Ó, Jerusalém

Ofra Haza canta “Yerushalaim Shel Zahav” (Jerusalém de Ouro), composta para celebrar a “reunificação” de Jerusalém

O salmo é conhecido de cor, por aqui. De número 137, diz que “se eu me esquecer de ti, Jerusalém, esqueça-se a minha mão direita de sua destreza. Apegue-se-me a língua ao céu da boca”.

Eu não corro esse risco. Estive aqui em 2008, em minha primeira viagem no Oriente Médio, e deixei um papelzinho no Muro das Lamentações pedindo para voltar um dia –estava apaixonado pelas muralhas de Solimão, pelo incenso do Santo Sepulcro, pela imagem mental dos Exércitos de impérios marchando rumo a essa cidade –Jerusalém. Nunca me esqueci dela.

Hoje, a cidade dita sagrada comemora seu dia de “libertação”. Iom Yerushalaim, em hebraico, marcando a polêmica “reunificação” da cidade, tomada durante a guerra de 1967. Ela tornou-se, para Israel, sua capital “indivisível”. Para a comunidade internacional, um território ocupado –as embaixadas estão em Tel Aviv.

Indivisível, no entanto, é um adjetivo pouco adequado a Jerusalém, como notam diversos dos textos a respeito do Iom Yerushalaim publicados na mídia israelense hoje. Meir Margalit, membro do conselho municipal, escreve no “Haaretz” que os “fossos de Jerusalém não podem ser escondidos”.

“Não é uma questão de divisão física, porém mais mental, cultural e emocional. É intensificada quando um árabe cruza a linha entre as duas partes da cidade e a polícia de fronteira ou mulheres soldados bruscamente pedem sua identidade, perguntam de onde ele vem e para onde está indo”

Indivisível, mas está dividida entre Jerusalém Oriental, predominantemente árabe, e Jerusalém Ocidental, predominantemente judaica (onde moro). Cruzar as linhas imaginárias de divisão inclui mudar a arquitetura, o “mindset”, os rostos e as condições de vida.

Margalit nota que, enquanto palestinos constituem 38% da população jerosolimita, eles recebem entre 11% e 13% do Orçamento municipal, com investimento “mínimo previsto por lei, especialmente em salários para professores, trabalhadores sociais e enfermeiros”.

Ainda:

“A discriminação não é criada pela prefeitura, mas em níveis mais altos. Em 1967, o governo decidiu que os palestinos de Jerusalém Oriental teriam um status legal inferior em relação às suas contrapartes no oeste. Foram classificados como ‘residentes’, enquanto israelenses judeus são ‘cidadãos’. Esse fenômeno bizarro escapou da consciência israelense, já que é difícil explicar como –vivendo na capital de uma nação que é supostamente a ‘única democracia no Oriente Médio’– um grupo étnico inteiro tem status legal inferior a um grupo dominante.”

Em interessante entrevista ao “Times of Israel” (clique aqui), o prefeito Nir Barkat é enfático em que dividir Jerusalém não está sob cogitação. A cidade deve permanecer aberta a todos, diz –mas sob controle israelense.  Mantê-la como área controlada tanto por israelenses quanto por palestinos, diz, é um “terrível erro”.

“Jerusalém teve um papel de cidade unida, completa, não dividida entre tribos. É o DNA que temos de desenvolver, porque nada mais irá funcionar. A cidade tem de funcionar para todos os setores.”

O entrevistador pergunta: Você pensa em um modelo em que você teria um prefeito palestino como parceiro, ou um vice-prefeito? Barkat é enfático:

“A resposta é não à separação da cidade. Uma cidade. Ponto final.”

Comentários

  1. O status final de Jerusalém é um assunto muito delicado, pois não passa apenas por disputas territoriais, mas também por questões religiosas e emocionais. Tanto é que nenhum dos acordos de paz já propostos contempla uma solução, e todos deixam em aberto a questão para “posterior deliberação”.

    Eu mesmo não tenho uma opinião formada sobre qual seria a melhor solução. Acho apenas que qualquer solução que seja proposta deve garantir a todos os interessados (judeus, muçulmanos e cristãos) a segurança e tranquilidade de visitar seus lugares sagrados. Mas ainda não encontrei uma forma de lograr tal objetivo.

