Yom HaShoah

Hoje, às 10h, Israel parou. Motoristas desceram dos carros. Ônibus estacionaram no meio da rua. Todos saíram dos veículos, das lojas, de onde estivessem –para ficar de pé por dois minutos, como forma de relembrar o Holocausto, em que 6 milhões de judeus foram mortos pela sombra nazista. Uma sirene tocava durante todo o tempo.

Eu estava neste momento no shuk, o mercadão a céu aberto no bairro de Nachlaot. Fui para lá com a câmera em mãos, tendo em mente registrar alguns segundos desse momento respeitoso. Vocês podem assistir ao vídeo clicando na imagem acima.

Tenho ciência de que falar de Holocausto é sempre delicado. Já antecipo as discussões, nos comentários a este relato. Tudo bem, se ninguém perder a linha –aqui em Israel também se discute o tempo todo sobre o Holocausto, ou “Shoah”, em hebraico.

Não me refiro aos revisionistas ou a quem defenda que o massacre não ocorreu. Mas a quem se pergunta, por exemplo, qual foi o impacto do Holocausto para a formação do Estado de Israel.

Quando fez seu malfadado Discurso do Cairo, o presidente americano Barack Obama deu a entender que relacionava os dois fatos históricos (Holocausto e criação de Israel). É uma posição controversa, e essa foi uma crítica feita a ele durante todo seu primeiro mandato. De modo que, quando esteve aqui, no mês passado, Obama fez questão de dizer que o Estado israelense é fruto não do massacre, mas do esforço sionista.

Comentários

  1. Meus sentimentos, judeu. O impacto do Holocausto, para formação de Israel, fora fundamental para que esse esforço tivesse sucesso em sua primeira fase, assim dando impulso à segunda fase que tem em seu âmago o expancionismo econômico, tecnológio, humano, bélico, etc. Se vai dar certo a segunda fase ( busca pela supremacia) é uma incógnita, porém o que é + ou – certo é o advento de mais um Holocausto para confirmar que não aprendemos nada com o passado e que pimenta no traseiro dos outros é refresco.

    1. _ ” porém o que é + ou – certo é o advento de mais um Holocausto para confirmar que não aprendemos nada com o passado e que pimenta no traseiro dos outros é refresco”_

      Podias explicar melhor. Não entendi a colocação.

    1. sim existe um motivo, que é a rebelião do gueto de varsóvia. a data de 27 de janeiro, mundial, refere-se a libertação do campo de concentração de auschwitz.

  2. Os israelenses já tentavam conquistar sua independência. Existe em Latrun, próximo a Jerusalém, um kibutz que fabricava armamentos para uma tentativa de libertação de Israel do mandato britânico. Agora é um museu, você pode visitá-lo.
    Não dá para saber se eles conseguiriam assim o seu estado, mas quando a ONU criou o Estado de Israel e os países árabes atacaram logo após o anúncio, eles estavam preparados para se defender com essas mesmas armas.
    obs: esse homem vendendo tâmaras no seu vídeo é um chato. Ele vendia morangos e eu um dia, acostumada às feiras livres do Brasil, peguei um para experimentar e ele ficou muito bravo, mas eu ia comprar mesmo. Comprei e, depois que ele pesou, eu devolvi um morango à banca. Os morangos aí estão demais!

    1. Marta,com relação a “tentativa de libertação de Israel do mandato britânico” e ” os países árabes atacaram logo após o anúncio”,creio q o principal motivo das discussões polêmicas de hoje se deve a diferença entre estes pontos de vista sionista e os registros históricos e não sabendo se é do seu conhecimento tentarei expor abaixo:

