E isso é verdade. De fato, o Paquistão ajudou nesse quesito, mas o subsídio também veio de mãos americanas.
            Também nunca disse que as mulheres afegãs nunca sofreram. Decerto, sofreram. Eu saí de lá por causa disso.
            Acho que você leu meu texto correndo.
            O Talibã foi ganhando força e as forças militares americanas perceberam isso e deram um empurrão bem como o governo paquistânes.
            Só citei apenas os EUA uma vez que tempos depois, Bush resolveu invadir o meu país. Matando civis, devo acrescentar.
            Acho que conheço mais do meu país do que você, caro Márcio.
            E se conhece afegãos que gostam dos EUA, sinto muito, mas patriotas, eles não são. Porque eu amo minha terra e um dia espero voltar para ajudar a reconstruir o Afeganistão.

      1. Alaykum assalam! Muito obrigada!
        Percebo que tem muita gente aqui com dificuldade em interpretar textos! Fique com Deus. Allah Akbar!

          1. Heitor,
            Sim precisava.
            Existe um ausencia importante dos fatos em sua totalidade. Ela usa sua percepcao e experiencia como verdade absoluta. Enquanto existe varia soutras verdades d eoutras pessoas.
            Algumas, que conehco, sofreram iguais ou mais que ela edescordam totalmente do que ela disse.

            Uma pessoa do afeganistao gostar dos EUA nao e’ falta de patriotismo, e’ uma opcao. Muitos fizeram essa opcao.

          2. Voce transformou minhas palavras muitas vezes. Aprenda a ler, por favor. Olha, meu conhecimento veio de dentro do meu próprio país. A minha percepção, creio eu, não deixa de ser um fato importante frente à milhares de noticias que não explicam realmente o que acontece no meu país.
            -Nunca falei que meu pais era moderno.
            – NUNCA falei que o Talibã foi criação americana, por Deus!
            – Sim, o Afeganistao foi invadido. Isso é fato. Não só pelos soviéticos, Talibã, diabo a quatro. EUA foi responsável por milhares de mortes. É só procurar no arquivo do WikiLeaks e ver com seus proprios olhos.
            Agora, se voce é um defensor nato dos EUA não posso fazer nada. Sou patriota ao meu país. Eu tenho o poder de expor minha opinião, não foi você que perdeu primos e tios, muito menos não é você que é taxada de terrorista só porque é muçulmano.
            E sou afegã e posso dizer que grande maioria desgosta dos EUA. Se conhece afegãos que gostam da America possivelmente trata-se de uma minoria. Assim como existem milhares de afegãos, os quais odeiam qualquer russo ou comunista. São marcas em nosso corpo. É dificil esquecer algo do gênero.
            E o que mais percebi de você, Marcio, é que distorceu a grande maioria de minhas palavras para tentar me corrigir como se fosse especialista nato. Que pena de você. E outra coisa: o governo Talibã, por mais monstruoso que fosse, não sabia do real paradeiro de Osama Bin Laden e por terem lutado juntos não queria ajudar os EUA a investigar tal busca. Por isso, as tropas foram para lá porque com a premissa de que o Talibã estava de amizade com Bin Laden.

            Ah, e não existe “quiz”, é “quis”.

  5. Na imensa maioria das vezes os atiradores não são muçulmanos. É gente que preserva o “American Way of Life”, e de repente tem um acesso de fúria. Este se comportava mal, saiu da marinha mas continuava prestando serviço indireto a ela. Mas tinha raiva pelas reprimendas e se vingou. É o que acho de mais plausível. E era alguém bastante agressivo, ´pois atirou nos pneus de um carro.

  6. Os embates entre cristãos e muçulmanos na península Ibérica deixaram realmente marcas profundas no imaginário de portugueses e espanhóis. No dia a dia quase não percebemos o quanto herdamos da visão ibérica sobre os mouros (Cavalhadas, lendas, escudos, brasões e histórias infantis como a moura torta). Não podemos esquecer que o mouro foi um importante elemento da formação de Portugal e indiretamente do Brasil (nas veias de muitos brasileiros corre sangue “árabe” mourisco).

  7. Belo texto, como de costume, Diogo.

    O que ocorre nos EUA era a mesma tática de Hitler que atacou ele próprio uma rádio alemã dizendo ser obra de poloneses e, assim, justificar perante seu povo o ataque.

