Dois jovens brasileiros, Jerusalém e a esperança

O Orientalíssimo publica hoje a segunda e última parte da colaboração deste blog com os alunos da escola paulistana Peretz. O primeiro texto (leia aqui), sobre a viagem dos estudantes à Polônia, rendeu dezenas de comentários e uma longa discussão –nem sempre educada, o que me obrigou a mediar a participação dos leitores– sobre o Holocausto.

Desta vez, os alunos Gabriel Goldenstein e Renata Grubman Neves assinam um texto sobre a visita da turma a Israel.

Em respeito à religião de ambos os colaboradores, mantive a grafia que eles utilizaram para se referir a Deus (“D’us”), a partir da noção judaica de que o nome divino não deve ser utilizado em vão.

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A sensação de chegar em Israel é incrível. É sentir-se em casa. Israel, um país tão pequeno, com uma diversidade tão grande, tanto de povos como de ambientes –tudo isso nos aproxima cada vez mais de D’us e da religião.

Chegando da Polônia, parecia que estávamos passando por tudo pelo que os poucos judeus da época passaram ao ver a liberdade.

Começamos a viagem pelo deserto do Neguev, o que fez com que todos pensassem em como um país tão pequeno pode ter tantos diferentes espaços. Seguindo a viagem, e vendo essa grande diversidade, fizemos uma parada de uma noite em uma tenda beduína, onde conseguimos conhecer um pouco desta cultura, andando de camelo e dormindo em tendas típicas.

Subindo em direção a Jerusalém, vimos a paisagem mudar. Passamos, primeiro, por Massada, uma cidade no alto de uma montanha, último refúgio dos judeus para se protegerem dos romanos na época de Herodes. Também visitamos o mar Morto. Após conhecer todos esses lugares, finalmente chegamos ao ponto mais esperado, Jerusalém, onde fizemos uma parada que aproximou cada um de nós de D’us: o famoso Kotel (Muro das Lamentações). Ali, todos seguiram a crença nos bilhetinhos, deixando seus recados para D’us.

Estar diante do Muro das Lamentações em Tisha Be’Av (dia no calendário judaico que marca a destruição dos dois Templos) fez todos sentirem a tristeza que foi para os judeus da época.

O que achamos mais mágico em Jerusalém foi que esse é um lugar sagrado para todos. Apesar das disputas, Jerusalém é onde conseguimos ver também a coexistência dos povos que vivem em Israel. Poder estar nesses lugares e passar por momentos únicos com a turma com que convivemos desde pequenos fez tudo se tornar ainda mais importante.

Então seguimos a viagem para o norte, em direção a Tiberias, passando por diversos pontos em que a natureza predomina. Começamos pelo rio Jordão, vendo a fronteira com a Jordânia e a grande vegetação. Depois, visitamos Rosh Hanikrá e vimos o mar Mediterrâneo e a fronteira com o Líbano. Fizemos, em seguida, um passeio de barco pelo Kineret (mar da Galileia), tendo ao fundo as fronteiras de Israel com a Síria e com a Jordânia. Por fim, subimos no Har Bental (monte Bental), nas colinas de Golã.

A passagem pela Polônia nos fez mudar muito. Quando estávamos em Jerusalém, fomos ao Yad Vashem, o Museu do Holocausto, um dos lugares mais importantes. Ali, vimos mais uma vez que temos que ter esperança sempre. O caminho feito pelo museu, obrigando o visitante a passar por todos os espaços cronologicamente, faz você se sentir no começo sufocado –como os judeus da época. Mas, no final, há um espaço aberto com a vista para a cidade de Jerusalém, simbolizando a esperança que os judeus tinham e que têm de manter.

Viajando por todos os lugares estudados, nos lembrando das aulas junto com os amigos, foi uma das melhores experiências para nós. Chegando em Tel Aviv, no momento final, todos já estavam ficando com saudades da viagem. Agora nos olhamos com outros olhos, todos maduros. Agora podemos ter a certeza de que cada um vai ser uma pessoa diferente. Depois de passar por tudo o que passamos, não há como não mudar.

Todos agora cansados se preparando para chegar em casa, mas com a certeza de que, no fundo, queríamos ficar nesta terra e para cá nós vamos voltar.

Leshana habaá b’Yerushalaim –no ano que vem em Jerusalém.

