Cidade iraquiana pode ter exportado comida made in Estado Islâmico

Por Diogo Bercito

A procedência não está no rótulo, mas é possível que parte dos produtos da culinária árabe vendidos no Canadá foram produzidos e exportados pela cidade de Mossul, atualmente controlada pela organização terrorista Estado Islâmico. A informação foi publicada na quarta-feira (7) pelo canal de TV Al Arabiya.

Entre outros produtos, o relato se refere especificamente ao “tahine”, uma pasta feita a partir de grãos de gergelim típica do Oriente Médio. Essa iguaria é tradicional em Mossul, tomada pelo Estado Islâmico em junho de 2014. Segundo as fontes ouvidas pela Al Arabiya, o “tahine” pode ter sido contrabandeado através da fronteira com os territórios curdos no Iraque.

“O principal corredor [para os produtos de Mossul] é o Curdistão, e do Curdistão para outras regiões no centro e no sul do Iraque. É vendido como se fosse curdo”, afirmou Khadhum Jabar, consultor de negócios iraquiano. Dessa mesma maneira o Estado Islâmico consegue contrabandear seu petróleo e, assim, financiar suas operações no Iraque e na Síria.

A ideia de que o Estado Islâmico consiga exportar “tahine” –e, segundo a Al Arabiya, esse produto chegar até o Canadá– sugere uma mudança considerável nas suas fronteiras. Quando tomou Mossul, essa organização terrorista aterrorizou caminhoneiros turcos e interrompeu um comércio essencial a toda a região.

Conversei com caminhoneiros quando estive em Bagdá, no ano passado, sobre a situação nas estradas iraquianas. Também ouvi, na Turquia, encarregados do comércio que previam grandes perdas no setor, a partir do bloqueio da rota de transporte via Mossul.

Mas a história relatada pela Al Arabiya sugere que, passados os primeiros meses de domínio terrorista, o comércio pode ter sido facilitado ali. Roupas e brinquedos têm entrado na cidade, por exemplo. Um funcionário de uma empresa francesa de transporte afirmou à TV árabe que já é mais fácil chegar até o território do Estado Islâmico com um caminhão, apesar de ainda haver dificuldades.

Um dos percalços é desviar de outras regiões dominadas por milícias. O vice-presidente de uma empresa americana de transporte afirmou à Al Arabiya que seus motoristas precisam evitar as rotas mais perigosas, traçando estratégias para conseguir chegar a Mossul. Exportadores assinam termos responsabilizando-se pelos riscos, e caminhoneiros recebem uma remuneração maior pelo perigoso serviço.

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