    Quanto ao islam, bem, como tu sabes sou muçulmano, insha’ Allah! Costumo dizer que se todo muçulmano fosse terrorista você não estaria aqui para ler esse texto, amigo!

    Minha mãe é espírita, meu irmão teísta e minha irmã atéia e falar de religião nunca foi problema, não ficamos tentando converter um ao outro.

    Eu vejo muita gente, de muitos credos, usarem a palavra para ganhar dinheiro e apoio político, acredito que existem muitas pessoas que não leem os livros sagrados por si e acabam ficando sujeitas a interpretação dada por alguém (que tem seus interesses, claro).

    Mohammed (SAW): “Cuidado com o extremismo, pois isso já destruiu quem veio antes de você.”

    E por fim, o Sagrado Quaran relata: 2ª SURATA “AL BÁCARA” (A VACA)

    62 Os fiéis, os judeus, os cristãos, e os sabeus, enfim todos os que crêem em Deus, no Dia do Juízo Final, e praticam o bem, receberão a sua recompensa do seu Senhor e não serão presas do temor, nem se atribuirão.

    256 Não há imposição quanto à religião, porque já se destacou a verdade do erro. Quem renegar o sedutor e crer em Deus, Ter-se-á apegado a um firme e inquebrantável sustentáculo, porque Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo.

    Nunca vou me esquecer daquele documentário Fitnnah, feito por um partido de extrema-direita holandês, assisti com minha esposa, fomos vendo cada trecho e conferindo no Quaran, cada palavra e é incrível o que pegar meio versículo faz.

    Acredito que a solução não está em acabar com as religiões, como querem alguns ateus, mas sim ensinar sobre todas e sobre tudo de maneira imparcial, mas isso é mais utopia que Marx.

    Abraço.

  8. Maomé tem o filme queimado entre cristãos porque foi polígamo, se casou com uma criança, foi um líder militar e político. Tudo isso entra em choque com os valores do cristianismo. Nunca ouvi falar dessa suposta visão cristã que associa Maomé à inclinações satânicas.
    Quando alguém diz que Herodes vai pegar uma criança está fazendo referência a tentativa de matar Jesus, quando ele mandou matar todas as crianças de Belém. Não tem nada a ver com construir ou demolir nada. Se alguém diz que uma pessoa é pior do que Hitler, será que está querendo dizer que a pessoa é pior do que o líder eleito pelo povo alemão que reergueu a economia do país ou está dizendo que é pior do que o homem que tentou matar todos os judeus?

    Com bastante freqüência vejo que você faz um esforço muito grande para fugir do óbvio, do senso comum. Mas para fugir disso você torce alguns fatos e ignora outros. Se os fatos concordam com o senso comum, não é melhor se render à ele?

    1. Caro JT, o trabalho do jornalista, assim como o do acadêmico, pressupõe uma desconfiança natural quanto ao senso comum.

      Você diz nunca ter ouvido falar na visão cristã que associa Maomé a inclinações demoníacas. Talvez por não ter estado atento. Afinal, é a representação feita de Maomé, por exemplo, no “Inferno” de Dante, quando Maomé é visto com as estranhas abertas, punido pela sua falsa profecia.

      A imagem negativa de Maomé é recorrente em toda a Idade Média, alimentada por uma rivalidade militar entre o Ocidente e os impérios islâmicos. Segundo Bernard Lewis, “o desenvolvimento do conceito […] começa ao considerar Maomé como uma espécie de demônio ou falso deus”.

      Seu nome tornou-se, na Europa, “Mahound”, uma variação pejorativa que o relaciona a demônios. Na cultura popular irlandesa, é um dos nomes para Satanás.

      Ignorar os fatos, neste caso, seria render-se ao argumento corrente que considera o islamismo uma religião de propensão universalista e violenta –quando mal se sabe se Maomé planejava a tomada das regiões adjacentes, quando morreu, ou se ia levar a cabo apenas a unificação do território da península Arábica. Essa é, sim, a distorção da história.

      Quanto a Herodes, seu exemplo me surpreende, já que o relato de que o rei judaico ordenou o infanticídio faz parte da Bíblia cristã. É a visão registrada por Mateus, salvo engano. Para fora do texto cristão, não há registro histórico de que tal massacre tenha ocorrido em Belém. De qualquer maneira, acadêmicos têm afirmado que Jesus, caso tenha existido, provavelmente nasceu em Nazaré, e não em Belém.

