Ouça três canções de Mashrou’ Leila, banda libanesa que traz seu pop combativo a SP

Por Diogo Bercito

A banda libanesa Mashrou’ Leila toca nesta semana em São Paulo. É uma excelente oportunidade para conhecer um dos grandes fenômenos musicais do Oriente Médio, e um dos raros que conquistaram um público fora da região. Escrevi sobre eles na Folha desta segunda-feira (23).

O Mashrou’ Leila, que milita pelos direitos LGBT e das mulheres, foi banido na Jordânia e, depois de um show no Cairo em setembro ao menos 57 pessoas foram detidas sob a suspeita de homossexualidade. “Sendo honesto, é difícil perdermos tantos mercados”, me disse o vocalista Hamed Sinno, 29, sobre quem o clichê é inescapável: de olhar misterioso e um farto bigode, se parece com Freddie Mercury. “É complicado fazer música independente no Oriente Médio.”

Alguns de vocês orientalíssimos leitores têm planos de ir à apresentação no Sesc Pompeia na sexta-feira ou no sábado? Para os indecisos, vejam abaixo três das minhas canções prediletas da banda:

KALAM

O narrador seduz um parceiro em uma casa noturna, alternando entre os pronomes masculino e feminino — quase como se não importassem. A canção discute, assim, as limitações da linguagem e das definições de gênero. “Escreveram as fronteiras do país no meu corpo, no seu corpo”, diz a letra. “Onde está a vergonha? Sinta aquilo que você sente.”

3 MINUTES

Uma das canções mais comerciais da banda, dizendo no refrão “só me diga quem ser para entreter você”. “3 Minutes” discute a própria ideia de entretenimento, com trechos como “سمي الشيطان بإسمو وسمي الفنان كذاب. نصف الأشياء يلي بحسها بتجي من الخيال” (chame o diabo por seu nome, e chame um músico de mentiroso / metade das coisas que eu sinto eu imaginei).

GET LUCKY

O Mashrou’ Leila gravou excelentes covers, como esta versão de “Get Lucky”, do Daft Punk.