O dia em que Jerusalém fechou

Pintura do século 19 mostra orações de Yom Kippur em sinagoga austríaca. Crédito Reprodução

Antes de tudo, desejo aos leitores judeus um sincero צוֹם קַל –em português, fácil jejum. Espero que a discussão abaixo seja encarada pelo que é, um debate, e não uma crítica intolerante.

*

Israel se prepara para, nas próximas horas, entrar em um de seus dias mais sagrados, o Yom Kippur –ou, em português, Dia do Perdão. Vai ser minha primeira experiência nessa data, dentro do país, e estou ansioso. Não pelo significado religioso, já que, como alguns de meus leitores gostam de apontar, não sou judeu. A curiosidade é em relação a como Jerusalém vai se transformar, em termos urbanos, de agora até sábado (14) à noite.

Alguns amigos israelenses têm me contado histórias de Yom Kippur como quem fala do bicho papão. Fui orientado a estocar comida, já que as lojas fecham por volta do meio dia. Restaurantes não abrem. Apesar de não ser proibido, andar de carro é visto como desrespeitoso, assim como comer em público. O espaço aéreo será fechado a partir das 13h30. Em pânico pela possibilidade de me esquecer de alguma das recomendações, vou me trancar em casa e fazer uma maratona de “O Senhor dos Anéis” com alguns colegas jornalistas.

O Yom Kippur é, grosso modo, o dia em que judeus pedem perdão. A Deus, à família, aos amigos. Me parece que, em hebraico, “kippur” está mais ligado a “expiação” do que “perdão”, então imagino que a tradução corrente em português não seja exata. O Yom Kippur, e os dias que antecedem a data, é marcado por orações de “selichot” (de “slicha”, perdão) e por uma atmosfera religiosa ao redor do país. Do pôr-do-sol de hoje até o começo da noite de amanhã, é necessário fazer jejum. Convido os leitores mais bem informados para completar essas informações.

A ideia de escrever este relato, porém, é pela perspectiva de um não judeu –ou, em outras palavras, pelo espanto de um estrangeiro diante da imposição de um calendário religioso sobre toda a população. Não consigo pensar em outro exemplo de Estado, ao menos no mundo ocidental, que obriga todos os comércios a fechar em um determinado dia. Tampouco conheço, e pode ser por ignorância minha, um país em que um feriado sagrado é impositivo. Eu morava no Marrocos durante o Eid al-Adha do ano passado, dia mais sagrado do islamismo, e não me lembro de ter tido qualquer dificuldade além de respirar o cheiro das carcaças das ovelhas sacrificadas.

Mas, é claro, as reclamações de um jornalista ocidental sempre vão parecer exageradas. O que não pode parecer demasiado, porém, é a indignação da população local árabe. A entrada e saída à Cisjordânia, território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), foi fechada por 48 horas. O que significa que um palestino não pode vir a Jerusalém para sua reza ritual de sexta-feira, por exemplo. Até porque os arredores da cidade antiga de Jerusalém, onde está a mesquita de Al-Aqsa, a terceira mais sagrada para o islamismo, terão uma série de bloqueios. Há forças de segurança de prontidão.

O Yom Kippur parece ser o ápice, aqui, do conflito entre a população religiosa e a secular, inclusive judaica. Longe de mim dizer a um Estado, principalmente um pouco receptivo a críticas, como lidar com seu calendário. Mas deixo a dúvida aqui, com o pedido de que os leitores mantenham o respeito uns aos outros, sob a pena de serem moderados –a imposição do Dia do Perdão é, com o perdão do trocadilho, perdoável?

Comentários

  1. Caro Diogo,
    Para quem passa um dia inteiro praticamente dentro da sinagoga, rezando, jejuando, se concentrando, pensando sobre tudo o que fez de errado durante o ano, introspectando seus desejos por melhoras perante os outros e perante D’us, chega-se a uma sensação de elevação que só pode ser sentido por quem passa por isto.
    É uma sensação de limpeza, de pureza, de elevação. É algo que se sente, dificil de descrever.
    Agora, após Israel ter sido atacado pelos árabes em 1973, justamente neste dia tão sagrado, sem a menor consideração pela elevação do dia, faz qualquer aspecto de segurança fundamental para a tranquilidade dos habitantes.
    Em Tel Aviv certamente vai encontrar locais abertos, especialmente perto da rodoviaria….

    1. Somos todos filhos de Abraão: os judeus, os cristãos, os muçulmanos. Todos temos nossos dias santos. E, por exemplo, os feriados religiosos cristãos, normalmente, têm seus correspondentes judaicos. Como a Páscoa, por exemplo. E muitos outros. Respeitemo-nos uns aos outros. Todos somos irmãos. Uns, mais velhos. Outros, mais novos.

  2. Eu conheço um Estado que, embora constitucionalmente laico, possui feriados religiosos católicos em seu calendário oficial. Aqui no Brasil, nos feriados católicos, que integram o calendário oficial, os trabalhadores, de qualquer religiao, são proibidos de trabalhar e os empregadores nao podem exigir que os mesmos trabalem, sob pena de pagar as verbas devidas pela CLT e incorrerem nas penas a serem impostas pelos órgãos competentes do Ministério do Trabalho. aqui, no dia 25.12, se vc quiser fazer compras no mercado, almoçar fora ou mesmo comprar um pãozinho na padaria, nao ira conseguir.

    1. Vivian, obrigado pelo comentário. Mas minha experiência em São Paulo foi outra, inclusive trabalhando ou almoçando fora em feriados católicos. Além disso, para a proporção ser mantida, teríamos de imaginar outras medidas, como fechar o espaço aéreo, interromper o transporte público e proibir pessoas, por exemplo, de passar por um pedágio entre São Paulo e Barueri. No caso da Cisjordânia, me parece mais preocupante, já que por legislação internacional Israel tem obrigações em relação ao território ocupado em 1967. Um abraço, Diogo.

      1. Então a questão não é propriamente a proibição do exercício do trabalho, o que ocorre tb aqui nos feriados católicos oficiais. Tente ir na padaria ou restaurante no Natal por aqui, está tudo fechado, diante da importância de tal feriado para a grande porção da população que celebra tal data. A questão refere-se, portanto, à manutenção de serviços públicos essenciais. Chatimá Tová, abs!

        1. Serviços públicos essenciais…

          Que eu saiba, os hospitais, polícia, bombeiros, transporte público, todos funcionam nesses feriados. E não cabe na definição de serviços públicos essenciais restaurante e padaria.

          Quantos aos demais “serviços públicos essenciais”, ninguém vai morrer se ficar sem seu café expresso por um dia.