  2. enquanto pertencia à Jordânia (nunca pertenceu a nenhuma ‘Palestina’), era mal tratada, com entulhos e sujeira em todos os lados e ppalmente nos locais santos judaicos era vandalizada. Sanitários foram colocados em frente ao ‘Muro das Lamentações’! Poucos podiam circular na cidade. Judeus/Israelitas, jamais! Hoje é uma cidade aberta a todas as religiões…

  3. Você se diz morador de Jerusalém ocidental, no entanto, seu interesse está claro: a parte oriental e as “injustiças” cometidas pelos judeus.
    O Haaretz há muito não pode ser considerado como opinião israelense, pelo menos não da maioria, na medida em que o jornal representa hoje 5% dos leitores de jornais e com tendência a queda a cada ano.
    Desses árabes moradores de Jerusalém que você computa como 38%, quantos deles pagam impostos e tem negócios legalizados em Jerusalém? A maioria não quer pagar impostos, prefere viver à margem da sociedade, mas exige a contrapartida.
    É só olhar o mercado árabe da cidade velha para ver como o comércio é feito e verificar que ali não há qualquer sinal de regulamentação, muito menos de emissão de uma nota fiscal, o que não ocorre na maioria dos estabelecimentos judaicos.
    Na divisão da cidade velha, sobra aos judeus uma pequena parte, a menor delas e nem assim isso é considerado justo. (as outras partes são muçulmana – a maior, cristã e armênia). O restante o Joel já explicou acima.

    1. Cara Marta, o Haaretz é um jornal de respeito. Ele está sendo citado por ser um dos únicos que tem a ousadia de denunciar os feitos do governo contra os palestinos, dado seu alinhamento mais à esquerda. Infelizmente ele tem perdido leitores por causa de um crescimento do conservadorismo em Israel, mas ainda assim (e talvez por isso mesmo) é uma voz a ser ouvida.

      Quanto aos moradores árabes de Jerusalém, difícil dizer quantos pagam impostos ou têm negócios legalizados, mas com certeza o mercado árabe (o famoso Shuk) não é um argumento válido, já que não é representativo da maioria dos cidadãos árabes.

      Quanto a não querer pagar impostos, o que veio antes, o ovo ou a galinha? É difícil dizer se a prefeitura não lhes destina verbas porque não querem pagar impostos ou se não querem pagar impostos porque a prefeitura não lhes destina verbas. Fato é que os bairros orientais não recebem tanto investimento em infra-estrutura quanto os ocidentais.

      A cidade velha é uma pequena porção de Jerusalém. A Jerusalém oriental que os palestinos reivindicam é a parte onde ficam os bairros predominantemente árabes a leste da cidade velha, e logicamente a esplanada das mesquitas também. E é aí que reside o problema, pois a esplanada das mesquitas foi construída aonde se encontrava o Templo Sagrado dos hebreus bíblicos.

  4. Jerusalem nunca entrara em questao,
    seja qual for a ideia.Jerusalem e
    INDIVISIVEL e pertence SIM legitimamente
    a Israel ,nao ha discussao sobre isto.
    Quem quiser que venha toma-la se for
    capaz,pago para ver.

    1. O engraçado é que provavelmente essa bravata já foi pronunciada várias vezes ao longo dos séculos. A cidade mudou de mãos várias vezes ( Assirios, Babilonios, Gregos, Romanos, Persas, … )

      1. Pois e Ricardo,nestes seculos passados tambem tentaram sem sucesso nos eliminar
        do Mapa,o que tambem ja faz parte de
        uma Historia passada,nao e?
        Este passado ja nao existe mais,entendeu
        o recado? ja foi.

