A história serpenteia no Egito

 

Manifestação de apoio ao presidente deposto Mohammed Mursi. Crédito Joel Silva/Folhapress

Quando ouvimos que “o mundo mudou”, por vezes pensamos que a expressão está vazia de significado. É claro, ele sempre muda. O rio Nilo sempre flui adiante. O tempo não regride. O Egito unificado por Menes, no 4º milênio antes de Cristo, testemunhou inúmeros desvios de curso e sabe, instintivamente, que a história é constante mutação. Aquenáton impôs o monoteísmo, Tutancamôn foi assassinado, Cleópatra e Marco Antônio viveram um amor soberbo e letal, Napoleão desembarcou nas areias quentes do delta do Nilo, o Império Otomano ruiu. Nada permanece.

Mas, no Cairo, estou surpreso em como as transformações ocorrem agora em uma perspectiva tangível. Há pouco mais de um mês, estive aqui para cobrir o golpe de Estado que depôs o islamita Mohammed Mursi. Durante o dia, me sentava com manifestantes da Irmandade Muçulmana na mesquita de Rabia al-Adawiya. À noite, eu caminhava nas beiradas do Nilo, com os olhos brilhando pelas luzes dos barcos. A cidade estava viva. A cidade parecia segura.

Os dias se passaram. Na última quarta-feira, o Exército massacrou islamitas em Rabia al-Adawiya. Voltei ali durante esta semana –a mesquita está destruída pelo fogo, tomada pelas Forças Armadas. O símbolo da Irmandade Muçulmana virou cinzas. Da mesma maneira, as centenas de milhares de manifestantes com quem marchávamos em julho sumiram. Agora, as manifestações serpenteiam por ruas estreitas, sob o medo da repressão policial. Há, nos olhos das pessoas, aquele fundo sombrio de quem não sabe se, à noite, vai jantar com sua família.

Temos de admitir que é impressionante, para não dizer assustador, que a Irmandade Muçulmana possa ter ido da Presidência às sombras em tão pouco tempo. Ao que tudo indica, acreditar no projeto de um islã político vai, em breve, se tornar ilegal no Egito. Mal sinal –porque significa que, do subterrâneo, islamitas vão ter de recorrer às táticas de quem não tem alternativas regulares. Não vai ser surpreendente se ouvirmos explosões no Cairo, um dia. Líbia, Síria, Iraque e Afeganistão são imagens aterrorizantes, agora.

Menes deve ter pensado, quando unificou os reinos egípcios, que seu projeto era eterno. Os politeístas que adoravam Osíris e Amon Rá, também. Aquenáton queria um só deus. Tutancamôn não achava que poderia morrer. Cleópatra e Marco Antônio pensavam que o amor fosse o suficiente. Napoleão acreditava que veria um mundo prostrado. Os imperadores otomanos duvidavam que a Europa os vencesse um dia.

Não sei por quanto tempo estarei no Cairo. Não sei quando volto. Mas, por ora, desisto de olhar adiante e imaginar que eu possa saber o que está por vir.

Cartaz com a fotografia do presidente deposto. Crédito Joel Silva/Folhapress
Manifestante islamita faz grafite em muro, durante passeata. Crédito Joel Silva/Folhapress
Concentração em mesquita, antes de marcha islamita. Crédito Joel Silva/Folhapress
Marcha na meia-luz, no Cairo. Crédito Joel Silva/Folhapress
O Sol de fim de tarde, durante manifestação. Crédito Joel Silva/Folhapress

Comentários

  1. Quer saber o que há no futuro? Leia a bíblia. O Egito tem a proteção do Deus Vivo! Não terão êxito. Quem está no controle não é um partido, uma religião ou qualquer grupo político. É Deus! Em breve verão! Mas as respostas para o que virá, já foram traçadas a muito tempo.