          Mas o mais curioso é a missivista defender o desrespeito à lei em forma bem subjetiva.

      2. Concordo com a Vívian, Diogo nos feriados católicos precisamos nos abastecer de tudo(comida, combustível)….

    2. Vivian, bom dia.

      Acredito que os feriados religiosos no Brasil sejam muito mais respeitados em cidades pequenas, em que, geralmente, a população possui um sentimento religioso mais forte.

      Em cidades como São Paulo é possível, por exemplo, esbaldar-se numa churrascaria em plena Sexta-Feira Santa. É comum, também, shoppings ficarem abertos em datas como o Natal, e grandes super-mercados abrirem durante a véspera de Ano Novo.

      Claro que o empresário deverá pagar muito mais para ter seus trabalhadores na ativa naquele dia, mas, pelo movimento que sempre vejo no comércio, a relação custo/benefício deve compensar.

      Abraços.
      A.

    3. Cara Vívian. Infelizmente no Brasil o sagrado está sendo deixado de lado. Temos sim vários feriados religiosos, mas o comércio funciona normalmente,
      e a cidade fica até mais calma para a locomoção. Agora dificuldade e bagunça é nos dias de carnaval, ai sim a coisa pega, além da bagunça, temos que conviver com excrementos humanos na rua, pois neste dias tudo pode.
      Cara Vívian, pode ter certeza, você vai sentir saudades, do tempo em que feriado religioso éra realmente feriado.
      Um Abraço, e que Deus a abençõe.

  3. Diogo,repare hoje a partir das 20 horas
    mais ou menos ate amanha ate umas 18
    horas da tarde a quantidade de bicicletas
    com criancas nas ruas.Yom Kippur em Israel e conhecido tambem como Yom a Hofanaim(dia das bicicletas).Sao 24 horas de silencio,onde nas estradas e nas ruas so transitam ambulancias,policia,medicos e bombeiros.
    Hoje temos um “sharav” (poeira que vem
    do deserto,seco) para agravar quem jejuar

  4. Diogo. Em 2011 me casei e resolvemos passar nossa lua de mel na França e em Israel. Por um erro da agência ignoraram que o Iom Kippur iria ocorrer exatamente no meio do período que reservei para estar em Israel (Foi um verdadeiro transtorno). No entanto foi uma experiência muito interessante e me senti premiado por estar em Jerusalém nesta data. PS* Sobre todos os locais estarem fechados…notei que a poucos metros do Kotel um comercio árabe estava aberto.

  5. nao sei si e proibido por lei trabalhar..sei que mesmo os que nao sao religiosos respeitam este dia, as medidas de segurança sao uma questao aparte necessarias frente ao terrorismo que impera no mundo arabe. Nao acredito que na Siria, Egito , Iran ou qualquer outro pais musulmanos respeitariam mais a populaçao minoritaria ou as necessidades de um jornalista quase ameaçado de jejuar tambem….cuitado !!

  6. Diogo, creio que é o segundo texto seu que leio. Parabenizo-o pela excelência da abordagem e desejo-lhe sucesso, algo que, sei, não será fácil a um não judeu correspondente em Israel, especialmente numa mídia onde alguns jornalistas, inclusive da Folha, são, nesta exata ordem, judeus, sionistas e jornalistas. Sua exortação à tolerância, implícita logo no primeiro parágrafo, é de todo adequada, pois remete ao respeito à posição do Outro, por mais diferente (e, talvez ao nosso olhar de uma outra cultura, esquisito) que possa ser o Outro, sempre será uma pessoa, ou um povo, merecedor de sua dignidade humana.
    Fico na ansiosa expectativa de seu texto seguinte.

  7. Diogo, bom dia.

    Imposições estatais são um fenômeno estranho.

    Hoje em dia, aclama-se tanto a Democracia mas tenho a impressão de que de forma um tanto distorcida, gerando uma espécie de ditadura da maioria que força goela abaixo seus valores aos demais.

    Se pensarmos na França e em sua ideia de proibir o uso de objetos religiosos em lugares públicos, não consigo imaginar algo menos democrático.

    Não seria a Democracia um local onde todos possam conviver, expressando sua individualidade e respeitando as diferenças?

    Impor a todos uma prática religiosa ou uma prática laica não me parece tão diferente do que ocorreu, por exemplo, na China de Mao, quando até as roupas eram padronizadas.

    Enfim, vivemos num mundo estranho.

    Abraços e bom jejum.
    A.

  8. Prezado Diogo,
    Seria muito importante aprofundar os aspectos históricos-além dos religiosos e culturais- em relação à guerra de 1973, que o leitor Ezequiel aponta.
    Sobretudo a intensa reatividade do judeu israelense. Terei prazer em lê-lo quando o puder fazer. atenciosamente

  9. Também não sou judeu, mas fazendo um paralelo com minha religião, reconheço que certas praticas religiosas tendem a ter um aspecto muito mais cultural do que de fato prático. Muitos mantém a Quaresma ou o Yom Kippur simplesmente pelo aspecto litúrgico necessário para a manutenção da identidade do grupo, o que é uma pena, afinal, não se beneficiam da essência por detrás destas praticas. Imagino que a reflexão sobre nossos atos seja extremamente necessária, é uma pena o Yom Kippur acontecer anualmente – ele deveria acontecer todos os dias. Quem é que não comete erros? Quem é que não peca contra seu irmão? Quem é que, por desvio de caráter ou comodismo, não colabora com a injustiça? Se estes jejuns promovessem essas reflexões na maior parte daqueles que os praticam, quem sabe as feridas feitas em nome de Deus fossem tratadas, quem sabe assim houvesse algo maior e mais belo que a frágil tolerância religiosa. Não descarto essas praticas, nem mesmo se forem apenas pela propagação da tradição, pois creio que a tradição carrega as sementes da essência por detrás das praticas e que no tempo certo hão de brotar, florescer e mudar o cenário deste vale de ossos.
    Como cristão, creio que a expiação definitiva já tenha sido feita, mas esta expiação não descarta a minha necessidade de refletir sobre meus atos, mudar minha postura e buscar o perdão, afinal, Deus não busca sacrifícios e sim um coração contrito.

  10. Bem, apesar de ser laico até o ultimo fio de cabelo, aliás, pode parecer um contrasenso, mas sou israelense, judeu, agnóstico e ateu. Não me peçam para esclarecer tudo isso, pois não irei viver o suficiente para tanto.