      1. Diogo, só lembrando e completando sua excelente fala, também, da velha história da pedofilia, tão adorada por ignorantes contra o profeta Mohammed (SAW).

        O calendário muçulmano se inicia na Hégira – a fuga de Mohammed (SAW) de Meca para Medina, em 16 de julho de 622 do ano cristão.

        Ele se casou com uma mulher que tinha 18 anos no calendário cristão, mas 9 no calendário islâmico, as pessoas em seus arrogantes juízos de valor já o impuseram ser pedófilo, pois não sabem ver a diferença dos calendários.

        No ano 0 do cristianismo devem ter ocorridos muito casamentos de bebês com 1,2,3 anos hahaha

        Mesmo assim vão seguir acusando, propositalmente, só pelo prazer doentio de difamar.

        Abraço.

          1. Esse é seu argumento? Nossa parabéns…

            Sou muçulmano, acho que conheço mais da minha fé que você..

            A resposta está ai, pode trazer quantos autores cristãos e judeus quiser, mas tu sabe que nem eu e nem você vamos mudar de opinião.

            Essa é boa kkkk

            Abraço.

      2. Por mais que a Irlanda seja um país de cristãos e o Inferno de Dante seja obra de um cristão, não se pode extrapolar isso para falar de visão cristã que associa Maomé com demônio. O argumento é, na melhor das hipóteses, anedótico.

        A respeito de Herodes, a expressão existe por causa do massacre relatado na Bíblia. Por que ignorar isso e falar sobre reforma do templo? Não tem ligação uma coisa com a outra. Ignorar a origem da expressão e citar um fato aleatório serve para esclarecer alguma coisa ou para desinformar? Considerando que jornalista deve esclarecer, sua omissão é que surpreende. Aliás, estarrece!

        A existência de Jesus é fato tão controverso quanto o Holocausto, fique tranqüilo. Religião cuja origem carece de relatos históricos é o islamismo.

        Você faz uma confusão entre causa e efeito.
        Cristianismo e Islamismo são religiões universalistas e de valores incompatíves. Daí a má imagem de uma sobre a outra e a rivalidade entre elas.
        Não foi a rivalidade que causou imagem ruim de um em relação ao outro.

        1. JT, nossa discussão chegou a um ponto estéril. Não sei mais como argumentar com você.

          Não há nada de anedótico em mostrar exemplos de preconceito cristão contra o islamismo. E não há nada de confuso em citar a análise histórica corrente de que o preconceito tem origem na rivalidade militar.

          Também não entendo seu estarrecimento diante de Herodes, já que o argumento é de que você não pode citar esse episódio como prova de que não há preconceito justamente porque ele mostra que a visão cristão, à época, era preconceituosa (atribuir um massacre a um líder que, entre judeus, é celebrado pela reconstrução do templo).

          A existência de Jesus, por outro lado, é controversa e carece de base histórica, ao contrário do Holocausto, e não faço ideia de porque você fez essa comparação ofensiva. Por último, a existência de Maomé é histórica e documentada.

          Agradeço sua passagem pelo blog, mas volto a pedir que este não seja um espaço para críticas pessoais, principalmente as sem fundamento. O blog serve para um debate intelectual, e prefiro que nos mantenhamos nesses termos.

          Abraço.

          1. Um não vai mudar o pensamento do outro. Mas como saber o viés do jornalista é muito útil para o leitor, não acho que chegamos a um ponto estéril.

            Primeiro veio o conceito, a compreensão, de que as duas visões de mundo, com caráter universalista, eram incompatíveis entre si. Depois vieram os conflitos militares.

            Primeiro vieram as diferenças entre cristãos e muçulmanos, depois a guerra.

            Não há como dizer que as guerras eram por motivos econômicos, políticos, territoriais ou militares e que depois passaram a ter caráter também religioso. Eram guerras com caráter reliogoso mesmo. As guerras territoriais, políticas, étnicas e econômicas foram aquelas travadas pelos europeus desde sempre. Mas quando eram guerras contra os muçulmanos a coisa ficava diferente. O cristianismo passava a ser o denominador comum entre as diversas nações européias, o fator que unia a todos eles contra o inimigo comum, aquele inimigo com valores diferentes.

