Orientalíssimo

por Diogo Bercito

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Blog sobre o Oriente Médio, é produzido por Diogo Bercito. O repórter foi correspondente da Folha em Jerusalém e é mestre em estudos árabes pela Universidad Autónoma de Madrid.

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Fazendo a egípcia

Por Diogo Bercito
Proprietária de uma livraria russa, em Jerusalém. Crédito Eyal Warshavsky/Associated Press

Ando obcecado com esta página do jornal israelense “Haaretz”. É uma coluna que traz uma palavra em hebraico por dia –geralmente, com explicação histórica. Para quem se interessa por línguas e/ou está aprendendo hebraico, é bastante útil –ao menos divertido.

Nunca é demais relembrar que Israel é um país constituído por imigrantes e que nem todo o mundo por aqui fala hebraico fluente. Passo, às vezes, por bairros em que tudo está escrito em russo. No restaurante etíope perto do meu apartamento, hebraico nem pensar. Em Jerusalém Oriental, me viro com o árabe.

Por isso o sistema de “ulpan”, as escolas de ensino intensivo –e invejavelmente sistematizado– de língua. A ideia é ensinar o mais rápido possível os imigrantes a se entenderem com essa língua recentemente revivida que serve, ao lado do árabe e do inglês, como idioma nacional.

Fechado o parêntese. A expressão de hoje é “yetziat Mitzrayim” –ou seja, “saída do Egito”. Oportuna para os judeus, que hoje depois do pôr do Sol celebram o Pessach, a Páscoa judaica, relembrando a fuga da escravidão sob os domínios do Faraó (a história do Êxodo).

Mas, como nota o texto do “Haaretz”, “yetziat Mitzrayim” acabou ganhando outros sentidos devido ao uso. Qualquer saída de uma situação aflitiva, pelo que entendo.

“O Êxodo está profundamente enraizado na narrativa nacional do povo judeu, então a frase é suficientemente parte da língua hebraica contemporânea para aparecer às vezes em situações surpreendentes”, escreve o autor do artigo.

 

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