    De qualquer forma, o Yom Kippur, é O dia de expiação, de restabelecer a relação com deus. Esse dia é EXCLUSIVAMENTE dedicado a um “dialogo” PESSOAL de arrependimento entre CADA homem e deus. Não é um arrependdimento coletivo. Há a necessidade de, nesse dia, o homem dedicar-se sómente a deus, deixando de lado todas as coisas terrenas que possam interferir nesse diálogo, o que significa, qualquer atividade.

    E ao contrário do que muitos, (inclusive judeus) imaginam, o Yom Kippur é o dia para cada um reconciliar-se APENAS com deus, e não com seus irmãos, outras pessoas; Isso tem que ser feito ANTES do Yom Kippur, nos “10 dias de arrependimento”, o Teshuvhá.

    Após esse perdão, a pessoa terá seu nome inscrito no Livro da Vida.

    Do ponto de vista prático, para quem não tem o “treinamento” necessário, o Yom Kippur pode ser tranformar no dia de Penúria, pois Israel literalmente congela; Mas, com um pouco de bom senso e previdencia, isso é facilmente contornado com compras antecipadas, um bom livro, um bom dvd.

    Agora, aqueles serviços que garantam a manutenção da vida ameaçada de qualquer pessoa, hospitais, bombeiros, etx, seguem funcionando.

    Com relação à restrições à palestinos: Evidentemente isso remete às condições de segurança, Israel aprendeu com a Guerra do Yom Kippur, quando fomos praticamente surpreendidos por um ataque de nossos vizinhos.

    E para evitar sermos supreendidos num dia em que Israel desce a um nível letárgico, essas restrições tem sido aplicadas há muitos anos.

    E está quase na hora !

    “Que voce possa ter seu nome inscrito e selado no Livro da Vida pelo próximo ano.” – G’mar chatimá tová ! גמר חתימה טובה

    1. Pergunta seria:
      EXCLUSIVAMENTE dedicado a um “dialogo” PESSOAL de arrependimento entre CADA homem e deus.

      A pessoa pede perdao a D-eus. E dai?
      No dia seguinte pode voltar afazer sacanagem?

      Algo do tipo catolico, D-eus perdoa e bola pra’ frente, pode pecar a vontade e depois ,no ano seguinte, pede perdao outra vez e tudo continua como antes!

      1. Caro Marcio, como disse o Mordechai, os dez dias entre o ano novo judaico (Rosh Hashana) e Yom Kippur servem para que se peça perdão àqueles com quem erramos durante o ano.

        Depois desses dez dias chega o Yom Kippur, aonde, ainda como bem disse o Mordechai, chega a hora de acertar as contas com Deus. O jejum nesse dia não tem caráter de penitência, mas sim de purificação. Explicam alguns rabinos que nesse dia nossas almas se elevam tão próximas ao divino que nosso corpo poderia dispensar coisas mateirais como comida e bebida.

        E ao término de Yom Kippur, ao soar do último e longo toque do shofar (uma espécie de trombeta feita de chifre de carneiro), Deus julga a todos os judeus e decide se os inscreve ou não no “Livro da Vida”. O significado disso, ou o que acontece a alguém que não é inscrito no livro da vida, varia de acordo com a corrente teológica. Alguns rabinos dizem que não estar inscrito no livro da vida significaria estar inscrito no livro da morte, o que poderia significar tanto a morte física quanto uma morte espiritual metafísica. Outros dizem que o livro da vida registra aqueles que ascenderão aos céus (ou irão ao “Olam Habá”, o Proximo Mundo, na visão cabalista) após sua morte. Outros ainda – e essa é a versão com a qual mais me identifico – dizem que os inscritos no Livro da Vida terão um ano bom e próspero, enquanto os outros terão um ano ruim e “sem Deus a seu lado”, ou seja, me agrada a noção de “aqui se faz, aqui se paga”.

        No fim das contas, é mais ou menos o que você falou, se o sujeito foi perdoado por Deus, a conta “zera” até o próximo Yom Kippur, e no dia seguinte o cara pode sair aprontando. A diferença para com o catolicismo é que o rabino não tem autoridade para absolver pecados, e não temos como saber se Deus nos perdoou ou não, é mais um processo interno de avaliação de consciência de cada um.

    2. Bem, dizem que o perdão de deus é infinito. Então se voce tem alguma reclamação sobre o comportamento divino, suas leis, etc. etc, sugiro que voce entre em contato diretamente com ele.

  11. Prezado Diogo,

    No final das contas, ao ler a reportagem e os comentarios, a minha vontade e’ ir a Israel no periodo do Yom Kippur para ter essa experiencia… um nao judeu poderia participar?

  12. É muito dificil e muito perigoso discutir a pratica religiosa de uma pessoa. Na realidade é absurda discutir a fé alheia. Muitas pessoas necessitam de encontrar a paz e usam de suas religiões como ferramenta. Sejam judeu, católicos, evangélicos, todos tem o direito de expor a sua forma de fé. Claro, desde que a fé de um não interfira e não prejudique a fé do outro. Se o povo judeu é feliz assim, que somos nós do outro lado do planeta em discutir. Acredito que discutir politica e corrupção brasileira merecia mais critica do que um feriado isralense.

    1. Marco, de acordo. Mas a questão não é o feriado para quem acredita nele –é o feriado para quem não acredita. Você talvez ache irrelevante, mas um amigo meu que não pode deixar sua casa em Belém por dois dias talvez discorde. Abraço e obrigado pelo comentário!

  13. Acredito que no fundo esse tema trazido a tona aqui é mais uma forma de criticar a Israel. Não passa de uma ação mascarada de ofender ou recriminar o que não se conhece e não procura conhecer. Para ver o quanto é tendencioso você já traz a matéria como um peso, critica a tradução, a estocagem de alimentos, sobre a não circulação nas ruas e céus para até que enfim chegar nos palestinos. É mais fácil criticar de forma de “ovelha” a se mostrar como “lobo”.
    Isso não tem outro nome do que preconceito e desrespeito.
    Vou para Argentina e lá existe sua legislação, vou para a Arabia e lá também tem, ou então vou a China ou não sei para onde, tudo tem as suas leis e nem por isso vou criticar ou fazer meus prejulgamentos por desconhecer, por mais que seja estranho a tradição, costume, cultura e mesmo a politica de um povo. Tentarei ao máximo me isentar de criticar, pois sou que nem criança, vivendo dia após dia para aprender e mesmo depois de menos ignorante no decorrer da vida, sou indigno de trazer a publico as minhas visões superficiais, pois tudo que vejo e sinto ainda são apenas superficiais. Acredito que esse relato seria mais enriquecedor para não só aos que leem, mas para você mesmo se vivesse o Yom Kippur na sua essência, desprendendo de seus valores e crenças por mas que não seja um judeu. Relataria com mais riqueza de informações o antes, o durante e o depois da experiencia vivida plenamente.
    Pode ser que o povo judeu recebeu influencia e características físicas dos europeus no decorrer dos mais de 2000 anos peregrinando pelo mundo, mas as tradições religiosas judaicas nunca foi e nunca será ocidental e muito menos o modo de vida de Jerusalém.