      -Com relação a primeira expressão o fato é q não pode haver tentativa de libertação de algo q ainda não existia.A verdade é q os ingleses haviam prometido aos sionistas em 1917 a tão sonhada “terra prometida” através da declaração de Balfour e acordos q seriam um dos maiores migué da história sobre um povo(palestino).Aqui o pavio do barril de pólvora foi aceso, o ponto de partida de acontecimentos q iriam tumultuar irremediavelmente o OM em uma espiral de conflitos sem fim onde todas as ações e reações advindas daí seriam justificáveis.E tudo isso por que os autores principais não foram chamados pra grande festa.
      A fim de conter a revolta árabe os britânicos impuseram limites as pretensões expansionista dos sionistas q inconformados foram pro “pau” pra cima dos ingleses(q ironia,não) efetuando uma série de assassinatos e atentados inaugurando um ciclo de atos terroristas q iriam inspirar a formação de células do terrorismo mundo afora.
      – Com relação a sua segunda expressão,mesmo com a aprovação da resolução 181 da ONU em 1947 q ampliou de 20 pra 55% a área territorial da palestina destinada aos judeus a AGÊNCIA JUDAICA NÃO FICOU SATISFEITA COM VÁRIAS QUESTÕES,SENDO UMA DELAS A RESTRIÇÃO AO LIMITE TERRITORIAL DO FUTURO ESTADO JUDEU e cientes de terem uma organização paramilitar bem organizada e treinada frente a uma resistência árabe desunida e desarticulada política e militarmente executaram de forma planejada e deliberada a Nakba,de modo q apenas alguns meses após o inicício da Nakba é q houve a reação militar dos países árabes.
      O não reconhecimento por parte de um judeu-sionista-israelense destes fatos torna qualquer discussão convergente praticamente impossível quanto aos fatos atuais.

      1. É muito divertido, mesmo que pouco original, a adoção de nomes judaicos por parte dos companheiros que fazem campanha diuturna para desligitimizar e demonizar Israel.
        Todos são mestres e doutores em “nakbadologia” . Estoriadores de mãos cheias na arte do revisionismo. Aprenderam direitinho com os outros companheiros, os do negacionismo.
        E os termos usados. Tão lindos, eruditos e profundos.
        Quem se atreveria a entrar numa “discussão convergente” com um letrado desses ?
        Só um louco varrido para encarar esses cabedais da estória !!! passada, recente e, por que não dizer futura. Já que esse pessoal também mexe com a futurologia “pós cognitiva” ( não sei bem o que é isso, mas resolvi me “amostrar” ).
        Em resumo, nunca discuta com esse tipo de gente para não se arrepender.

        E, principalmente, aprender !

        1. ando acompanhando o blog, e os comentarios, e ja não é o primeiro post que vc prefere atacar com quem não concorda, do que refutar o que escrevem. E agora deu pra inventar desculpa.
          talvez quem nao devesse perder o tempo com vc, sejam eles.

      2. Você está distorcendo fatos históricos e eu nem fico admirada! Eu conheço essa fala.
        Os acontecimentos antes da criação do Estado de Israel e as tentativas de libertação de Israel do mandato britânico existem até mesmo na literatura israelense. Após a criação do Estado, os países árabes atacaram em bloco sim, porque não aceitam até hoje a presença dos judeus em Israel, mas não conseguiram vencer, até hoje. BH

  3. Fico pensando no que passa na mente de todos neste momento, dor, ódio, revolta, tristeza? Eu, que não sou judeu, senti tristeza.
    O vídeo anexo do Youtube impressiona.

  4. 6 milhões? Tenho a nítida impressão de que daqui a uns anos vão dizer que foram 10. Tudo propaganda, vide Treblinka.

    1. Acredito que um comentário deste teor não caberia neste blog. Bem provável que este sujeito, alcunhado de jacob, nos brindará com observações cada vez mais judeófobas se não houver como moderá-lo.

      1. vc usa termos ofensivos como “pallywood”, “nakbadologia”, e nega massacres.
        nao reclame agora que aparecerem pessoas que neguem holocausto, e usem termos como “holohoax” e “Holowood”.
        vc abriu a porta.

