Coronavírus interrompe peregrinação de muçulmanos e esvazia Meca

Em meio aos esforços para conter a transmissão do coronavírus, o governo da Arábia Saudita esvaziou nesta quinta-feira (5) o lugar mais sagrado do islã, o centro de Meca. A área em torno da Kaaba — o cubo negro ao qual muçulmanos peregrinam — foi temporariamente interditada para esterilização, segundo a agência de notícias AFP. A Arábia Saudita já tem cinco casos confirmados de coronavírus.

Com isso, imagens circuladas pelas redes sociais durante a manhã mostravam um espaço vazio, em vez dos milhares de fiéis que passam por ali diariamente. A medida, descrita pelo governo como “sem precedentes”, afetou apenas a região adjacente à Kaaba. Outros andares da mesquita em torno do cubo seguiam abertos para a prece. Ainda assim, são bastante raras as imagens do espaço térreo tão deserto.

A Arábia Saudita já havia suspendido na quarta-feira (4) a peregrinação conhecida como Umra. A Umra é uma peregrinação a Meca semelhante ao Hajj, que em tese todo muçulmano tem de fazer ao menos uma vez na vida. Mas, enquanto o Hajj pode ser feito apenas durante um período específico do ano, a Umra pode ser feita a qualquer momento.

O Hajj ocorre em julho neste ano e, se o coronavírus ainda for uma ameaça, deve ser um momento particularmente delicado. Cerca de 2,5 milhões de pessoas foram a Meca no ano passado para fazer o Hajj. Proibir o ritual será um golpe e tanto para a comunidade muçulmana.

Com máscaras, funcionários limpam a mesquita de Meca. Crédito Reuters 3.mar.2020.

Segundo o site GulfNews, já há ansiedade ao redor do mundo quanto à perspectiva de a peregrinação ser cancelada neste ano. Quem guardou dinheiro por anos para custear o ritual se pergunta, por exemplo, se poderá recuperar o investimento. Agências de viagem especializadas na peregrinação devem sofrer um choque. Mesmo as rezas diárias têm sido alteradas em países de maioria muçulmana. O canal Al Jazeera informa, por exemplo, que as tradicionais preces de sexta-feira foram canceladas em algumas cidades do Irã. Em Cingapura, líderes religiosos pedem que os fiéis tragam seus próprios tapetes para a mesquita.