    1. “Acredito que no fundo esse tema trazido a tona aqui é mais uma forma de criticar a Israel.”
      “Isso não tem outro nome do que preconceito e desrespeito.”
      Para não deixar passar em branco, data venia (como dizem os juristas), discordo. Ando à procura do primeiro que disse “Ofenda pouco, e ofenda-se pouco”, numa elegia à tolerância. Se alguém souber quem for, agradecerei muitíssimo que responda nesta sequência de postagens do debate aberto pelo Digo. A propósito, quando digo Digo não digo Digo, digo Diogo.

  14. Caro Diogo, como alguns comentaristas aqui já falaram, existe um paralelo a ser traçado com o Brasil. Algumas coisas são diferentes – o Brasil não vive em estado de alerta constante por causa do risco de atentados terroristas, nem vive cercado de inimigos, declarados ou potenciais.

    No Natal, feriado tido como mais importante no Brasil, muita coisa para de funcionar. Em geral as cidades grandes oferecem mais opções de lazer (restaurantes, cinemas, teatros, etc), mas a maior parte das lojas fecha mesmo. O transporte público funciona, só que em escala reduzida. Serviços de emergência (hospitais, polícia, bombeiros) não param, apesar de terem seu contingente reduzido justamente porque seus funcionários querem passar a data com a família.

    Em Israel ocorre quase a mesma coisa. Muito do comércio fecha, já que o Yom Kippur é a data mais importante do calendário judaico. Mas provavelmente em Tel-Aviv, cidade mais laica e cosmopolita, você vai encontrar restaurantes ou cinemas abertos (não tenho certeza, o pessoal que mora lá pode dizer com mais propriedade). Não sei se o transporte público em Tel-Aviv pára, mas se em Jerusalém os ônibus não circulam no Shabat, não é de se espantar que parem em Yom Kippur. Aliás, em Jerusalém muitas coisas fecham durante o Shabat, então faz sentido que essas mesmas coisas fechem em Yom Kippur. Não sei o quanto disso tudo é imposição do estado, e quanto é parte da cultura e dos costumes.

    Eu como judeu encaro o Natal como simplesmente mais um feriado, mas tenho sempre em mente que minhas opções de lazer nesse dia são reduzidas se comparadas a outros feriados. Minha padaria não abre, então tenho que lembrar de comprar pão de forma na véspera. Preciso planejar minhas refeições com antecedência, já que não posso simplesmente decidir ir a um restaurante – preciso ter comida em casa. Se faltar alguma coisa, não posso ir ao supermercado comprar. Se eu nunca tivesse ouvido falar em Natal e de repente me deparasse com essa situação, me causaria tanta estranheza quanto o Yom Kippur a você.

    Quanto ao fechamento do espaço aéreo, dos postos de controle, e dos bloqueios ao redor de Jerusalém, o motivo não é religioso, mas sim de segurança. Como é o dia mais sagrado para os judeus, é um prato cheio para grupos terroristas que querem chocar e causar pânico. Não é à toa que em 1973 os países vizinhos decidiram atacar Israel justo nessa data, pois sabiam que o país estaria parado. Depois disso, todo ano em Yom Kippur as forças de segurança do país entram em estado de alerta. Isto tudo causa um enorme inconveniente aos palestinos, eu concordo. E poderíamos discutir o velho dilema de classificar todo palestino como potencial terrorista, poderíamos falar de preconceito, intolerância, etc. Mas ao menos nesse dia eu acho que infelizmente esse cuidado todo se justifica – até que chegue o dia em que os dois lados aprendam a conviver em paz.

    Chatimá Tová e Tzom Kal a todos que forem jejuar.

  15. Eu temo que não seja o que foi considerado. Talvez seja a disponibilidade do colunista para qualquer religião.Pouca intimidade com as virtudes teologais desepertando angústia no vazio da categoria espiritual. O agnóstico, o ateu, o alienado no materialismo vulgar, não se mostraria tão sensível. Reik diria, sensível ao ” Deus alheio”…

    1. Na verdade não existem Deuses diferentes, pois as três religiões são abraamicas, o problema é que uma após outra não aceita os ditames da outra. Se esquecem que somos, tanto judeus, muçulmanos e cristãos, originários de Adão e Eva (Adam e Hawa (alayhis salaam’). Allah é Deus em árabe, assim como Javé (é assim que se diz?) é Deus em hebraico, é o mesmo Deus.

      [negrito] Essa é só minha opinião, claro. [/negrito] Fanáticos das três religiões jamais vão concordar e preferem dar a vida ao tentar ser racional, mas enfim..

      Abraço.

  16. Que os judeus façam sua festa, eu não tenho nada contra, mas como tu citaste, Diogo, para um muçulmano como eu ir fazer qualquer salat na mesquita de al-masjid al-aqsa eu com certeza teria uma série de barreiras e, talvez, fosse impedido de exercer minha fé em privilégio de outrém.

    Esses são os problemas das teocracias, seja de qual religião for, uns ganham outros perdem.

    Abraço.