  5. Jerusalém é um lugar sagrado para judeus e cristãos, e precisa ser preservada a qualquer preço. Ponto final.

  6. “O Corão não menciona Jerusalém e Maomé nunca pisou na cidade. Jerusalém foi conquistada pelos exércitos muçulmanos em 636, após a morte de Maomé. Os muçulmanos afirmam que o Corão menciona “a mesquita distante” , Al-Aqsa em árabe, e que isso seria uma referência corânica a Jerusalém. Isso não procede porque a Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém não tinha sido construída quando o Alcorão foi escrito, então a referência é para alguma outra (ou qualquer outra) “mesquita mais distante”.
    Em contraste, Jerusalém é, e sempre foi uma cidade sagrada para os judeus. As orações diárias dos judeus estão focados em Jerusalém. A Bíblia hebraica menciona Sião e Jerusalém centenas de vezes e o Corão nenhuma. Judeus voltam-se para Jerusálem e os muçulmanos para Meca”.
    Durante a ocupação de Jerusálem pelos jordanianos a cidade nunca foi pleiteada para ser Capital de algum Estado Palestino e nunca houve interesse ou consideração maior em considera-la uma cidade de importância histórica e/ou religiosa nos padrões muçulmanos vigentes anteriormente. A partir da retomada israelense e com o decorrer dos anos, palestinos, e muçulmanos em geral, “descobriram” Jerusálem como futura capital de um Estado Palestino e sua ” grande importância” para a religiosidade islâmica.
    Devemos ressaltar que, com a administração Israelense, ao contrário da jordaniana, Jerusálem tornou-se uma cidade aberta à todas as religiões, com um cuidado de melhorias em todos os níveis para seus cidadãos. E, particularmente, a Cidade Velha é visitada por milhões de turistas e peregrinos, que através dos seus oito portões permitem o acesso à Cidade Antiga, dividida em quatro bairros: o Bairro Muçulmano, o Bairro Judeu, o Bairro Cristão, e o Bairro Arménio.

    Se por acaso tiver cometido alguma inverdade que me corrijam.

    1. Luiz, não é uma correção, mas vale observar que a princípio os muçulmanos rezavam orientados para Jerusalém, e não para Meca. Obrigado pelos comentários.

    2. O historiador Muhammad ibn Ishak compilou narrativas orais sobre Maomé e pode ser considerado como o primeiro biógrafo do mesmo. Não se sabe ao certo quando ele o fez, mas considerando que nasceu em 704 D.C. é seguro se arriscar um palpite que ele deva ter concluído seu trabalho até por volta do ano 750. Em seu trabalho, ele já interpretava o termo “al-Masjid al-Aqsa” como sendo Jerusalém, ou seja, muito antes da conquista de Jerusalém por Israel em 1967. O Califa Omar (cujo califado durou de 634 a 644) chegou a construir uma pequena casa de oração no local, que foi expandida e se tornou a mesquita em questão por volta de 705. Houve uma sucessão de destruições por terremotos e subsequentes reconstruções, até que em 1033 o califa Ali az-Zahir comandou a reconstrução na versão que permanece até hoje – novamente, bem antes de 1967.

      Vale notar, a título de curiosidade, que a construção de cúpula dourada que muita gente acredita ser a mesquita Al-Aqsa é, na verdade, o Domo da Rocha – a mesquita propriamente dita é uma construção menor ao lado do Domo, de cúpula prateada, chamado de al-Jami al Aqsa. A toda a área que engloba o Domo da Rocha e a mesquita de al-Aqsa (também conhecida como Mesquita de Omar) se atribui o nome “al-Masjid al-Aqsa”.

      O Domo foi construído em torno de uma pedra aonde os muçulmanos acreditam que ocorreu a passagem bíblica do sacrifício de Isaac (ou Ismael, na narrativa muçulmana) por Abraão, e também a ascenção de Maomé ao céu em sua Jornada Noturna. É um lugar muito bonito de se visitar, praticamente obrigatório para qualquer um que passe por Jerusalém. O Domo em si foi construído pelo califa Abd al-Malik em 691, e foi reformado diversas vezes.

      A própria palavra masjid, que deu origem ao nome “mesquita”, pode ser interpretada simplesmente como um local para rezar, e não necessariamente uma mesquita propriamente dita, sendo também aceito seu uso para referenciar locais de culto de outras religiões monoteístas. Masjid vem de sajada, que significa se prostrar. As mesquitas também podem ser chamadas de jami, que significa a grosso modo congregação. Ou seja, o fato de não haver uma mesquita em Jerusalém à época de Maomé não necessariamente invalida a crença de que Jerusalém é o local da Jornada Noturna.

      Tudo isso mostra que Jerusalém já era importante antes da conquista por Israel em 1967. Talvez não tão importante quanto depois disso, pois acabou sendo transformada pelas lideranças árabes em símbolo da resistência palestina, em grande parte como forma de direcionar a grande massa de religiosos muçulmanos a colocar-se contra Israel.