            A questão aqui é de nexo causal, causa e efeito, cronologia, lógica. O que vem depois não pode ser causa do que vem antes.

            A questão de Herodes, a meu ver, também não retrata preconceito. A narrativa cristã atribui a ele um ato, que deu origem a uma expressão. Ser historicamente improvável é uma coisa, ser fruto de preconceito é outra.

            O Holocausto não é fato controverso. A existência de Jesus também não é controversa, é muito bem documentada. Não tem nada de ofensivo aqui. Chamar a existência de Maomé de histórica e documentada é muita generosidade sua…

            Que o seu blog continue sendo um espaço para debate intelectual, sem ninguém se fazer de ofendido para tentar interditar o debate!

          2. Temos visões diferentes a respeito da guerra. Os embates entre muçulmanos e cristãos na Europa, a meu ver, são fruto da expansão islâmica (não religiosa, mas econômica) e da impossibilidade de dois povos imperiais ocuparem o mesmo território. Depois disso, vem a religião. Afinal, Maomé disse em uma sura clássica que “não há obrigatoriedade na religião” –e se o islã expandiu-se foi mais em busca de terras férteis e do recolhimento de impostos do que por uma vocação de conversão.

            De resto, não há mais o que argumentar. Insisto que um fato histórico pode ser fruto do preconceito, principalmente quando um registro textual traz uma anedota histórica a respeito de um personagem em um período em que a visão negativa lhe era conveniente. Quanto a Jesus e Maomé, me parece que a história tem uma visão oposta à sua, e em geral afirma que Maomé é um personagem histórico. Mas não deve haver argumento contra essa sua convicção.

        2. JT,o que tem de controversia no Holocausto?
          Foi uma mentira? Pena que voce nao publica seu nome verdadeiro,pois e crime inafiancavel,e eu te poria por um bom tempo
          atras das grades.Aceita o desafio?

          1. Prezado Fábio,
            O Holocausto não é controverso. E a existência de Jesus, ao contrário do que disse o Diogo, também não.
            Você fez a leitura com sinal invertido.
            Que eu saiba, a sua ignorância e dificuldade em interpretação de texto não é motivo para colocar ninguém na cadeia.

  9. Este americano certamente era alguém com problemas mentais.
    Mas por outro lado, acredito que 100% dos últimos 20 ataques planejados terroristas no mundo inteiro foram efetuados por células islâmicas. Nunca entendi o que ganham espalhando o terror desta forma. O que ganham na prática ao explodir um monte de gente inocente?
    Sugiro que assista o seriado Sleeper Cell, que além de ser muito eletrizante, mostra bem o interior destas células islâmicas.
    Disponível no Netflix aqui no Brasil.

  10. Porque voce esta’ me censurando? Isso nao e’ correto partindo de um jornalista.
    Ao menos me mande um email explicando as suas razoes.
    Talvez eu entao entenda os motivos que te levaram a este ato.

    1. Marcio, não estou te censurando. Mas havia alertado quando escrevi o relato de que não vou autorizar comentários ofensivos. Não é a ideia deste debate. Se você quiser submeter de novo seus comentários, mas sem agressões a mim ou aos leitores, será sempre bem-vindo, assim como os demais visitantes aqui.

      1. Agressivo?
        A expressao “la’ no pau da bandeirinha” e’ usada coloquialmente em qualquer lugar, inclusive meios academicos.

      2. Significa quando o jogador d efutebol erra o chute e a bola vai para na bandeirinha ao inves do gol.
        Nao existe nada d eofensivo nisso, muitos craques erram chutes ocasionalmente.