  17. Prezado Diogo, esse seu escrito me relembra à um outro, quando, se iniciando com as particularidades de Israel, descrevias Jerusalém como uma cidade fantasma e inabitável na época do Pessach. Desta vez, passados alguns meses, conseguistes te superar nesta descrição da sensação de “pânico”. Com estocagem de alimentos e passando a sensação de total impossibilidade de locomoção ou “vida” num Yom Kipur.
    Um leitor mal informado não poderia ter maior desinformação do que a transmitida pelo jornalista.
    Caindo o Yom KIpur num Shabat ( sexta para sábado ), as mesmíssimas “condições de vida” vivenciadas por quem mora em Jerusalém serão repetidas. A importância da data em termos religiosos se traduz pela maior afluência dos judeus às sinagogas e pela magnitude do significado deste dia. Este seria o principal diferencial maior entre um Shabat em Jerusalém e um Yom Kipur num Shabat em Jerusalém. Não creio que estoques comida ,ou tenhas dificuldades maiores, em permanecendo de sexta feira para sábado na cidade que escolhestes para morar. Como no Pessach, todos os bairros árabes funcionam normalmente e os católicos e, os de outras religiões, fazem o de sempre, sem “nenhum pânico” ou constrangimentos maiores.
    “A ideia de escrever este relato, porém, é pela perspectiva de um não judeu –ou, em outras palavras, pelo espanto de um estrangeiro diante da imposição de um calendário religioso sobre toda a população”.
    Esta sua informação não condiz com a verdade. Israel é um Estado Judaico, mas não é uma teocracia. Nem todos os que vivem em Israel são judeus e, mesmo assim, uma boa parte dos mesmos não dão a miníma importância para a religião. Países islâmicos, da mesma forma, tem um calendário religioso e você, incrivelmente, não fica espantado !
    “Não consigo pensar em outro exemplo de Estado, ao menos no mundo ocidental, que obriga todos os comércios a fechar em um determinado dia. Tampouco conheço, e pode ser por ignorância minha, um país em que um feriado sagrado é impositivo”.
    Mais uma vez esta informação não condiz com a verdade. Aonde foi que você leu que OFICIALMENTE o Estado de Israel obrigou à que todos os comércios permanecessem fechados em território israelense no dia do Yom Kipur. Repito, Israel não é um Estado teocrático e, por isso mesmo, não impõe restrições quanto à conduta dos judeus nem aos de outras religiões no Yom Kipur. O comportamento e as posturas religiosas, ou não, dos seus cidadãos, de qualquer religião, compete exclusivamente as observâncias peculiares e tradicionais de cada um. Por acaso, na sexta feira, dia sagrado para os muçulmanos, não existem restrições de alguma ordem para os que seguem à lei e aos que não ?
    “O que não pode parecer demasiado, porém, é a indignação da população local árabe. A entrada e saída à Cisjordânia, território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967), foi fechada por 48 horas. O que significa que um palestino não pode vir a Jerusalém para sua reza ritual de sexta-feira, por exemplo”.
    O jornalista deve ter esquecido que a guerra de Yom Kipur se deu “coincidentemente” num dia de Yom Kipur. A partir daí, as restrições quanto às medidas de segurança neste dia aumentaram pelas possibilidades de tentativas maiores, ou menores, de atos terroristas. Ou mesmo, de ações de guerra. Existem centenas de mesquitas em Israel e nos territórios palestinos. O fato de, num dia determinado, algum palestino não poder ir à mesquita de Al-Aqsa, por motivos pessoais ou de segurança, que é o caso, inviabilizaria a sua ida à qualquer mesquita mais próxima que lhe aprouver ?
    “O Yom Kippur parece ser o ápice, aqui, do conflito entre a população religiosa e a secular, inclusive judaica. Longe de mim dizer a um Estado, principalmente um pouco receptivo a críticas, como lidar com seu calendário”.
    O jornalista, mais uma vez, induz ao erro aos que não conhecem Israel. Respeitar as tradições religiosas de quem as professam, deveria ser inerente ao aceite das diferenças que existem entre todos.Independente, de ter-se uma religião e professa-la, ou não. O conflito, que enxergas, é uma areia no deserto se comparado com o sectarismo fratricida que existem em outras religiões. E, o Estado pouco receptivo às críticas, à que se referes, podemos descreve-lo como à um oásis de liberdade, quando comparado com tantos outros, ou quase todos os países do O.M.
    “A imposição do Dia do Perdão é, com o perdão do trocadilho, perdoável?”. Imperdoável é ler tantas incongruências vindas de um jornalista que, pelo dever da boa informação, não deveria fazer de prováveis e possíveis julgamentos pessoais, a elaboração da distorção de fatos e realidades de um país e de uma cidade que o acolhe.
    Me perdoe a sinceridade. Pelo menos neste dia !

    1. Fábio, faço questão de que você seja sempre sincero. Seu comentário é longo e não vou dar conta de responder a todos os pontos. Realmente gostaria de não ser tratado como alguém com preconceito em relação ao Estado de Israel ou ao judaísmo, porque seria uma grande injustiça –pelo contrário, quem me conhece sabe que a realidade é diversa. Mas não posso, por isso, deixar de atentar aos fatos. É este o trabalho de um correspondente. Dessa maneira, me espanta que você ache natural que um muçulmano impossibilitado de rezar em Al-Aqsa vá a outra mesquita, quando me parece que você não manteria a mesma opinião se alguém lhe dissesse que está bem um judeu ir a uma sinagoga “que lhe aprouver”, mas não ao Kotel. Israel, considerado ocupador do território para além das fronteiras de 1967, incluindo Jerusalém Oriental, tem deveres diante da comunidade internacional, incluindo a manutenção da possibilidade de credo religioso nos locais santos. Imagino que você concorde comigo. Dessa maneira, não podemos pensar que é pouco grave que a Cisjordânia tenha sido fechada por dois dias, quer o Yom Kippur coincida com a guerra ou não. Mas, é claro, esse é um longo debate. De resto, espero que aproveite o restante do feriado. Um abraço.

      1. Perfeito, Diogo, por sua postura correta que eu te admiro e faço questão de deixar-lhe um abraço.

        É bom saber que existem pessoas que entendem o mundo ao seu redor, mesmo sendo eu o único muçulmano que comenta aqui e sendo minoria absoluta perante cristãos e judeus tu tenta ver o nosso lado.

        Quanto ao comentário do Luiz, somente copiaria e coloraria o seu, Diogo.

        Não há muito mais o que dizer, as pessoas, de todas religiões, são muito individualistas e raramente se colocam no lugar do outro.

        Como se sentiriam se o muro fosse fechado em plena Páscoa judaica? Pois é, a sensação é a mesma.

        Abraço.

  18. Diogo,uma ova,que Israel e OCUPADOR de
    algum territorio alem de 1967,e nao tem DEVERES nenhum com comunidade nenhuma.Somos um Pais democratico e
    convivemos com os Muculmanos,Cristaos,
    e todos os credos,sem problemas.
    Os Arabes sao loucos para nos invadir e nos matar desde nossa independencia,pelo simples motivo de nos
    odiar,nada mais.Eles nao desejam a PAZ,
    eles adoram matancas,e so ver o que acontece hoje,no Egito,no Iraque,no Libano,e na Siria.O que voce me diz?

    1. Fábio, estou me referindo aos termos definidos pela comunidade internacional, conforme resoluções da ONU. Quanto à situação no Egito, no Iraque, no Líbano e na Síria, é assunto para um outro relato.

    2. Estava demorando a manifestação de intolerância e pretensa superioridade. Fábio de Israel, já conhecido em outros blogues, perdoe-me, mas discordo quanto a Israel não ocupar territórios, não ter deveres com comunidades, ser um país democrático e que convive com todos os credos “sem problemas”. Há problemas até entre judeus ortodoxos e todos os demais, é uma democracia sem constituição e sem reconhecer o princípio de um homem, um voto, tem deveres com todas as comunidades sob seu controle (legítimo ou ilegítimo). Concordo que nem todos os árabes desejam a paz, mas afirmo que nem todos os israelenses desejam a paz. Você deseja? Faz algo pela paz, ou só ajuda a disseminar mais ódio?