  2. Todo fanatismo é perigoso. Mas o fanatismo religioso é o mais agressivo. O Egito viveu uma mortandade naquele jogo de futebol. Na Síria o presidente vai renunciar quando o país estiver destruído. É a máxima de Luís XIV da França: depois de mim o dilúvio.

  3. “Não sei por quanto tempo estarei no Cairo. Não sei quando volto. Mas, por ora, desisto de olhar adiante e imaginar que eu possa saber o que está por vir”.
    “Não vai ser surpreendente se ouvirmos explosões no Cairo, um dia. Líbia, Síria, Iraque e Afeganistão são imagens aterrorizantes, agora”.
    Prezado Diogo, por mais que possas querer não imaginar, você mesmo já sabe o que irrompe dos ovos da serpente.

  4. Diogo, infelizmente acredito que você esteja certo. A Irmandade Muçulmana já vem há décadas perpetrando ataques terroristas, especialmente em pontos turísticos, para tentar impôr seu fundamentalismo e instaurar uma república islâmica no Egito. Depois de chegarem ao poder e serem derrubados pelo exército, é claro que vão voltar ao terrorismo. E quem irá sofrer, como sempre, é o povo.

    1. Considerando que o fundamnentalismo da irmandande islamica representa aproximadamente 54% da populacao, fica facil concluir que a maioria dos mulculmanos no egito sao fundamentalistas.
      Isso e’ frontamente contrario aos orientalistas que proclamm que nem todos os islamicos sao fundamentalistas.

      1. Caro Marcio, a Irmandade Muçulmana é um grupo fundamentalista que apoiou a candidatura de Mursi através de seu braço político. Eles receberam a maioria dos votos da população em segundo turno, tanto que Mursi foi eleito. Mas dizer que o fundamentalismo deles representa metade da população é a mesma coisa que dizer que metade da população brasileira é comunista, já que tanto Dilma quanto Lula foram eleitos em segundo turno, e ambos tiveram o PCdoB em sua coligação.

        E além disso acho que você está confundindo fundamentalismo com terrorismo.

  5. sao apenas 51.7%

    Morsi, the 60-year old U.S.-trained engineer, narrowly defeated Shafiq with 51.7 percent of the vote versus 48.3

    Nao estou confundindo nada.

    1. Quando disse que você estava confundindo, eu estava falando da sua afirmação de que “orientalistas que proclamm que nem todos os islamicos sao fundamentalistas” (sic).

      O que eu acredito que os orientalistas queiram esclarecer é que nem todo muçulmano é terrorista. Mas mesmo se você não tiver confundido, continua valendo a afirmação de que nem todo muçulmano é fundamentalista. Ainda que consideremos todo eleitor de Mursi como fundamentalista, isso deixa de fora pouco menos de metade da população do Egito.

      1. Brinque com os numeros da maneira que voce achar melhor.
        Olhe as fotos ai encima e conclua.

        A propria definicao d eorientalismo, pelo seu criador, e’ incorreta e fundamentalmente falha na logica.

  6. “metade da população brasileira é comunista, já que tanto Dilma quanto Lula foram eleitos em segundo turno, e ambos tiveram o PCdoB em sua coligação.”

    Pode ser que metade da populacao brasileira nao seja comunista, mas se votram em uma coligacao que tem comunista no meio e nao sao comunistas entao sao burros por acharem o contrario.

    1. Não são burros, apenas sabem que alianças são necessárias e sabem que mesmo tendo PCdoB na coligação isso não significa que o pais se tornará comunista.

      1. Podem saber que aliancas sao necessarias, mas sao burros por escolherem as aliancas erradas.
        Quem se junta se assemelha, como diz minha querida mae!

  7. Mas se o egito nao te convence, entao leia a mais recente pesquisa do Pew Research Center sobre muculmanos.,Este instituto de de reputacao inabalavel.
    Ficou claro que se nao a maioria, mas uma grand eparcela dos muculmanos sao a favor de atos terroristas. Isso inclui 30% dos muculmanos nos EUA.