        1. Voce é muito sensível, mas pouco perceptível. Determinados absurdos, de tão absurdos, é preferível nem discutir.
          Outros, nem tanto, a ironia serve como melhor resposta.
          Por último, eu não abri porta nenhuma. O Blog do Diogo é que é sempre aberto. Infelizmente, às vezes entram pessoas que confundem comentários com propaganda e/ou campanha a favor ou contra determinados segmentos que não condizem com a realidade.
          Não inicio nenhuma provocação em texto meu, mas me acho no direito de provocar quando provocado. Um Blog é aberto para melhorar a discussão e aprimorar nosso conhecimento sobre determinados temas. Os donos da verdade gostam de fazer palanque para defenderem normalmente o indefensável. Prefiro me pronunciar do que me omitir quando vem o caso.

          Exemplo :

          _”Jacob comentou : 6 milhões? Tenho a nítida impressão de que daqui a uns anos vão dizer que foram 10. Tudo propaganda, vide Treblinka” _

          Se eu me calo, consinto com um absurdo desses.
          Prefiro me pronunciar.

    2. Jacob, o que importa não são os números mas os danos imensuráveis e irreversíveis que a sanha nazista causou aos diversos povos e setores da sociedade européia. Além dos Judeus, foram massacrados Ciganos, socialistas, homosexuais, etc, etc. e porisso o holocausto não foi somente judaico. Será que seria mesmo melhor esquecer, “deixar prá lá” e “bola prá frente”? Talvez fosse melhor perguntar aos filhos, irmãos, parentes e amigos dos mortos. Porisso o Dia da Shoah. Esquecer, jamais.

  5. É incrível que além dos historiadores revisores (enganadores) do Holocausto, agora apareçam revisores da guerra de independência de 1948.
    Milhares de judeus em um país pequeno, sem exercito organizado, sem armas, foram atacados no dia seguinte ao da assembléia da ONU por diversos exércitos árabes com milhões de soldados. Milagrosamente e com muitas perdas eles conseguiram conter a invasão.
    Depois de 65 anos já tem gente tentando modificar a História. Abram os livros de História! Leiam! Se informem! Para não cair em ladainhas deste tipo!
    PS: Caro Diogo, você que está perto dos fatos, poderia fazer um texto sobre a guerra de 1948 e mostrar a todos as verdades dos fatos?

    1. pelos vistos a censura aqui e´ forte.
      mais uma vez entao:
      os responsaveis pelo revisionismo sao os sionistas. e nao o contrario. qlq livro de historia da região hj, escrito por sionistas ou nao, joga toda a narrativa classica sionista no lixo.
      pq vc nao abre um livro, le e se informa antes de mandarem os outros fazer?

  6. Olá a todos. Como é a primeira vez que posto aqui, primeiramente me apresento: sou judeu, e já morei um ano em Israel, portanto conheço um pouco do que se passa por lá. Descobri esse blog só hoje, e achei muito interessante a visão do Diogo. É uma visão razoavelmente neutra, já que ele não está alinhado com nenhum dos dois lados e pode dar uma opinião praticamente imparcial sobre o que observa. Meus parabéns ao Diogo e meus votos de que continue a escrever por muitos anos.

    Depois de devidamente puxar o saco, vou ao assunto. Na minha opinião, a Shoah foi o empurrão final de que a liderança sionista precisava para emplacar uma votação da partilha da Palestina na recém-criada ONU. O movimento sionista já trabalhava havia décadas com esse objetivo, cada corrente valendo-se de diferentes meios, de acordo com o que cada uma delas acreditava. Mas o braço político usou a tragédia da Segunda Guerra Mundial para alavancar a questão.