      1. Elcio Machado,os problemas entre judeus
        ortodoxos e nao ortodoxos, sao problemas
        religiosos,ponto.Aqui nao se mata em nome da religiao,o que nos paises vizinhos e uma constante.Nao ha superioridade nenhuma.
        Venha visitar Israel e voce vera com seus olhos,e constatara de quem e que nao quer a Paz.Os arabes,sejam eles cristaos,ou muculmanos,vivem em PAZ
        aqui e tem todos os direitos de um cidadao Israelense.E nos Paises Arabes,
        os judeus tem o mesmo direito?

  19. Diogo,ONU tambem e um assunto bem
    extenso para se comentar.A ONU de outrora
    nao e a mesma ONU de hoje.Os tempos sao
    outros,e a ONU e um orgao inutil hoje em
    dia.Esse Ban Ki Moon e ridiculo.

  20. Voce escreve: ….um Estado que é pouco receptivo a críticas! Minha sugestão: procure outro estado,no Oriente Médio que seja mais receptivo a críticas!

    1. Caro Simeão, se você olhar o restante dos meus relatos, verá que de maneira alguma me refiro ao restante da região como em posição diversa. Mas este assunto, por ora, é sobre Israel.

  21. Prezado Diogo, folgo em saber que sobrevivestes à Síndrome do Pânico de ” Um Yom Kipur em Jerusalém ” .
    Quanto aos pontos que questionei do seu escrito e, que por serem inquestionáveis, e não longos, tomastes por bem não retrucá-los, eu no teu lugar também faria o mesmo.
    Quanto à : “O fato de, num dia determinado, algum palestino não poder ir à mesquita de Al-Aqsa, por motivos pessoais ou de segurança, que é o caso, inviabilizaria a sua ida, à qualquer mesquita mais próxima que lhe aprouver ? “.
    Estou sendo muito claro em relação à uma condição incomum de num dia de Yom Kipur, quando medidas de segurança são intensificadas no sentido de se prevenir algum atentado terrorista. Não disse, nem considerei em momento algum, que considerava natural a não ida de um muçulmano à mesquita de Al-Aqsa. Referi-me única e exclusivamente ao dia de ontem. Lembremos que, judeus por vezes também são impedidos de irem ao Kotel por determinações de segurança. Sendo que, na semana passada um ônibus de turistas fora apedrejado por alguns palestinos, em plena Jerusalém, prenunciando possíveis entreveros.
    Quanto à “Israel ter deveres diante da comunidade internacional, incluindo a manutenção da possibilidade de credo religioso nos locais santos”, parece-me que desconheces o que era Jerusalém na época que era ocupada pela Jordânia. O Kotel era um misto de estrebaria e banheiro público. Aos judeus era proibido o acesso. A degradação da cidade chegou à níveis comparados aos piores do período otomano. E, nem por isso, ou principalmente por isso, a comunidade internacional se pronunciou sobre o que ocorria. Hoje, Jerusalém é uma das cidades mais bem cuidadas do mundo. O credo das diversas religiões não é impedido e o turismo religioso que, aumenta ano após ano, assim o atesta.
    No mais, aconselho que no próximo grande feriado judaico viajes para Tel Aviv. Cidade considerada uma das mais cosmopolitas do mundo e, não tão longe do panico que Jerusalém em alguns provoca.

    1. Fábio, pois bem. Somando os pontos anteriores a esses:

      1) Em momento algum me referi a uma sensação de pânico. Tive um ótimo Yom Kippur, caminhando pela cidade. Mas a locomoção era, sim, impossível em Jerusalém. Não há distorção de informação, e lhe convido a provar o contrário. Talvez você possa me apontar algum horário de ônibus durante o Yom Kippur.

      2) O Yom Kippur não equivale a um Shabat. No Shabat, diversos estabelecimentos ficam abertos, como o restaurante Mona, um dos meus preferidos. Durante o Yom Kippur, nem mesmo as lojas 24/7 estiveram abertas. Logo, não é o mesmo grau de impedimento.

      3) Como você sabe, as prefeituras multam estabelecimentos que abrem durante o Shabat, mesmo em áreas não judaicas. Inclusive em Tel Aviv, que você cita como uma das mais cosmopolitas do mundo. Confira — http://www.haaretz.com/jewish-world/tel-aviv-continues-to-fine-store-owners-open-on-shabbat-in-mostly-non-jewish-areas-1.411253

      4) Este blog serve aos relatos pessoais. As notícias diárias constam das edições da Folha de São Paulo, onde escrevo diariamente. Não aceito esta crítica. De todo o modo, não há incongruência nas informações. E não acredito que uma cidade “acolha” um morador estrangeiro que paga impostos e contribui com a economia. Acredito que a relação seja recíproca, e não de favor um ao outro.

      5) Comparar a situação do Kotel com o período jordaniano não vai nos ajudar no debate. Essas décadas se passaram, o tempo passou. De qualquer maneira, o tratamento dado pelos jordanianos aos judeus não justifica um tratamento ruim a qualquer outro grupo demográfico. Se seguíssemos esse tipo de raciocínio, o mundo seria um lugar muito pior do que já é.

      Obrigado e perdoe também minha sinceridade. Um abraço.

      1. Prezado Diogo, sou Luiz e não o Fábio.

        1) Sim referiu-se à panico : “Em pânico pela possibilidade de me esquecer de alguma das recomendações, vou me trancar em casa e fazer uma maratona de “O Senhor dos Anéis” com alguns colegas jornalistas”.
        Da mesma forma que em qualquer Shabat, não terias ônibus rodando em Jerusálem. Com o Yom Kipur caindo num Shabat não seria, definitivamente, diferente.

        2) Os estabelecimentos comerciais citados, com prováveis donos judeus, devem considerar “boa política” não abrirem em um feriado religioso de tamanha importância. Os donos deveriam estar, possivelmente, em alguma sinagoga jejuando.
        Os situados em bairros com maior concentração árabe estariam, como em todos os sábados, abertos.

        3) Não sou eu que cito Tel Aviv como uma das cidades mais cosmopolitas do mundo. Mas sim, as várias pesquisas e revistas especializadas que a incluem. Basta dizer, que é normalmente incluída, igualmente, como uma das mais “gay friendly cities” à se conhecer.