      Discutir o status de Jerusalém através de uma ótica religiosa é algo difícil e sujeito a radicalismos de ambos os lados (vide o ponderado comentário do Fabio de Israel). Na verdade, de nada adianta questionar seo o Corão menciona Jerusalém ou não, se lá é de fato o local da “mesquita mais distante”, se a bíblia menciona Jerusalém centenas de vezes. Nada disso é argumento suficiente para provar que a cidade deva pertencer a um ou outro povo. O que deve ser garantido, seja qual for a solução, é o acesso seguro de membros de cada religião a seus lugares sagrados, e a preservação dos mesmos, não importa quem esteja no controle.

      1. “””O que deve ser garantido, seja qual for a solução, é o acesso seguro de membros de cada religião a seus lugares sagrados, e a preservação dos mesmos, não importa quem esteja no controle.”””

        Exatamente, Beto.

        É tudo que NÃO vai acontecer se jerusalém cair nas mãos do islam.

        Veja a primavera islâmica e admita que os não-muçulmanos estão sendo massacrados naquele pedaço.

        Um exemplo:

        http://www.gatestoneinstitute.org/3033/muslim-persecution-of-christians-march-2012

        The Grand Mufti of Saudi Arabia, one of the Islamic world’s highest religious authorities, declared that it is “necessary to destroy all the churches of the region.”

      2. Seu primeiro parágrafo é um primor de falácias. Vai de não se sabe ao certo à arriscar palpite. Um primor de fantasias das mil e uma noites.
        O Profeta nasceu em 570DC e morreu em 632DC. A partir destas datas insira-se ou não a criação das Mesquitas referenciadas. E, repetindo : “Maomé jamais poderia ter a mesquita de Al Aqsa ( em Jerusálem ) em mente quando escreveu o Corão, pois esta passou a existir somente três gerações após sua morte. Maomé evidentemente referia-se à mesquita de Meca como a “sagrada” e à mesquita de Medina como a “distante”.
        Qualquer um pode interpretar e decodificar passagens religiosas ao bel prazer de seus interesses e propósitos. Porém, saindo do nível histórico comprovado vira mistificação.
        Qualquer estória diferente podemos considerar como mitológica para justificar o injustificável acerca de Jerusálem, e, sua verdadeira história quando a sua importância ( maior ou menor ) para muçulmanos, cristãos e judeus. Estudos de descobertas arqueológicas e provas escritas documentadas daquela região milenar também ilustram a história de Jerusálem.
        “O que deve ser garantido, seja qual for a solução, é o acesso seguro de membros de cada religião a seus lugares sagrados, e a preservação dos mesmos, não importa quem esteja no controle”. Esta sua citação, Israel já cumpre desde 1967 e antes disso os jordanianos não o faziam e o mundo calou-se, como sempre, como era de se esperar.

        1. Luiz, parece que você gosta mesmo dessa palavra, “falácia”. Eu já disse e repito, só porque você não concorda com um argumento não quer dizer que seja uma falácia. Por exemplo, eu poderia dizer que seu trecho “Maomé EVIDENTEMENTE referia-se…” (grifo meu) é uma falácia, pois você não aponta evidências de sua evidente afirmação, mas vou simplesmente dizer que não concordo enquanto não me forem apresentadas evidências. Meu primeiro parágrafo serve para mostrar que já bem antes de 1967, algumas décadas após a morte de Maomé, já se interpretava o local da Jornada Noturna de Maomé como sendo Jerusalém.

          E como você gosta de ofender os outros dizendo que não sabem interpretar um texto, eu suponho que você saiba ler e interpretar o que escrevi. Meu argumento é de que Maomé realmente não estava se referindo à Mesquita de Al Aqsa, pois esta ainda não existia, mas ele estava se referindo a um lugar de oração (“masjid”), e os muçulmanos desde o século 8 acreditam que o lugar em questão seja Jerusalém.

