Família real da Jordânia e um primo do ditador sírio Assad são citados pelos Paradise Papers

Por Diogo Bercito

Um novo vazamento de informações financeiras, desta vez apelidado “Paradise Papers”, associou figuras como a rainha Elizabeth, Madonna e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a paraísos fiscais — territórios com vantagens fiscais e protegidos por sigilo, descritos pelo colunista da Folha Clóvis Rossi como “um sistema que é uma imensa falha tectônica no capitalismo”.

O vazamento afetou também personalidades do mundo árabe. O site “New Arab” compilou a lista de alguns deles nesta terça-feira (7). O nome que imediatamente se destaca é o da rainha-mãe da Jordânia, Noor. Nascida nos EUA e casada com o rei Hussein, ela é madrasta do atual monarca, o rei Abdullah. Noor foi relacionada pelos “Paradise Papers” a dois fundos registrados em Jersey.

Também aparece no vazamento o nome de Rami Makhlouf, primo do ditador da Síria, Bashar al-Assad. Ele é relacionado a quatro empresas libanesas criadas entre 2001 e 2003 — a Síria ocupava o Líbano até 2005. Segundo o “New Arab”, Makhlouf já foi considerado “garoto propaganda da corrupção” na correspondência diplomática americana e foi alvo de sanções econômicas.

Outra personalidade pública árabe afetada pelos “Paradise Papers” é o príncipe saudita Khaled bin Sultan bin Abdulaziz Al Saud, ex-vice-ministro da Defesa. Suas informações financeiras descritas pelo vazamento remontam a 1989, com o registro de ao menos oito empresas em Bermudas. Ele teria usado as empresas para registrar seus iates. Uma das embarcações, o Golden Odyssey, tem 123 metros de comprimento, ou seja, é um pouco mais longo do que um estádio de futebol.

Príncipe saudita Khalid bin Sultan bin Abdul Aziz Al Saud Crédito Andrea Comas/Reuters

Não é ilegal manter empresas “offshore”. Dessa maneira, ter seu nome associado a elas não significa ter cometido nenhuma irregularidade. Mas essas firmas podem ser utilizadas para crimes como sonegação de imposto, ocultação de patrimônio e evasão de divisas. A existência desses paraísos também deixa evidente a facilidade dos mais ricos em evitar pagar impostos.

O jornal americano “New York Times” sugere que essa seja uma das explicações para o alargamento do abismo entre os ricos e os pobres no mundo: durante os últimos anos, as fortunas dos bilionários cresceu em média 8% ao ano, enquanto a riqueza global cresceu apenas 3%.