        4) Podem não existir favores entre um visitante/morador e a cidade que ele escolha para residir. Mas, determinadas particularidades da cidade, com suas benesses e/ou restrições, costumes locais, a importância de determinados feriados (religiosos ou não), é de bom tom se tomar prévio conhecimento.

        5) Repetindo, as restrições e, até mesmo em alguns casos, inacessibilidade ao Monte do templo, por questões de segurança, existem por motivos óbvios. Quando escreveste “tem deveres diante da comunidade internacional, incluindo a manutenção da possibilidade de credo religioso nos locais santos” , dando à entender que, exceções seriam mais comuns do que as regras, e que,em vista disso, deveria ou caberia a “comunidade internacional” se posicionar ante restrições e/ou impossibilidade de acesso ao culto como algo constante e corriqueiro. Foi daí que, relembrei o que era Jerusalém ( Kotel, Cidade velha, Monte do Templo ) em época da ocupação jordaniana comparada aos dias atuais.

        Prezado Diogo, mais uma vez que me perdoe, mas a dimensão e importância desmedida que determinadas ações e tomadas de posições que ocorrem em Israel, mesmo que esporadicamente, parecem extrapolar, por vezes, o bom senso crítico em uma avaliação comparativa se houvessem ocorrido, as mesmas coisas, em qualquer outro país.
        Um abraço , Luiz.

        1. Eles nunca dão o braço a torcer, hein Diogo?

          É como os EUA e o agente laranja no Vietna, parece que nunca ocorreu, uma mentira, invenção de gente deformada daquele país.

          Ou os comunistas e o homordor na Ucrânica, tudo invenção da mídia e dos milhões que morreram de fome.

          Para os turcos nunca houve genocídio dos armênios.

          E para Israel vale a mesma coisa.

          Ah, o Brasil jamais admitirá que cometeu crimes de guerra no Paraguai.

          Jesus (Isha), disse quando foram apedrejar a mulher (sim os judeus também apedrejavam adulteras): Quem nunca pecou que atire a primeira pedra..

          Abraço.

          1. Esses caras falam de Deus? kkkkk

            Religião só cria ódio nos corações..

            Por isso o ateísmo é melhor, quem acredita em figuras imaginárias deve ter algum problema..

            Olha esses judeus falando asneiras, tem até um muçulmano, já dizia Jonh Lennon:

            Um mundo sem religião, um mundo de paz..

            Acordem ignorantes.

        2. Prezado Diogo, corroborando o que escrevi há semanas, sobre judeus, também, serem proibidos de entrarem no Kotel por razões de segurança.

          “Jerusalem police once again have prohibited Jews from visiting the Temple Mount because of security officials’ unintended admission that they cannot or do not want to deal with violent Arabs. Officially, police say that they blocked the planned visit of hundreds of Jews to the holy site on Tuesday, the sixth day of the Sukkot holiday, because of intelligence information that Arab protesters would be violently upset, which is par for the course when Jews try to ascend the Temple Mount. Among those barred on Tuesday was Jewish Home Knesset Member Shuli Moalem-Refaeli as well as busloads of school children.

          Read more at: http://www.jewishpress.com/news/breaking-news/police-bar-jews-from-holiday-visit-to-temple-mount/2013/09/24/

  22. É sem sentido a sua comparação. Você mistura dois assuntos que não tem nada a ver.

    Conforme a Lei n. 10.607/02, feriados cristãos são impostos a toda a população brasileira. Existem inúmeros outros países que são mais rígidos com seus feriados. Aqui terminaria o seu argumento de único pais ocidental que impõe um feriado para o resto da população. E fugindo do seu próprio critério de comparação entre países ocidentais, ainda trás seu exemplo pessoal do Marrocos. É para trazer aqui o respeito que a maioria dos países árabes tem pela religião dos outros?

    Fechar fronteiras e espaço aéreo é por motivo de segurança e não religioso. Isso também tem pouca relação com obrigação legal de um país que ocupe um território. Nenhuma lei internacional diz que um pais deve abrir suas fronteiras. Ah.. mas a dita palestina fica dentro de Israel?
    Agora, se você teve em mente os árabes, que não podem sair dos territórios por 48 horas por motivo de segurança, paciência. Os judeus também não podem sair de Israel.
    E isso não é uma imposição religiosa , mas de segurança;

    1. Danny, perdão, mas a lei brasileira não impõe o mesmo conceito de feriado religioso. Essa comparação sim mistura dois elementos desconexos. De toda maneira, a “dita Palestina” fica dentro de Israel, de certa maneira, enquanto o território for considerado ocupado. Assim, a passagem para a Cisjordânia não é uma “fronteira” –afinal, não há um Estado palestino, e a Autoridade Nacional Palestina não tem o controle que deveria ser recíproco de entrada e saída. Ainda, note que o fato de os judeus também não poderem sair de Israel, assim como cristãos e ateus, faz parte do debate que quis levantar em meu relato. Um abraço.

      1. Menino,voce nasceu hoje mas pode estudar o passado,mas procure em muitos livros.Vc parece ser inteligente pois usa muito bem as palavras e da’ ,com elas,estocadas irreversiveis.
        Por exemplo:oMarrocos e’ um dos paises arabes mais liberais do sistema islamico.Va’ ate’ a Arabia Saudita,no Ramadã e outros feriados religiosos…sera’ tal qual o Yom Kipur,em Israel e ,talvez ,um pouco mais rigido!!!
        Abraços e boa estadia nesta verdadeira democracia!

  23. Yom Kipur em Israel é um dia muito diferente. Para os que jejuam e rezam, e para os que não. É muito diferente de todos os outros dias do ano, e muito mais diferente do que os judeus que vivem no Brasil conhecem ou podem imaginar.

    Em Yom Kipur não há carros. Nenhum. Ponto. Não em Jerusalém, não em Tel Aviv, não na estrada. Desde tempos imemoriais a sociedade como um todo entrou em acordo que neste dia não se usa o carro, nem quem está em casa comendo sanduíche de presunto. Aliás, seria um perigo, pois as ruas são tomadas por enxames de crianças doidas, andando de bicicleta, patins e skate, tomando conta do asfalto. É uma cena impressionante de se ver, tantas crianças se divertindo no meio das maiores avenidas da cidade, descendo as ladeiras a toda velocidade, pra subir tudo de novo e começar novamente. A ausência de veículos faz com que a qualidade do ar melhore muito, mas não chega a consertar o dano que são as fogueiras na noite de Lag baOmer.