Comentários

  1. Texto bem escrito, mas totalmente ingênuo. Parece que esses alunos são levados pra cá e pra lá com uma viseira no rosto. Só veem o que interessa aos organizadores. Ignoram totalmente o fato de que Israel mantém e explora colônias de forma ilegal e imoral, segrega e oprime os palestinos…

    1. Joao Guizzo,opressao a palestinos? Israel?
      Voce sabe quem os alimenta? quem da vida a eles? Agua,Luz,e tudo o que precisam?
      Pergunte a quem mora em Ramallah,como
      eles se sentem com trabalho e uma vida
      boa.Agora quem oprime os Palestinos e um bando chamado Hamas.estes sao os verdadeiros opressores,e nao ISRAEL.
      Que colonias sao essas? Isto e terra de
      Israel conquistada em GUERRA,se voce
      nao sabe,ou nao quer saber.
      Israel e um Pais de primeiro Mundo com
      65 anos de idade somente.O Tema aqui
      em questao e a SHOA,e nada mais.Nao ha
      comparacao nenhuma com Palestinos.
      Quem oprimiu Palestinos tambem foi a Jordania nos anos 70.Va se informar melhor.La e o lugar deles.

      1. Rejeito terminantemente o fundamentalismo dos terroristas do Hamas e de todos os outros grupos islâmicos quanto o fundamentalismo judaico – são todos iguais. Fico com as posições da ONU e da União Europeia, que são muito claras quanto à ocupação israelense. Assista o filme The Gatekeepers.

        1. Joao Guizzo,voce ja viu algum judeu se
          explodir em nome de Deus? matando inocentes civis?
          Assista entao o filme ”incendies”,e voce
          entendera o que e fundamentalismo.
          Uniao Europeia,e uma piada,assim como a
          ONU.Outra vez,venha visitar Israel e tirar
          suas conclusoes,ai sentado em sua poltrona escrevendo bobagens nao vai
          sair do lugar.

          1. Fábio, nenhum judeu vai se explodir em nome de Deus, ( eles sao muito inteligentes para isso) , mas, se a unica opcao para matar um importante terrorista palestino for explodir um predio e levar com ele umas 5 crianças palestinas ( usadas como escudo humano, ou nao…) , Israel nao vai hesitar, isso já foi feito antes, e tratado como ” efeito colateral”, mas para mim também e um ato terrorista, um terrorismo de Estado. Entendo o que os judeus sofreram com o nazismo ( em Novembro passado visitei um campo de concentracao na Alemanha) com a Santa Inquisicao, etc, entendo que nao deve ser nada fácil ver um parente ser explodido por um terrorista quando esta com a familia comendo uma pizza, mas isso nao pode ser um salvo conduto para Israel passar por cima de tudo e de todos para defender os seus. Os territórios ocupados por Israel eram originalmente de quem? Sao troféus de guerra, indenização pelos custos da guerra ou sao apenas territórios reconquistados? Estou falando isso com todo o respeito e que fique claro que detesto extremismo religioso , de qualquer espécie.

          2. Beta,voce esta completamente enganada.
            Israel so matou Arabes,em Guerra,quando
            estes se escondiam atras de criancas e velhos,nos NUNCA matamos Terroristas
            sem usar todas as formas possiveis para
            nao atingir ninguem que nao seja exclusivamente o terrorista.Ao contrario
            eles nao pensam 2 vezes,antes os CIVIS e depois o que vier e lucro.Aqui,tambem,
            outro erro seu,nos nunca usamos de nossa religiao para matar ninguem,mas os
            muculmanos nos odeiam e pregam a nossa morte,e muito diferente do que voce escreve ai em cima.A sua visao esta
            um pouco distorcida das coisas.O SHOA
            mostra e mostrou que NUNCA MAIS isto
            acontecera.

          3. Fábio, leia com cuidao o meu texto, eu nunca disse que os judeus usam a religião para matar os outros! Quem faz isso sao, geralmente, os muçulmanos extremistas. Agora, vc nao pode negar que o Mossad caca terroristas e os mata, da maneira que for preciso. Se para isso for possível poupar civis árabes, melhor, muito melhor, claro. De vez em quando , um carro transportando um terrorista ou um predio em que ele esteja abrigado junto com sua familia e explodido, sem que uma guerra ” oficial” esteja em andamento. Isso mata civis inocentes tb, tao inocentes quanto as crianças israelenses mortas em atentados. E vc nao me respondeu a quem originalmente pertenciam os territórios ocupados por Israel e reclamados por outras nações.
            Eu lembro de uma foto que eu vi em um jornal ( inclusive me pareceu tao absurda que eu ate a guardei em alguma gaveta ) em que crianças israelenses escreviam mensagem de incentivo a Israel, em mísseis que seriam lançados aos inimigos da ocasião ( acho que seriam direcionados ao Líbano), em resposta a uma agressao. O holocausto ( Shoa) foi um capitulo negro na historia da humanidade , mas crianças escrevendo em mísseis ….isso tb nao te parece absurdo ?