          Sob uma ótica puramente científica e desprovida de misticismo e crenças religiosas, é altamente provável que Maomé nunca tenha colocado os pés em Jerusalém. Assim como é altamente improvável que o povo judeu tenha se originado de um único homem (Abraão), que ouviu uma voz divina prometendo-lhe uma terra para seus descendentes, que surgiram a partir dos 12 filhos de Jacó escravizados no Egito. Toda religião é manipulada e transformada de acordo com os interesses dos líderes vigentes. Assim foi com a Igreja Católica, que consolidou boa parte de sua liturgia e de seu dogma através de líderes como São Tomás de Aquino, ou o judaísmo, cujos costumes hoje são bem diferentes do que eram à época de Moisés ou David, e com o Islã, que tomou forma de acordo com os interesses dos sucessivos califas. Mas por mais que a crença em Jerusalém como a terceira cidade sagrada do Islã tenha surgido depois da morte de Maomé, talvez como forma de incentivar a conversão ou ganhar o apoio das comunidades judaicas, fato é que essa crença é bem mais antiga que 1967.

          Por outro lado, concordo com você que o mundo árabe nunca deu tanto valor e importância a Jerusalém até Israel conquistá-la em 1967, e os judeus há vários séculos dizem ao final do Seder de Pessach (o jantar tradicional da páscoa judaica) “Bashaná habaá biyrushalayim”, ou “No ano que vem, em Jerusalém”. Mas isso não quer dizer que automaticamente os judeus tenham direito sobre a posse. Eu também concordo que o regime jordaniano não dava acesso a Jerusalém a cidadãos israelenses, fossem eles cristãos, muçulmanos ou judeus, e proibiu também o acesso de judeus de qualquer cidadania. E eu também sei que eles destruíram 58 sinagogas em Jerusalém ocidental, desecraram o cemitério do Monte das Oliveiras, e usaram as pedras dos túmulos para construír estradas. Mas os jordanianos não são os palestinos. Aliás, os refugiados palestinos foram perseguidos e massacrados pelos jordanianos.

          A cidade é claramente dividida entre bairros judaicos e bairros árabes (divisão essa causada pelos êxodos forçados em ambos os lados da Linha Verde de 1949), e existem alguns assentamentos judaicos forçadamente construídos em meio aos bairros árabes do lado oriental ao longo do tempo propositalmente para tentar legitimizar a posse da região inteira. Os palestinos reivindicam a porção oriental da cidade, sob a proposta do retorno às fronteiras pré-1967. O problema reside na Cidade Velha, que ficaria assim totalmente sob controle palestino. Como os jordanianos em 1949 se comprometeram perante a ONU a garantir livre acesso aos fiéis das três religiões a seus sítios sagrados, mas negaram esse acesso aos judeus, é compreensível que os judeus não vejam com bons olhos a possibilidade da Cidade Velha sair de seu controle. Mas a reivindicação dos palestinos não pode ser refutada desta forma. Uma solução deve ser alcançada, espero que num futuro próximo, que não necessariamente agrade a nenhum dos lados, mas satisfaça as necessidades de ambos na medida do possível.

          1. “Meu primeiro parágrafo serve para mostrar que já bem antes de 1967, algumas décadas após a morte de Maomé, já se interpretava o local da Jornada Noturna de Maomé como sendo Jerusalém.
            Em seu trabalho, ele já interpretava o termo “al-Masjid al-Aqsa” como sendo Jerusalém, ou seja, muito antes da conquista de Jerusalém por Israel em 1967.
            Ou seja, o fato de não haver uma mesquita em Jerusalém à época de Maomé não necessariamente invalida a crença de que Jerusalém é o local da Jornada Noturna.
            Meu argumento é de que Maomé realmente não estava se referindo à Mesquita de Al Aqsa, pois esta ainda não existia.
            Sob uma ótica puramente científica e desprovida de misticismo e crenças religiosas, é altamente provável que Maomé nunca tenha colocado os pés em Jerusalém.
            Mas por mais que a crença em Jerusalém como a terceira cidade sagrada do Islã tenha surgido depois da morte de Maomé, talvez como forma de incentivar a conversão ou ganhar o apoio das comunidades judaicas, fato é que essa crença é bem mais antiga que 1967”.

            Vários trechos de sua escrita.
            Tirando a repetição do número cabalístico (1967), ficam idas e vindas para atestar o que eu invocava :
            “Maomé jamais poderia ter a mesquita de Al Aqsa ( em Jerusálem ) em mente quando escreveu o Corão, pois esta passou a existir somente três gerações após sua morte. Maomé evidentemente referia-se à mesquita de Meca como a “sagrada” e à mesquita de Medina como a “distante”.