    A cor de Yom Kipur é o branco. Ninguém havia me avisado, e no meu primeiro Yom Kipur que passei por aqui, fui à sinagoga com uma camisa meio vermelho escuro, bordô, cor de tijolo, ou qualquer outro nome que minha mulher saberia identificar melhor que eu. Lá na sinagoga estavam todos de branco. Todos. E eu no meio, um pouco mais vermelho que a camisa. Aliás, Yom Kipur em São Paulo era (e ainda é) o dia para se usar a melhor roupa que se tem. Os homens usam aquele super terno, digno de conhecer a rainha Elizabeth. As mulheres nem se fala, com vestidos decotados, jóias caras, cabelos super lisos e bastante maquiagem, tudo de bom tom, claro. Aqui não, todo mundo vai mal vestido, shleper mesmo, camisa branca qualquer, obviamente amassada, porque ninguém passa roupa no Oriente Médio. Aqui se leva a sério o não-uso de sapatos de couro, então é o dia em que o chazan sobe pra cantar de crocs mesmo.

    Yom Kipur é levado tão a sério, que até ano passado se mudava o horário do país inteiro. Aqui em Israel é o final do verão, e o fim de semana anterior a Yom Kipur costumava a ser a data do final do horário de verão. Às vezes YK cai em Outubro, e tudo bem, mas este ano cai bem cedo, e seria um desastre mudar o horário tão cedo. Não que isso tenha incomodado os governantes, porque por décadas era essa a “law of the land”. Se Yom Kipur é um dia inteiro, de pôr do sol a pôr do sol, que diferença faz o horário que o relógio está mostrando?! Pois é. Finalmente este ano o fim do horário de verão foi desvinculado do dia do perdão, e terminará no dia 27 de Outubro, assim como nossos vizinhos europeus…

    Este ano se relembra os 40 anos da guerra de Yom Kipur, que foi uma das mais duras que o país já conheceu. Na televisão muito se fala sobre a guerra nas semanas que antecedem YK. Além deste dia servir um pouco para o balanço pessoal sobre o ano que passou, YK também é um dia de balanço nacional, sobre os mortos na guerra, o não-processo de paz e tudo mais que aflija a alma do israelense.

    Em Yom Kipur não tem propaganda de Big Mac na TV. Motivo: os canais abertos param de transmitir! (calma, gente, alguns canais da TV a cabo continuam, e sempre dá pra ver um Grey’s Anatomy por streaming). A maior parte dos negócios que abrem no Shabat ao longo do ano também fecham em Yom Kipur, como restaurantes (óbvio!), shopping centers, aeroportos, etc. Quem fatura mesmo são as lojas que consertam bicicletas.
    Yair Mau

  24. Descobri esse blog ha cerca de um mes. Estava animada achando que poderia oferecer uma visao diferente sobre Israel. Esse post sobre Yom Kippur me decepcionou. Sobrou mau humor. É sempre curioso invocar o argumento de se colocar na posicao do outro qdo o jornalista nao demonstra a menor disposicao de fazer o mesmo.
    Yom Kippur é o dia mais sagrado do calendário judaico, é uma data solene, carregada de importancia e significado mesmo para quem nao é religioso. Muitos judeus vao a sinagoga apenas nessa data. Mesmo quem é secular, observa Yom Kippur de alguma forma, faz parte da tradicao, da identidade do povo judeu. É natural que em Israel o feriado seja levado tao a serio.
    Quanto as medidas de segurança, elas sao justamente por seguranca. Nao existe intencao de restricao a liberdade religiosa dos muculmanos. E, claro, como ja disseram outros comentaristas aqui, foi num feriado de Yom Kippur que Egito e Siria atacaram Israel em 1973.
    Vc diz que Israel nao gosta de criticas, qual país gosta? Eu nao conheço nenhum.
    Critique Israel, os israelenses, os judeus mas tente se colocar no lugar deles tambem.

  25. DIOGO, ACENTUE AFIRMATIVA DE VANIA, foi num feriado de Yom Kippur que Egito e Siria atacaram Israel em 1973. TODO CUIDADO É POUCO,

  26. Achei boa a forma como você faz, em um mesmo artigo curto, a explicação sobre um rito religioso e como ele se transforma, a partir da instrumentalização política, numa peça a mais no lento processo de esmagamento de toda e qualquer identidade palestina no estado de Israel. Imagino a violência que deva ser aos olhos de um palestino, para além da ocupação e dos refugiados, ainda ser proibido de frequentar sua mesquita mais representativa, ter interditada a sua entrada em uma cidade que é sua de direito mas está ocupada. Enfim, belo artigo.

  27. Acho que não pode geralizar a visão de Jerusalém para todos Israel. Jerusalém é uma cidade mais religiosa que a maioria de Israel. Vivo em Haifa, norte de Israel, há carros na rua mas em menor proporção e não é visto como uma ato desrespeitoso. Não vi ninguem conhecido estocando comida ou correndo para o supermecado. Mesmo a população judaica mais religiosa convive com a população não religiosa de maneira diferente de Jerusalém, onde já morei anteriormente.

  28. Diogo, e no final voce deveria escrever uma parte 2 deste texto descrevendo sua experiencia durante e apos a data em questao. tera parte 2?

  29. diogo, shalom, gostei muito do seu artigo, e
    como brasileiro, apreciei suas observações
    de um não judeu sobre o yom kippur(expiação), muito correto. gostaria de tecer
    uma observação sobre a orígem desta data.
    imagine uma nação que se depara com fan-
    tástica entrega dos 10 mandamento, onde
    nele consta ¨não terá outros deuses¨e 40
    dias após é produzido um bezerro de ouro!
    moisés sobe ao monte duas vezes até que
    finalmente no dia 10 de tishri ele recebe o
    tão esperado perdão. esta culpa nos persseguirá eternamente. depois de descer
    tão baixo o¨todo poderoso¨está sempre dis-
    posto a nos perdoar. acredito que o egocentrismo neste dia, nos faz esquecer,o
    mundo a nossa volta. quem sabe no próximo yom kippur possamos disfrutar desta atmosfera mágica em israel. a. sobel

  30. Que horror de texto. Você reclama que um dia é dado o direito a população de seguir sua religião? Aqui não tem diferença que cargo você ocupa, você tem direito de passa-lo como quiser, Israel é o único estado judaico do mundo e fazendo a lei não abre espaço para que os ricos aproveitem e os pobres trabalhem. Quantas vezes fui forcada no Brasil a feriados cristãos e tinha problema para passar os meus com minha família.. Lendo seus textos me parece que você não domina nem a história da região, quanto mais tentar entender os motivos de conflitos. Me parece ainda que você vive na bolha que você construiu com seus preconceitos… Infelizmente era exatamente isso que temia desse blog antes de ler pela primeira vez…

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