    1. Não poderia estar mais errado. A pesquisa do Pew Research Center diz exatamente o contrário do que você está falando :

      Most Muslims reject suicide bombing and other attacks against civilians, but a substantial minority in many counties—including 40 percent in Palestine, 39 percent in Afghanistan, 26 percent in Bangladesh, 29 percent in Egypt, 15 percent in Jordan and 15 percent in Turkey—view attacks against civilians as a legitimate means to defending Islam against its enemies.

      Few U.S. Muslims voice support for suicide bombing or other forms of violence against civilians in the name of Islam. Eighty one percent say such acts are never justified to defend Islam, 7 percent say it’s “sometimes” justified and 1 percent it is “often justified.” to defend Islam.

      Even a small minority of Muslims (1%) worldwide translates to 15 million believers – which is hardly an insignificant number

      Matéria completa em :

      http://townhall.com/tipsheet/aliciapowe/2013/05/04/new-pew-research-center-study-examines-political-and-social-beliefs-of-muslims-n1586712

      1. Nao, diz exatamente o que falei, nao o contrario. Ou voce nao sabe ler o que escrevi?

        FOi o que falei : “Ficou claro que se nao a maioria, mas uma grand eparcela dos muculmanos sao a favor de atos terroristas. Isso inclui 30% dos muculmanos nos EUA.”

        Agora s evoce acha normal porcentaggens entre 30 ou mais justificarem violencia contra civis, entao voce e’ um pro -terrorista tambem.

        1. Me parece que quem está com problemas de leitura aqui não sou eu :

          Few U.S. Muslims voice support for suicide bombing or other forms of violence against civilians in the name of Islam. Eighty one percent say such acts are never justified to defend Islam, 7 percent say it’s “sometimes” justified and 1 percent it is “often justified.” to defend Islam.

          Vc diz : Isso inclui 30% dos muculmanos nos EUA

          São 7% que dizem que em algumas vezes é justificado.

          Leia a matéria com calma.

  8. beto_w,outra vez,voce perdeu uma grande
    oportunidade de ficar calado.O Marcio esta
    corretissimo nos numeros.Outra coisa que
    voce esqueceu de citar aqui e de a Irmandade Muculmana foi a responsavel
    por DINAMITAR por varias vezes os canos
    de Gaz que Israel comprava do Egito.Mas
    agora ja somos auto suficientes,nao precisamos mais dele,por causa do terrorismo adiantamos a exploracao do
    NOSSO Gaz.o que nos da em exportacoes
    200 bilhoes de dolares por ano.E pouco,nao e?
    Os Muculmanos no Egito e nos Paises
    Arabes nos odeiam e nos querem ver mortos.Uma parte dos Cristaos tambem.

    1. Fabio, ignorando sua costumeira agressividade e falta de respeito para com seus colegas comentaristas, eu concordo que o Marcio está corretíssimo em um número: Mursi recebeu em segundo turno 51,7% dos votos. Porém, o outro número que ele citou – 30% dos muçulmanos americanos apoiariam ataques terroristas – está incorreto, como o RicardoR demonstrou.
      Além disso, se considerarmos que Mursi recebeu pouco menos de 25% dos votos no primeiro turno, o tal número corretíssimo do Marcio cai pela metade – e isso ainda se assumirmos que a totalidade desses eleitores é fundamentalista e apoia a Irmandade Muçulmana.

      Quanto à última parte do seu comentário, infelizmente devo concordar com você, a maioria dos muçulmanos odeia Israel e os judeus – em grande parte por puro preconceito, e em parte por atribuírem a todo e qualquer judeu a responsabilidade sobre o problema palestino. Este é um outro tema complicado, e os judeus em geral ajudam a complicá-lo ainda mais quando defendem Israel incondicionalmente e quando acusam de anti-semitismo toda e qualquer crítica às ações do governo israelense contra os palestinos.