    Ao Moisés, digo que sua leitura, apesar de ser um tanto simplista e descartar vários outros fatores – como as ondas de imigração de judeus russos desde o fim do século 18, que já naquela época começaram a causar um certo atrito entre judeus e árabes na região – está bem fundamentada e mostra um outro lado dos acontecimentos. Lado este que os sionistas tentam desde 1947 suprimir: o lado da Nakba. Toda história tem pelo menos dois lados, e é bem sabido que a história é escrita pelos vencedores. Mas o outro lado existe, e sua narrativa e a consequente revisão da história do Estado de Israel tem tomado força desde que os documentos de 1947 foram tornados públicos segundo uma lei israelense que determina que documentos secretos devem ser divulgados depois de 30 anos. Portanto, esses documentos foram liberados e, durante os anos 80, um grupo de historiadores judeus israelenses – inicialmente independentes um do outro – começou a estudar esses documentos e descobrir um lado obscuro da independência do país. Esses historiadores, posteriormente chamados de “os novos historiadores”, foram em grande parte perseguidos em Israel, e são duramente atacados pelas comunidades judaicas no mundo afora. Esses historiadores viram que por trás da gloriosa história de heroísmo e luta da frágil comunidade judaica da Palestina contra todos os poderosos exércitos dos países árabes que os cercavam, numa alusão a David e Golias, existiam alguns episódios mal explicados e encobertos por propaganda.

    No entanto, judeus como o Luiz Rechtman e a Marta, que provavelmente cresceram aprendendo a narrativa oficial no colégio, no movimento juvenil ou em outros espaços da comunidade judaica, foram também educados a ter uma reação visceral a qualquer questionamento a esse respeito ou qualquer crítica às ações de Israel, rotulando seu interlocutor de louco, mentiroso ou anti-semita. Foram também ensinados a imputar toda e qualquer culpa pelo conflito aos árabes, e a repetir o dogma “Israel quer a paz, os árabes é que não querem”, entre outros. Eu sei disso, cresci ouvindo tudo isso, estudei em colégio judaico, frequentei movimentos juvenis judaicos, fui ativista na comunidade durante décadas, e também fazia o mesmo, defendia Israel incondicionalmente, e achava que qualquer crítica a Israel era um ataque anti-semita. Só que de uns tempos para cá abri meus olhos e passei a enxergar também o outro lado, o dos palestinos.

    Dito isso, não compactuo com gente como o Jacob, que se propõe a discutir o número de judeus mortos na Shoah e insinua que foi tudo uma grande armação. Pode-se até discutir a exatidão dos números, mas como bem disse o Benny Assayag, o que importa não são os números mas sim o fato de pessoas terem sido mortas por pertencerem a um povo, religião, etnia, ou pela sua opção sexual. A dor coletiva de um povo que sofreu tal perseguição deve ser respeitada. O que não equivale a permitir que tal dor seja usada como desculpa para perseguir e maltratar outros povos. A meu ver, nós judeus, por toda a perseguição que sofremos durante séculos, não temos o direito de praticarmos preconceito ou perseguir e oprimir quem quer que seja.

    Ao Ezequiel, digo que essa narrativa clássica do David contra o Golias é muito maniqueísta e irreal. A verdade é que atritos entre milícias árabes e judaicas já vinham escalando por décadas. E apesar de ainda não haver um exército organizado em 1947, haviam pelo menos três grandes milícias judaicas armadas, treinadas e organizadas. Abra um livro de história e leia.

    O que importa, a meu ver, é trazer à luz alguns episódios sombrios como o massacre de Deir Yassin, e fazer com que Israel assuma e se retrate por tais episódios, e passe a permitir aos palestinos um mínimo de dignidade e autonomia. O caminho para a paz e a convivência passa por aí. Afinal, nenhum dos dois lados conseguirá varrer o outro da face da terra, então quanto antes eles se derem conta de que devem aprender a coexistir, melhor.

    Shalom e Salam.