            Resumindo, explicando e reafirmando, Jerusálem tem um significado espiritual e religioso para o povo judeu maior do que para o povo islâmico.
            Não deve ser difícil entender ao que me refiro e simplesmente ao que me refiro. Ponto Final !

          2. Luiz, minhas menções “cabalísticas” a 1967, o ano da conquista de Jerusalém por Israel, servem de contraponto a seu argumento de que apenas após essa conquista é que os muçulmanos passaram a se importar com a cidade. Eu mostro que muito antes dessa conquista já se considerava Jerusalém como o local da Jornada Noturna.

            É claro que Maomé não poderia ter a Mesquita em si em mente, mas não há evidências de que “al-masjid al-aqsa” se refere a Medina e não Jerusalém pois, como eu já falei, a palavra “masjid” não é restrita a uma mesquita. Mas isso não importa, pois estaríamos discutindo interpretações de um texto religioso como base para argumentos sobre a posse da cidade. E isso vale para a Torá também.

            Eu concordo com você, Jerusalém tem um significado espiritual e religioso bem maior para os judeus do que para os muçulmanos, mas não se trata de uma competição. A reivindicação dos palestinos a Jerusalém Oriental não pode ser dispensada simplesmente baseado no argumento de significado espiritual. Um acordo entre ambas as partes deve ser feito, e qualquer tipo de acordo está destinado a não agradar nenhum dos dois, mas é fundamental para a convivência.

  7. Prezado Diogo , agradecendo igualmente, e colocando um adendo.

    Maomé jamais poderia ter a mesquita de Al Aqsa ( em Jerusálem ) em mente quando escreveu o Corão, pois esta passou a existir somente três gerações após sua morte. Maomé evidentemente referia-se à mesquita de Meca como a “sagrada” e à mesquita de Medina como a “distante”.
    A oração em direção a Jerusalém, que havia sido permitida por pouco tempo, teria sido posta em prática como uma tentativa de agradar aos judeus e leva-los à conversão ao islamismo. Maomé, com a não aceitação dos judeus à conversão volta atrás, e passa-se a proibir as orações em direção a Jerusalém pelos muçulmanos. E torna-se obrigatória, a partir de então, as orações em direção à Meca.

    1. Luiz.

      E a questão do templo de Salomão por baixo da mesquita de Al Aqsa? Há quem diga que é essa a verdadeira questão.

  8. Que bom que agora temos como comentar assuntos do OM com alguem que está por la.
    Eu acho que a disputa por Jerusalem é apenas um detalhe da eterna luta para finalmente oficializar um país chamado Palestina. Um direito que os judeus continuam negando aos palestinos e porisso esse impasse com guerrilhas vai continuar eternamente.
    Alem disso acho que ja passou da hora do Grande Protetor de Israel = EUA acabar com a arrogancia israelita e fazer com que se reconheça finalmente uma região palestina dividida entre Dois Países de Fato.

  9. Os judeus moraram em Yerushalaim, que foi sua capital, 33 anos durante o reinado do Rei David, os primeiros anos do reinado de Shlomo, 410 anos do Primeiro Templo, 420 anos do Segundo Templo, além de centenas de anos nos quais os judeus, mesmo perseguidos, humilhados e mortos, insistiram em fixar residência lá, além de milhares de sábios,que durante gerações incontáveis, empreendiam viagens de meses de travessia, perigosíssimas,para terem seus dias finais na Cidade Santa. Yerushalaim vem dos termos hebraicos Yreh Shalem ,Que significa Temor Completo! É de lá, com a reconstrução do Terceiro Templo e pacificação do mondo, que o tão esperado Rei Mashiach ensinará a Humanidade a servir Um Único D-us, com todo o coração!!!!!!!!

  10. Do ponto de vista do colonizador e dominador Jerusalém hoje pertence sim a Israel assim como foi um dia dos Assírios,Babilônicos,etc..Do ponto de vista cultural e religioso é inegável a importância histórica da cidade tanto pros judeus,muçulmanos e cristãos sem entrar no mérito de pra quem é mais ou menos importante.
    Em um primeiro momento estou mais inclinado a aceitar a recomendação que foi feita no Plano de Partição de 1947 de considerar a cidade um corpus separatum sob administração das UN até que um referendum decidisse o seu futuro mas sabemos que em pleno séc. XXI o poder das armas ainda fala mais alto.