      No entanto, há que se considerar que, durante a Idade Média, enquanto eram perseguidos, torturados e queimados vivos pela inquisição nos países cristãos, os judeus tinham respeito e prestígio nos países muçulmanos. É um excelente exercício mental tentar entender como a situação mudou tanto em tão pouco tempo.

        1. Marcio, eu concordo com você, mesmo relevando as suas imprecisões numéricas, é triste se ver que há tanta gente que ache justificável a morte de civis inocentes para defender o que quer que seja – intencionalmente ou como “dano colateral”.

          1. Realmente Beto.
            Mas eu errei outra vez, nao sao 19% sao 22%.
            De qualquer forma ente 22 e 30% e’ a mesma ordem de magnitude. E o argumento e’ forte.

        2. Você está incorreto no sentido de que você fala um numero e depois muda esse numero e questiona se achamos normal.

          Vc joga um numero alto (e errado) para dar peso ao seu argumento e depois questiona se achamos normal porque o numero é menor.

          Você precisa ser honesto.

          O seu link está quebrado, veja este :
          http://www.pewforum.org/2013/04/30/the-worlds-muslims-religion-politics-society-overview/

          É longo o texto, procure por :
          Extremism Widely Rejected
          lá tem os percentuais.

          0,1% de apoio ao terrorismo já seria um número alto demais, pessoas não deveriam apoiar terrorismo.

          Agora inflar numeros só para apoiar sua “tese” é feio.

          1. Caros Marcio e RicardoR, acho que essa discussão sobre números está saindo da proporção cabida. O RicardoR tem razão ao questionar os números apresentados pelo Marcio, que assumiu seu erro. E nós três concordamos em uma coisa: apoiar o terrorismo ou qualquer ataque a civis inocentes é um absurdo. A vida deve ser respeitada e preservada em todos os espectros do conflito. E como eu costumo dizer, um inocente morto já são mortes demais.

          2. Quando perguntado se o suicidio por bomba e’ justificavel, 78% disseram que nao.
            Portanto, fica facil concluir que quem nao disse nao e’ contrario a afirmacao. Ou seja 100 – 78 = 22%.

            Desculpe, voce nao foi honesto, apenas nao tem muita conseguiu interpretar corretamente.

      1. beto_w,o prestigio que os judeus tinham
        no Egito por exemplo na epoca que voce
        se refere, eram de escravidao.E isto que
        voce se refere de “respeitados”?.O que
        voce escreve de bobagens nao esta escrito.
        Voce nao entende nada de historia ,muito
        menos da Historia do judaismo.E impressionante.

        1. Hein??? Escravidão??? Você está se referindo à época bíblica, ao tempo dos faraós, e eu estou falando sobre a Idade Média, aonde houve até judeus em posições importantes no governo (por exemplo, um judeu foi chefe do Departamento de Agricultura do califado egípcio no século XII).

          Só para citar um exemplo, Maimônides morou por mais de 30 anos no Egito, até o fim de sua vida, e era o médico da família real do Sultão Saladino. Sua maior obra, o Mishne Torá, foi escrita quando morava lá.

          Realmente, sou eu quem não entende nada de história por aqui…

  9. Praticamente a totalidade daqueles que votaram em Mursi são islâmicos. A MINORIA votou por um estado governado pelo Islã, e ainda menos votou por um estado islâmico fundamentalista.

    Há bastante tempo a maioria da população islâmica segue a religião islâmica, em especial suas tradições. Mas não aceita um um estado fundamentalista, e não autorizou com seu voto que Mursi transformasse o Egito numa teocracia.

    Guardadas as devidas proporções, seria como se a maioria da população brasileira elegesse um católico (até praticante). Mas não autorizasse que ele passsasse a tentar nortear o governo pelas leis biblicas.