    1. Pense o que teria acontecido se os árabes houvessem ganho alguma das guerras. Será que teríamos uma democracia em Israel hoje em dia? Será que se falaria Hebraico da mesma forma que se fala árabe?
      Não podemos ser ingênuos. O massacre na Síria, no Iraque, no Afeganistão seriam fichinha…

      1. “Se…” não é argumento.
        Um dos motivos de não haver condenação ou resoluções por parte do Conselho de Segurança da ONU para a “invasão árabe”, é justamente pelo fato disso não ter acontecido. Exércitos engajaram forças israelenses, mas em território palestino invadido por Israel, e não em espaço soberano israelense (ONU).
        E que democracia à que você se refere? Votar e apenas votar, não é parâmetro para rotular um sistema político.
        Temos 2 cenários. O primeiro é que se assume o engodo sionista de uma “Eretz Yisrael”, e que todo território ocupado e sob controle israelita é, de facto, um sistema de apartheid (ONU; Anistia; HRW);
        E o segundo, é que desconsideramos o embuste “Eretz Yisrael”, e consideramos todos os territórios ocupados e controlados fora dos parâmetros do plano de partilha, como ilegalidades de acordo com o direito internacional, e consideramos apenas Israel da resolução 181. Mesmo assim isso não nos daria uma democracia.
        Como dizer que é democracia, se temos dispositivos legais (leis) cuja função é discriminar?
        Como dizer que é democracia, se há discriminação na distribuição de investimentos e benefícios?
        Como dizer que é democracia, se encaram a minoria como “ameaça demográfica”?
        Como dizer que é democracia sem que haja uma Constituição, ou uma Carta de Direitos, que assegure igualdade como principio básico?
        Não há como classificar um país que se enquadre em tal perfil, como democracia.
        Etnocracia, sim.

    2. Existe algo de “fake” no ar.

      Prezado Beto.

      Coloque seu verdadeiro nome e sobrenome para começarmos a acreditar numa pessoa e não num personagem.

      A propósito de Dir Yassin sugiro a leitura do livro : Blood Libel at Dir Yassin, de Dr. Uri Milstein.Talvez traga esclarecimentos melhores sobre o que houve naquela vila árabe.

      Shabat Shalom !

      1. Caro Luiz

        Em primeiro lugar, já tinha pedido ao Fabio de Israel, e peço a você – sem argumentos ad hominem. Tenho minhas razões para não me identificar, e tenho esse direito enquanto não ofender, difamar, caluniar ou fizer apologia a crimes. E afinal, quem me garante que você é realmente o Luiz Rechtman e que seu nome verdadeiro não é José das Couves Aguiar? Estamos aqui para comentar os artigos do Diogo e discutir temas relacionados ao Oriente Médio, não para apresentar RG e CPF.

        Sobre sua recomendação, eu já havia lido alguns trechos, ainda não consegui um exemplar do livro do Dr. Milstein. No entanto, eu acho que toda a explicação dele sobre o massacre de Deir Yassin ter sido forjado pela Haganá cheira a teoria da conspiração, ao estilo “9/11 was an inside job”. Os argumentos dele são muito frágeis e não se sustentam ante as provas documentais. E há os importantes testemunhos de soldados como Meir Pa’il, devidamente desacreditado por Milstein com o pífio argumento de que ele não estava lá.

        Deir Yassin não foi o único massacre. Há alguns testemunhos interessantes no zochrot.org, como esse aqui: http://zochrot.org/testimony/%D7%99%D7%A8%D7%97%D7%9E%D7%99%D7%90%D7%9C-%D7%9B%D7%94%D7%A0%D7%95%D7%91%D7%99%D7%A5-%D7%97%D7%99%D7%99%D7%9C-%D7%91%D7%A4%D7%9C%D7%9E%D7%97 , ou http://zochrot.org/en/testimony/yerachmiel-kahanovich-palmach-soldier em inglês. Há um tocante vídeo com o testemunho de Amnon Neumann aqui: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KS4OXOom_vk

        Vale ressaltar que as milícias árabes também cometeram massacres de aldeias judaicas, o que é igualmente condenável. Mas, como diz o ditado, um erro não justifica o outro. O que não podemos é varrer para debaixo do tapete os podres de Israel e acusar aqueles que tentam discutir o assunto de anti-semitismo.

