Assistindo ao pornô no Oriente Médio

Por Diogo Bercito
A atriz pornô libanesa Mia Khalifa (à dir.), em cena de filme. Crédito Reprodução
A atriz pornô libanesa Mia Khalifa (à dir.), em cena de filme. Crédito Reprodução

Governos e setores tradicionais em países islâmicos são contrários ao conteúdo erótico. Na Turquia, por exemplo, os sites pornográficos estão bloqueados. Na Arábia Saudita, contas de Twitter relacionadas à divulgação de imagens sexuais foram invadidas e desativadas. Descobri, recentemente, um blog islâmico que ensina a “purificar sua visão” e afastar-se de comportamentos sexuais considerados inadequados.

Mas, apesar das proibições dos governos e das amarras do convívio social, o pornô também espalha seus tentáculos por entre os países da região. Uma pesquisa divulgada pelo Google em janeiro mostra que, dos oito países que mais buscam pornografia na internet, seis são muçulmanos. O Paquistão lidera a lista, seguido de Egito (2º lugar), Irã (4º), Marrocos (5º), Arábia Saudita (7º) e Turquia (8º).

Não sei se a notícia deveria ou não surpreender. Mas ela foi tema de uma reportagem recente no site de entretenimento “Salon” com o título “Por que o pornô está explodindo no Oriente Médio?”. Mas por que não? A atriz pornô libanesa Mia Khalifa, 21, foi recentemente eleita a predileta do site PornHub. Em um de seus vídeos, ela tem relações sexuais enquanto veste o véu islâmico.

O mapa das buscas em sites pornô dividido por regiões mostra que, no Líbano, “Mia Khalifa” é o segundo termo mais procurado (depois de “árabe”). Libaneses querem ver, também, “Egito”, “mãe”, e “Síria”. Na Síria, “Mia Khalifa” aparece na oitava posição –o campeão é ali, também, “árabe”. O Iraque, por sua vez, procura vídeos com seus próprios cidadãos, com libaneses, sírios e egípcios.

Quem tiver interesse no tema pode buscar mais informações no livro “Behind the Veil of Vice: The Business and Culture of Sex in the Middle East” (John Bradley).