  11. Prezado Diogo, achei interessante o paralelo traçado entre o antissemitismo milenar e a islamofobia bem mais recente. Como se ambos, como escrevestes, fossem quase hereditários.
    Porém não creio em semelhanças maiores entre um e outro. Ao contrário, o antissemitismo nascido nos púlpitos cristãos em essência religiosa, se disseminou com várias outras características e nuances pelo planeta, com predominância de manter estereótipos vários e próprios aos judeus. Muitos dos quais permanecem até hoje e, são disseminados “ad nauseam” por grupos que vão da direita à esquerda, passando por nazistas, supremacistas arianos, muitos muçulmanos (inclusive), revisionistas e negacionistas, entre outros.
    A diáspora dos judeus e o antissemitismo é uma história de perseguições, matanças, roubos e expropriações, pogroms, torturas das conversões forçadas ou a morte, expulsões de países, segregações, etc… Culminando como ápice no nazismo com sua indústria da morte, o Holocausto.
    Muçulmanos não foram perseguidos nem segregados mundo afora pelo fato de professarem a sua fé. A grandíssima maioria permaneceu em seus locais de origem. Nos seus regimes tribais, califatos, sultanatos, sem serem molestados. Mesmo quando colonizados não foram escravizados ou forçados à partir.O Império Otomano durou séculos e, não se traduziu após sua queda por revanchismos ou retaliações.
    Dos púlpitos no Ocidente pregações islamofóbicas de pouco se conhece, já que o inimigo preferencial das Igrejas sempre foram os judeus.
    A islamofobia foi forjada por sequestros e explosões de aviões, atos terroristas em quase todos os continentes, atentado em olimpíada e tantas outras ações que tiraram a vida de civis em locais públicos e de transporte. Enquanto restritas aos judeus pouco valor se dava aos acontecimentos.
    As ações desastradas e equivocadas do Ocidente no Afeganistão e Iraque retroalimentaram centenas de grupos, que, por força da fé ( Jihad ), ou, por sentimentos nacionalistas quanto à intervenção externa em seus países, e mesmo em outros também islâmicos, passaram a usar da violência como principal arma de dissuasão, ataque e defesa. Não haviam mais fronteiras o Ocidente como um todo virou também um alvo.
    O que vimos há pouco no Egito, o que ocorre há dois anos na Síria, o dia a dia no Iraque e Afeganistão, a instabilidade sempre presente no Líbano, são exemplos que nos reportam da violência cotidiana do mundo muçulmano.
    Talvez por isto, a errada associação que se faz do homem muçulmano comum, trabalhador e pacato, àquele outro, que é minoria, mas, mais visível no noticiário diário, é que se perpetue nos dias atuais esta islamofobia.
    Tão abominável como todas as outras “fobias” que teimam em existir.

    1. Luiz, tu parece ser um judeu racional, grupo que cresce cada dia mais, felizmente, e gostaria de parabenizá-lo pelo comentário.

      Só quero fazer um adendo sobre a Jihad, essa palavra significa Luta Interior.

      O Sagrado Quaran trás essa palavra e cita a Jihad – Luta Interior, mas que luta é essa?

      Pelo jejum, para evitar o pecado, basicamente resistir as tentações, devendo o muçulmano refletir e lutar contra o desejo.

      Durante as Cruzadas com os cristãos conquistando Jerusalém, os governantes precisavam de um meio de motivar as tropas, logo, criou-se a Jihad que existe hoje: Lutar com armas. Bastando alterar a interpretação da mesma.

      Infelizmente quando poder, dinheiro e terras estão envolvidas tudo vale.

      Abraço

  12. este fabio deveria ser banido. ele prega o ódio, demoniza os muçulmanos de uma maneira que não deveria ser aceito neste espaço de discussão de idéias, nao ajuda em nada a paz.
    Muitos aqui defendem os seus sem ódio, respeitosamente.
    Ao meu ver ele faz gol contra, caras como este faz mal, ele precisa de tratamento.

    1. Jose,quem precisa de tratamento hoje em
      dia ,sao os Muculmanos que habitam a Turquia,a Siria,o Egito,O Libano,o Iraque,
      A Tunisia,e por ai vai……..Estes deveriam
      ser banidos sim da face da terra,junto com
      aqueles que praticam em nome de Allah
      (al Akbar) o Terrorismo em todo o Mundo,
      porque nao sabem debater de forma racional,sao animais e vermes que circulam cada vez mais pelo Mundo.
      Se voce,e eu sei,um dia entrar dentro de uma mesquita,nao se fala em PAZ,e sim
      em banir os Judeus da face da Terra,e falo
      isso com conhecimento.Portanto me banir
      nao vai fazer nada contra a situacao,porisso sou ISLAMOFOBICO SIM.
      Com todas as letras.

    2. este fabio deveria ser banido. ele prega o ódio, demoniza os muçulmanos de uma maneira que não deveria ser aceito neste espaço de discussão de idéias, nao ajuda em nada a paz.
      Muitos aqui defendem os seus sem ódio, respeitosamente.
      Ao meu ver ele faz gol contra, caras como este faz mal, ele precisa de tratamento.²

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