        1. Prezado Pseudônimo, Beto

          Primeiramente, o Zé das Couves até agora é você. Continua não identificado.
          À propósito,não existe outro com meu nome no Brasil.
          Segundo, ” eu já havia lido alguns trechos” , soa mais falso do que nota de três reais.
          Terceiro, como você sabe de cor os nomes e sites das ONGs e congeneres, em Israel e no mundo, que apoiam a revisão histórica da criação do Estado de Israel. Sendo que, a maioria insiste em não reconhecer o Estado de fato constituído e, bem como, igualmente, outras organizações pregam simplesmente a destruição do Estado ( “do rio ao mar… ” // “jogar judeus ao mar” ; um clássico ! // “varrer Israel do mapa” // etc… ).
          Indago : me diga um nome de uma ONG, ou coisa parecida, não israelense/judaica, que exista em Gaza, Cisjordânia e/ou qualquer país islâmico que expresse que o Estado de Israel deva ser reconhecido, tendo o direito de viver em fronteiras com segurança, como qualquer país do planeta.

          No aguardo.

          1. Como diria Shakespeare, “O que há num nome?”…

            Achei que já tínhamos avançado nesse ponto, mas parece que preciso me fazer mais claro. Me identifico sob pseudônimo para proteger minha identidade e para poder expressar minhas opiniões livremente, sem que meus filhos – que estudam em colégio judaico e participam de várias outras atividades da comunidade – sofram represálias por causa dessas minhas opiniões. E novamente, em seu comentário inteiro, você se propôs a atacar minha pessoa ao invés de debater o assunto propriamente dito (falácia ad hominem).

            Não entendi o que você quer dizer com saber “de cor os nomes e sites das ONGs e congeneres, em Israel e no mundo, que apoiam a revisão histórica da criação do Estado de Israel”. Eu apenas apontei para um testemunho em um único site, zochrot.org, e não sabia de cor, procurei no gúglio. Se você olhar lá, verá no link “Who we are” (ou “Mi anachnu”, se preferir ler em hebraico – eu até sei me virar para falar hebraico, mas ler e escrever…) que boa parte dos membros é composta de judeus israelenses. E em nenhum lugar no site está escrito que eles não reconecem “o Estado de fato constituído”. E que organizações eu citei que “pregam simplesmente a destruição do Estado”?

            Mas é claro que uma informação desse tipo não se encontra em sites como http://www.betar.org.il, ou sites governamentais. Se você só aceita fontes sionistas, terá uma narrativa com viés sionista.

            Quanto à sua indagação final, infelizmente não conheço nenhuma ONG árabe ou muçulmana cujo propósito explícito seja defender o reconhecimento do Estado de Israel, e concordo que seja difícil existir algo assim. Mas afinal, o que isso prova? Israel não fez muitos amigos na comunidade árabe e muçulmana, então isso não deveria surpreender. E sim, eu entendo que a sociedade israelense é, ao menos na superfície, mais aberta a vozes dissidentes do que a sociedade árabe, palestina ou muçulmana em geral. Mas essas vozes dissidentes são sumariamente ignoradas ou rotuladas de “nakbadologia” ou de “judeus anti-semitas”.

            Quanto ao direito de Israel de viver em fronteiras com segurança, por favor, me diga quais são essas fronteiras? Elas envolvem o Golan? Gaza? Cisjordânia? Os assentamentos na Cisjordânia? São as fronteiras de 1967? Ou são as fronteiras originais da partilha da ONU? O próprio Estado nunca definiu suas fronteiras.

            Luiz, não me entenda mal, eu defendo a existência do Estado de Israel, e condeno veementemente qualquer ataque terrorista a civis israelenses. Mas da mesma forma, humanista e pacifista que sou, também condeno qualquer ataque israelense a civis palestinos. E condeno a forma cruel com que Israel lida com os palestinos no dia-a-dia. O que lhe peço é que tire o cabresto que lhe foi colocado desde a mais tenra idade, controle sua reação instintiva de defender Israel a qualquer custo, e tente enxergar a situação pelos olhos dos palestinos ao menos por um breve momento.

