Projeto popular no Instagram reúne fotografias de bailarinas posando em cartões postais do Cairo

Por Diogo Bercito

Não há muita delicadeza no dia a dia do Cairo. O trânsito, nessa que é a maior capital árabe, parece estar em contínuo engarrafamento. Buzinas, britadeiras, gritos. Uma nuvem de poeira e poluição cobre o horizonte durante boa parte do ano, prejudicando a saúde das 20 milhões de pessoas que vivem em sua área urbana.

Mas, contestando essa imagem, o fotógrafo Mohamed Taher tem trabalhado há mais de um ano em seu projeto “Bailarinas do Cairo”. Em parceria com o colega Ahmed Fathy, ele reúne imagens de bailarinas em diversos pontos da cidade, na expectativa de alterar a percepção da cidade. A iniciativa é inspirada no Ballerina Project, que tem uma proposta semelhante.

Em entrevista à rede de TV Al Arabiya Taher afirmou ter escolhido as bailarinas como maneira de contraste com a brutalidade da cidade. “Queríamos mostrar o contraste entre a beleza e a delicadeza do balé, misturado com os pontos turísticos do Cairo. Há um conflito entre a arte do balé e o Cairo, uma dura cidade onde viver é considerado estressante.”

O projeto envolveu, também, o estresse de fotografar as bailarinas em bairros conservadores do Cairo. Em um deles, um homem aproximou-se dos artistas e disse que era vergonhoso retratar mulheres vestidas daquela maneira, em tais posições. “Eu disse a ele que é arte.”