    Em termos religiosos-politicos, o Egito sempre seguiu a “linha siria”, não fundamentalista.

    1. Que texto inacreditávelmente mal-escrito eu acabo de postar ! (Claro que a maioria da população islâmica segue a religião islâmica, mas eu queria dizer a maioria da população EGÍPCIA segue a religião islâmica.)

    2. Concordo plenamente, Mordechai. O povo que votou em Mursi o elegeu por uma série de razões distintas (populismo, propostas trabalhistas, promessas de campanha, etc), e provavelmente a maioria de seus eleitores não aprovou sua tentativa de transformar o Egito em república islâmica. Tanto que foram às ruas para protestar.

      O que me incomoda é essa sensação de sair da panela para o fogo que o povo egípcio está vivendo. Se livraram de um ditador, para eleger um fundamentalista, que foi derrubado pelo exército, que nunca esteve nem aí para o povo.

      1. No final das contas, o Egito (e quase todos os paises arabes) está num beco sem saida: Um implacavel autocracia religiosa, seja ela monárquica ou republicana ? Ou outra implacavel autocracia semi-laica republicana, mantida no poder pelas armas ?

        Não me parece que os paises arabes estejam conseguindo sair desse horroso dilema que, por natureza SEMPRE segregará parte da população, alimentação assim a divisão e por consequencia, a instabilidade institucional.

        Não tenho a menor idéia NO PRESENTE CONTEXTO como eles possam sair dessa terrível, terrivel e assustadora situação.

        E enquanto não sairem, os mortos em todas as sociedades arabes irão se empilhando, com breves intervalos para decidir de quem será o turno de matar.

      2. E os militares agora vão a partir de agora sempre usar este argumento para justificar sua permanência no poder : Se sairmos a Irmandade com seu extremismo assume.

    3. Sasha,acho que voce esta um pouco confuso
      e equivocado.Quem praticou o Genocidio ao
      povo “Palestino” nao foi Israel,foi a Jordania.
      Voce deveria divulgar os fatos reais e nao
      vir falar aqui de Hasbara,que voce nem sabe
      o significado da palavra,e nao tem nada a ver com o contexto.

    4. Sasha, genocídio do povo palestino ????

      Você, ou não sabe o que significa a palavra genocídio, o que atestaria simples ignorância.
      Ou, faz propaganda de factoides palestinos achando que quem o lê é que seja ignorante.
      De qualquer forma, em qualquer um dos casos, procure se policiar para não falar besteiras pelo fato de desconhecer o significado das palavras.

      Para seu conhecimento, esse “genocídio” palestino deve ser o único existente que, ao invés de declinar, aumenta o número de um grupamento de pessoas.

    5. Falou as besteiras usuais e não respondeu ao questionamento. O que significa a palavra genocídio ?

      Em aprendendo o significado do termo, aonde o povo palestino se enquadra neste tal ” genocídio ” em que está envolvido ??

      Qual era a população palestina há 65 anos atrás e qual a população palestina atual. Gostaria de entender este genocídio às avessas no qual o grupamento dito “afetado” cada vez aumenta mais seu número de “atingidos”.

      Aguardando resposta. Se é que às tem ???

  10. Diogo,
    esqueci de falar. Seu texto esta’ belissimo, rico, e como sempre , muito bem escrito.
    Voce domina todas as nuancias da lingua.

    E’ umtexto solido, maduro. Hojhe em dia onde a pobreza domina nos blogs onde as grandes situacoes politicas sao banalizadas com comparacoes infantis ao futebol e outras besteiras, voce e’ uma lufada de ar fresco neste meio.

  11. Fábio, este antissemita eu não conhecia, ou será que mudou o nick? Mais um amante de terroristas palestinos

  12. Diogo, fazem cinco dias de sua última postagem. Dê um sinal de vida, pois sua ausência já é um tanto preocupante. Cuide-se bem, e mande logo novas considerações.
    Luiz.

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