  2. Joao, para voce falar com mais propriedade, melhor visitar o local. Se sentir dominando um assunto com base em “verdades” dos outros…não resolve. Posso falar. Estive lá e vi como os palestinos vivem, como são subjugados pelo poder de terroristas. Já os muçulmanos e judeus, em maioria, querem paz.

    1. Não é esse o ponto. Há terroristas entre os palestinos e há terroristas entre os colonos judeus. Não sou a favor de nenhum deles. Sou contra o fundamentalismo judaico, cristão e islâmico. Invoco a ONU e a União Europeia para reafirmar que a ocupação de colônias por Israel é ilegal. E não precisa lei: Qualquer princípio moral e respeito aos direitos dos povos condena a ocupação.

  3. “Ignoram totalmente o fato de que Israel mantém e explora colônias de forma ilegal e imoral, segrega e oprime os palestinos’…. “Qualquer princípio moral e respeito aos direitos dos povos condena a ocupação”.

    Prezado João, em respeito a seu ponto de vista, no exato momento, que terras estão sob ocupação e que povos estão sendo oprimidos no mundo de hoje ?

    Os “judeus fundamentalistas” são minoria e não governam Israel. Os árabes são 20% da população e vivem em melhores condições de vida que a maioria dos seus irmãos em países islâmicos. Os palestinos além fronteiras, concordo, são oprimidos pelos seus dirigentes ( já ouviu falar em hamas ? ).

    Portanto antes de discorrer em cima de pura propaganda anti israelense e de mitos propagados como “verdades”, procure se informar melhor sobre Israel, árabes e palestinos. Porque ao contrário podemos imaginar que suas observações são um tanto seletivas em relação à “condenações e absolvições”.

    1. Ocupação de territórios de outros povos é ilegal. É crime. Nada a justifica. Fere legislação estabelecida. A ONU é clara sobre isso. Vai contra princípios e direitos universais.

      1. Leiam no NYT de hoje: “A Conscientious Objector Poses a Challenge to the Israeli Military”

        1. Enquanto um número ínfimo de jovens israelenses optam por não servir ao IDF, os demais 99,9% que servem, são a força motriz que faz do diminuto Estado de Israel ser um dos países de maior tecnologia de ponta do mundo.Para conhecer e aprender : Start-up Nation: The Story of Israel’s Economic Miracle.

          1. Você está 100% certo em relação aos jovens que se dispõem a servir nos territórios ocupados e quanto ao desenvolvimento tecnológico de Israel. Tenho lido bastante sobre isso. A sociedade israelense é extremamente avançada, diversificada, com população das mais instruídas do mundo. Isso não elimina o fato de que o país ocupa territórios que não são dele, como já deixou muito claro a ONU em diversas ocasiões, condenando Israel e deixou evidente também a União Europeia há algumas semanas. Mas, para mim, são sobretudo os princípios morais básicos de justiça e de respeito aos direitos dos povos – sejam quais forem suas características – que me levam a repudiar como criminosa a ocupação por Israel dos territórios palestinos.

  4. Que educação é essa que o Peretz dá a seus alunos? Vão para a Polônia e Israel cegos e voltam alienados ou vão alienados e voltam cegos? Como é possível que escrevam relatos tão infantis e ingênuos? Parecem domesticados e vítimas de lavagem cerebral.

    1. Joao Guizzo ,como voce e desinformado e
      ignorante,nao e so o Colegio IL Peretz,um
      dos melhores de SP,e que mandam seus alunos para a Polonia,para um Evento
      que voce desconhece por ser ignorante,
      que vao Estudantes do Mundo interio que
      se chama Marcha da Vida,onde termina em Israel.E justamente para mostrar o que nos judeus nunca mais vamos passar,
      seja por ameacas do Ira ou de qualquer
      Hezbollah ou Hamas da vida.mas como a
      sua visao e curta e antissemita,e claro,
      voce escreve as bobagens que nos somos
      obrigados a ler e o pior,responder a voce.

    2. Pelo menos os jovens tem cérebros para serem lavados. Coisa que o SR. João não tem !! O que não diminui suas considerações desconexas e ignorantes, ao contrário realça sua falta absoluta de neurônios !!

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