O franco-atirador iraquiano

Por Diogo Bercito
Cena de "American Sniper". Crédito Reprodução
Cena de “American Sniper”. Crédito Reprodução

Assisti, nestes dias, ao filme “American Sniper” –foi escrito, recentemente, que é tão ruim a ponto de mal conseguirmos criticar. É a história de Chris Kyle, um dos franco-atiradores americanos mais letais da história. O longa, que narra a trajetória do “sniper” em campanhas militares no Iraque, tem até cena com bebê de mentira.

Paralelamente, li hoje no jornal americano “Washington Post” uma história um pouco mais interessante: a do franco-atirador iraquiano Juba, que de acordo com relatos teria matado centenas de soldados americanos durante a invasão do Iraque iniciada em 2003. A figura quase lendária de Juba é análoga àquela do “vilão” de “American Sniper”, o franco-atirador sírio Mustafa, mencionado brevemente na autobiografia de Kyle.

Assim como Mustafa, Juba tem as características de um inimigo aterrorizante. Travis Burress, um franco-atirador posicionado próximo a Bagdá, afirmou em 2005 ao jornal britânico “Guardian” que “toda a vez em que [estamos em campo], tenho certeza que todo o mundo está pensando nele. Ele é uma ameaça séria para nós”. O texto sobre o vilão diz:

Eles nunca viram Juba. Eles ouviram ele, mas então era muito tarde: um tiro é disparado e outro soldado americano cai morto ou ferido. Não há nunca um segundo tiro, e nunca há uma chance para as forças dos EUA identificaram a origem do disparo, caçar o caçador. Ele atira uma vez e desaparece. Juba é o apelido dado pelas forças americanas para um franco-atirador insurgente operando no sul de Bagdá. Eles não conhecem sua aparência, nacionalidade ou nome real, mas conhecem e temem a sua habilidade.

Juba tem, aparentemente, um site com mensagens em árabe e links para vídeos de sua atuação. Encontrei também esta reportagem da CNN sobre ele:

Como nota o texto do “Washington Post”, os franco-atiradores são desde já algum tempo figuras lendárias no jogo da guerra. O soviético Vasily Zaytsev e o finlandês Simo Hayha foram, por exemplo, responsáveis na primeira metade do século 21 por dezenas de mortos e entraram para o rol dos heróis bélicos. Mas não se sabe, ainda hoje, se Juba é de fato um personagem real –ou se foi criado como um mito entre soldados americanos, durante os anos violentos de sua invasão militar.