            Existem dois povos na região, e nenhum dos dois vai conseguir varrer o outro do mapa. Quanto antes ambos perceberem que precisam aprender a conviver, melhor. Para isto, ambos precisam enxergar o outro lado, e ambos precisam fazer concessões, em nome da paz, da convivência e do futuro de seus filhos.

        2. Na verdade, Uri Milstein é um creditado (apesar de controverso) historiador em referência à história militar de Israel.
          Tenho o referido livro, e mais uma coletânea de sua autoria com o nome de “History of War of Independence”, cujos foram usados como referencia bibliográfica em pesquisas minhas.
          Suficientemente curioso, a grande maioria (na minha experiência) de sionistas que invocam este livro, não o leram, e recomendam baseadas em revisões que foram feitas. O ponto do livro é questionar (embora com várias lacunas metodológicas) as circunstâncias em que o massacre ocorreu, e os exageros nas narrativas que foram explorados por 3 lados. Por um lado, pela esquerda israelense que procurava desacreditar a direita, por outro dos palestinos que procuravam chamar atenção da comunidade internacional para as agressões, e por outro lado dos grupos terroristas (Irgun e Lehi) que usaram essa história como “propaganda de terror”, com a intenção de diminuir a resistência em outras vilas e aldeias palestinas que viriam a ser depopuladas . O que ele não questiona, de facto, é que ouve sim um massacre (na verdade, em obras como “History…IV” e “No deportations, evacuations” ele mesmo expõem o terrorismo, e os massacres)
          Aliás, em entrevista com o historiador Benny Morris, o mesmo admite ter ciência que famílias inteiras foram executadas no decurso dessa invasão. (MORRIS, Benny. The Birth of the Palestinian Refugee Problem).
          O grande problema do cidadão médio que advoga pelo sionismo é justamente a falta de um senso do pensamento crítico, junto com a falta de conhecimento de causa. Existe quem defenda o sionismo, e é aberto e honesto com relação ao que defende (Milstein mesmo, é um exemplo). Muitos nem sabem a história do que estão defendendo.
          Aí entramos no ciclo de “ir até onde a ideologia permite ir”, e quando arranhamos a superfície vemos que não sobra muita coisa à não ser as mentiras, os chavões (abaixo), e as intimidações pessoais. A hasbara usual.

          1. Bravo, Martim, muito bem dito. O mais engraçado é que os que me atacam não percebem que eu sou sim sionista – no sentido de que defendo a existência de Israel. Mas não deixo de denunciar e condenar as atrocidades cometidas contra os palestinos, e o estado de apartheid vigente.

