O dia em que o Batman salvou o califado islâmico no Iraque

Por Diogo Bercito
Gibi em que Batman defende o califado de Bagdá. Crédito Reprodução
Gibi em que Batman defende o califado de Bagdá. Crédito Reprodução

Turquia e EUA seguem adiante com seus preparativos para o combate coordenado contra o Estado Islâmico, uma organização terrorista que declarou em 2014 seu califado em um território que inclui partes da Síria e do Iraque. Essa milícia radical —que recentemente destruiu um templo na cidade histórica de Palmira— é hoje um dos principais inimigos dos governos regionais e também de algumas potências externas.

Mas, em 1948, o califado islâmico tinha um imponente defensor: Batman. Em um gibi publicado em 1º de janeiro daquele ano, com desenhos de Bob Kane, o homem-morcego lutou contra um vilão semelhante ao Coringa e protegeu, assim, o território do califa de Bagdá.

Trecho de gibi do Batman de 1948. Crédito Reprodução
Trecho de gibi do Batman de 1948. Crédito Reprodução

O contexto, nesse caso, determina o tom da história. O califado islâmico foi oficialmente abolido em 1924 pelas autoridades turcas.  Em 1948, apesar do constante debate entre intelectuais islâmicos, já não parecia factível recriar essa estrutura medieval em um mundo moderno –e, àquela altura, a preocupação imediata de nações muçulmanas no Oriente Médio era lidar com o surgimento do Estado de Israel e com a expulsão de multidões de palestinos do que fora até então um mandato britânico.

Movimentos radicais nas décadas recentes, inspirados por intelectuais como Said Qutb, e a criação de um auto-declarado califado em 2014 estremeceram essa imagem. Hoje seria pouco provável que os roteiristas de Batman pensassem em colocar seu herói como paladino de uma estrutura política associada às barbáries da organização terrorista Estado Islâmico.

O blog “War on the Rocks” lembrou-se recentemente desta HQ em um post comparando a disputa entre Batman e Coringa ao enfrentamento entre os EUA e o Estado Islâmico. O autor recordou-se, também, de uma edição de 1998 em que –também pautado pelo contexto da época– o Coringa planejava vender armas nucleares a terroristas no Oriente Médio. “Você está bastante ansioso para disparar seu novo brinquedo contra Tel Aviv, não está?”, o vilão diz a um personagem chamado Jamal. A inspiração parece ser a milícia libanesa xiita Hizbullah.

Coringa negocia armas nucleares com árabes. Crédito Reprodução.
Coringa negocia armas nucleares com árabes. Crédito Reprodução.