    1. Destrinchando o besteirol :

      Como bem dissestes, “foi” . Agora é tempo presente, portanto Jerusálem é de fato a Capital de Israel e quem decide é o Estado soberano de Israel. Nenhum país decide por outro aonde que queira que seja a sua Capital.
      Se soubesses interpretar um texto ( será ).
      Acima já expliquei a não importância de Jerusálem para os muçulmanos. Para os cristãos existe pelo fato do judeu Jesus Cristo ter nascido, vivido e morrido na Judéia, a qual foi invadida e ocupado pelos romanos à época ( aproveita e tente decifrar, pelo menos tente, num livro de história e não de “estória” acerca da História do nosso mundo ).
      Voce inclinado, deitado, de cócoras, de quatro, de cabeça prá baixo ou de que lado estiver, não influencia em nada qualquer coisa deliberada sobre Israel.
      E como um bom ignorante ( ou finges ? ) desconheces que quem não aceitou a Partilha foram os palestinos e países árabes. Tendo Israel, já como país independente, ter sido invadido por cinco países árabes ( Guerra da Independência) e por conta do armistício, novas fronteiras tornaram-se delimitadas, motivadas pela defesa do território israelense. Agressores e derrotados não são os interlocutores principais em demandas fronteiriças em que são culpados pela agressão à um país soberano. Leis Internacionais existem para dirimir contendas de ataques e guerras que envolvam fronteiras e suas seguranças perante tais agressões.
      Jerusálem ficou de 1948 a 1967 sob domínio jordaniano. Em todo este período, porque nunca os palestinos pleitearam a cidade como sua capital. Será porque naquela época ainda não havia a tal importância histórica, cultural e religiosa. Mas que, súbitamente após a retomada de Jerusálem pelos israelenses passa a ter ????

      1. Se vc viu alguma pretensão no que eu expus não foi minha intensão,aliás os únicos que possuem o direito e o dever de deliberar algo dentro de um país é o seu próprio povo.
        Quando a minha ignorância no conhecimento da história da partilha e do sionismo(que não é a minha história) que apenas sionistas como vc não aceitam já discutimos em posts anteriores.

    2. Pois é, Moisés, mas eu acho que essa recomendação foi feita justamente por que eles não conseguiam chegar a uma conclusão do que deveria ser feito exatamente. Nunca houve um detalhamento de como funcionaria esse corpus separatum, quem teria direito a opinar no referendo, o que seria proposto no referendo…

      1. À boa observação do seu comentário” o acesso seguro de membros de cada religião a seus lugares sagrados, e a preservação dos mesmos, não importa quem esteja no controle”,acrescentaria o estabelecimento dos princípios básicos de uma democracia de justiça,igualdade e liberdade pra sua população.

        1. Aprendas a interpretar um texto. Justamente o que voce preconiza nunca foi respeitado quando Jerusálem esava sob domínio jordaniano. Já ignorar a história, seja qual seja, do que se proponha opinar, um conselho : não opine.
          Ou, pelo menos, tenha um mínimo de conhecimento antes de discorrer sobre algo que desconheças.

  11. Na minha opinião o vaticano deveria mudar
    para Jerusalém, porque em Roma, lá que tudo começou.

    1. Onde tudo começou? Então deve mudar para Belém, onde nasceu o filho de José e Maria. Ou melhor, ainda, para Nazaré, onde foi concebido. Pensando bem, melhor mesmo que continue em Roma, né?

  12. É inconcebível ver Israel sem Jerusalém em sua inteireza. Penso que sob esse aspecto não há muito o que dizer, a não ser que nem um centímetro quadrado dessa cidade está à venda ou sujeito a doação ou troca por nenhum valor ou (mais provavelmente) por chuva de kassam ou foguete que o valha. Entretanto, o governo precisa fazer a outra parte entender e aceitar essa irrevogável posição como parte de qualquer eventual e possível acordo.

  13. Segundo a Kabaláh,todas as preces feitas pelos judeus do mundo inteiro sào transportadas para a Tumba dos Patriarcas ,em Chevron, de lá transferidas para o Santo dos Santos, área mais íntima e interna do Templo, seu espaço localizado ,a cinco metros atrás do Muro das Lamentações, no Monte do Templo, em Yerushalaim e .de lá são elevadas direto para Os Céus!!!!!!!!!!!!!!

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