Ministro iraquiano diz que sumérios viajaram ao espaço em 5.000 a.C e descobriram Plutão

Por Diogo Bercito

Kazem Finjan, ministro iraquiano dos Transportes, afirmou na semana passada que os sumérios não apenas construíram os primeiros aeroportos do mundo como também descobriram outros planetas — em torno de 5.000 a.C.

A declaração estapafúrdia foi feita durante uma conferência de imprensa na província de Dhi Qar, segundo o site New Arab. O jornal britânico “Independent” relembrou seus leitores de que “é em geral aceito que o primeiro homem a ir ao espaço foi o piloto soviético Yuri Gagarin, que fez um voo de 108 minutos na órbita terrestre em 1961″.

É possível ver o vídeo da declaração de Finjan no vídeo abaixo. Infelizmente, por ora apenas em árabe, e sem legendas. Mas vale a pena para observar os assessores do ministro, ao fundo, e perguntar-se se algum deles teve que se controlar diante do discurso.

O ministro afirmou que os sumérios — que viveram no sul do Iraque, com ápice entre 2.700 a.C e 2.400 a.C — construíram o primeiro aeroporto do mundo por volta de 5.000 a.C, uma base para explorar o espaço. Essa civilização teria também descoberto Plutão. Aos céticos, ele sugeriu a leitura da obra do especialista russo Samuel Kramer, que estudou a percepção suméria do Sistema Solar e sua presença nos mitos.

Há diversas ruínas sumérias na região de Dhi Qar, onde Finjan falou sobre as descobertas espaciais desse povo, conhecido pelo uso pioneiro da escrita. Os sítios arqueológicos de mais renome são Eridu e Ur, cujo zigurate foi escavado nos anos 1930 e parcialmente restaurado.

O Zigurate de Ur. Crédito Reuters
O Zigurate de Ur. Crédito Reuters

Apesar de ter sido recebida de imediato com escárnio, a declaração do ministro iraquiano não foi um arroubo solitário. Os sumérios costumam ser relacionados a teorias pseudocientíficas sobre viagem espacial e extraterrestres. Uma rápida busca no Google oferece bastantes resultados em torno desse tema, como este, este e este. A ideia de que os deuses eram astronautas, celebrada por Erich von Däniken, causou bastante furor nos anos 1960 e 1970 (por acaso, conversei com ele em 2010).