150 artigos sobre os direitos das mulheres no Oriente Médio

Por Diogo Bercito

O Dia Internacional da Mulher é celebrado hoje e, ao mesmo tempo em que a Islândia será lembrada como um bom exemplo de igualdade de gênero, países como a Arábia Saudita e o Irã vão voltar a ser apontados como a representação de seu oposto: nações em que mulheres não podem dirigir ou descobrir o cabelo em público.

Mas, como especialistas no Oriente Médio repetem há décadas, a situação da mulher nessa região não é determinada apenas por situações extremas. Com toda a preocupação em torno do véu no Irã, nem sempre comentadores se lembram de perguntar às mulheres o que elas pensam da própria vestimenta, por exemplo. Tampouco há ansiedade em relação àqueles temas realmente vistos como urgentes na região, como a circuncisão feminina — conversei recentemente sobre isso com a feminista egípcia Nawal El Saadawi, em uma reportagem publicada na “Ilustríssima”.

Ilustração da artista tunisiana Gihen Ben Mahmoud. Crédito Reprodução

O site The New Arab compilou nesta quarta-feira (8), celebração da data internacional, uma lista de mais de 150 artigos sobre os direitos das mulheres no Oriente Médio — suas violações, sim, mas também seus avanços. Os textos podem ser um ponto de partida para quem se interessa pelo assunto e quer escapar dos lugares comuns. Vejam abaixo três exemplos do New Arab:

TREINADORA DE CAVALOS NA ARÁBIA SAUDITA
Entrevista com a saudita Dana Al Gosaibi, 35, treinadora de cavalos nesse reino árabe conservador. Ela disse à agência de notícias AFP: “Há essa crença bastante estranha de que uma mulher não deveria montar um cavalo, especialmente se não for casada, porque poderá perder sua virgindade. É incrível como tantas pessoas acreditam nessas coisas”. Gosaibi faz parte de uma geração que pode ver avanços reais no país, que celebra seu primeiro Dia Internacional das Mulheres neste ano. Membros da família real participarão dos três dias de evento, incluindo debates sobre a proibição de que mulheres dirijam.

MULHERES ASSISTEM A TORNEIO DE VÔLEI NO IRÃ
As autoridades iranianas permitiram, pela primeira vez em cinco anos, a presença de mulheres em um torneio de vôlei no país. Uma lei de 2012 excluía mulheres das partidas, mas agora elas poderão participar dos eventos caso “respeitem as normas islâmicas”, segundo Kasra Ghafouri, citado pela organização Human Rights Watch. Havia pressão para que as mulheres pudessem assistir às partidas — caso contrário, o Irã poderia ser banido de competições internacionais. É uma medida tímida, mas pode abrir o caminho para mais avanços no país.

REFUGIADAS ABREM CLÍNICA GINECOLÓGICA NO CURDISTÃO IRAQUIANO
Uma clínica ginecológica em Erbil, norte do Iraque, tem tratado gratuitamente de mulheres deslocadas pelo violento conflito em Mossul, a 80 quilômetros dali. A clínica, chamada Ashti (“paz”, em curdo), foi fundada pela médica muçulmana Huda e pela enfermeira cristã Rawnaq, que fugiram de Mossul — a principal fortaleza da organização terrorista Estado Islâmico. Esse é um dos únicos lugares que oferecem tratamento gratuito a mulheres sírias, iraquianas e curdas afetadas pelos confrontos nos arredores, segundo a reportagem do New Arab.