          2. A grande biblioteca de Alexandria ressurgiu ! Impressionante o acervo destacado.

            Azzam Pasha, Hazem Nusseibeh, Hussein Khalidi e a jóia maior da coroa islamofascista, o Gran Mufti de Jerusálem, Hajjamin Amin Al Husseini. Este, íntimo amigo de hitler e himller, organizador dos SS muçulmanos bósnios, responsáveis por milhares de assassinatos e deportações de judeus, ciganos, sérvios e croatas na II GG. O idealizador dos massacres contra judeus na Palestina em 1921, 1929 e 1936/37.
            O que esses quatro personagens tem em comum no episódio de Deir Yassin ?
            Resposta, a falsificação dos fatos ocorridos e a propaganda de sua divulgação.
            Al Husseini, discípulo de Goebbels, acreditava na perpetuação da mentira até torna-la verdade. Tática nazista contra os judeus, que conseguiu transformar uma Alemanha erudita num país bárbaro de assassinos.
            Se existem históricos de massacres na história do mundo quem melhor para os fantasiarem do que os grandes perpretadores dos mesmos.
            Vide Síria nos dias de hoje. A Líbia há pouco tempo. Vide estupros coletivos no Cairo. Vide degolamentos e empalamentos em vários conflitos sectários através dos séculos. Exemplos não faltam e, pelo que aparenta, que nunca faltarão.
            Já os judeus. Milhares de anos sendo perseguidos, mortos e massacrados, das formas mais diversas, possíveis e inimagináveis, porque não poder-se-ia lhes imputar um massacre. De preferência com requintes de extrema crueldade. Com estupros, com barrigas abertas por facas, com assassinatos cruéis de crianças, mulheres e idosos indefesos.
            Que cenas trágicas e repugnantes para se contar ao mundo.
            O tiro saiu pela culatra. A propaganda nojenta e mentirosa foi uma das que mais contribuiram para o exodo dos árabes palestinos. Vilas e cidades se esvaziaram com a invocação de Deir Yassin. O pânico se instalou entre aqueles que sabiam que tal tipo de barbárie não era incabível entre os seus. E que, naquele momento histórico os seus líderes disseram que ocorrera por parte dos judeus em Deir Yassin.
            Em abril de 2002 se invocou um outro grande massacre cometido pelos israelenses em Jenin. Outra farsa desmascarada depois de ser explorada exaustivamente pela propaganda árabe palestina.
            Em Gaza civis são tornados escudos humanos propositadamente e usados como propaganda de morte ( anunciada! ).
            Outros episódios serão imputados aos judeus israelenses agora e sempre.
            Faz parte de uma cultura que incriminar ao outro traz a redenção aos seus próprios erros.

          3. Como eu disse, a hasbara usual.
            Gente assim não está interessada em um debate, está interessada em papagaiar mentira.
            Não há estudos, não há fontes, não há contexto, não há documentação.
            Enfim, um verdadeiro desserviço ao ambiente.

  7. beto_w, lúcido comentário! Discutir, com serenidade, as políticas do governo de Israel, inclusive em relação aos palestinos e territórios, antes de apoiá-las cegamente não pode ser sinônimo de anti-sionismo mas um ato de respeito e amor a Israel. Por outro lado, dizer que o caminho para a paz e a convivência passa, necessariamente, pela retratação me parece muito claro, óbvio até. Sem isso não há campo para recuperação da dignidade árabe. E sem dignidade restaurada não há esperança pra ninguém. Muita Paz.

    1. uau, isso deve invalidar todos os pontos do argumento dele. afinal, judeus não criticam israel, e ser judeu é muito relevante para comentar o assunto. certo?!
      é pra rir?

      1. Pois é, tiago_baiano, se estou criticando Israel, é porque ou não sou judeu, ou sou um “judeu anti-semita”(o que quer que seja isso), e portanto meus argumentos devem ser sumariamente desconsiderados. Não sei se é para rir ou se é para chorar. Estou mais para o segundo…

    2. Da wikipedia:

      Um Argumentum ad hominem (latim, argumento contra a pessoa) é uma falácia identificada quando alguém procura negar uma proposição com uma crítica ao seu autor e não ao seu conteúdo. Um argumentum ad hominem é uma forte arma retórica, apesar de não possuir bases lógicas.

      A falácia ocorre pois conclui sobre o valor da proposição sem examinar seu conteúdo, o que é absurdo.

      O argumento contra a pessoa é uma das falácias caracterizadas pelo elemento da irrelevância, por concluir sobre o valor de uma proposição através da introdução, dentro do contexto da discussão, de um elemento que não tem relevância para isso, que neste caso é um juízo sobre o autor da proposição.

      Pode ser agrupado também entre as falácias que usam o estratagema do desvio de atenção, ao levar o foco da discussão para um elemento externo a ela, que são as considerações pessoais sobre o autor da proposição.

  8. Vamos fechar assim, quem não for judeu está proibido de comentar sobre Israel. Definitivamente, é pra rir.

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