“Terrorista não tem nacionalidade”

Por Diogo Bercito

Quando vi que a rede de TV Al Jazeera havia entrevistado o escritor argelino Yasmina Khadra sobre os atentados de Paris, fiquei em dúvida se deveria compartilhar o vídeo. Pensava: “Se um brasileiro participar de uma ação terrorista, vão entrevistar Paulo Coelho?”. Mais aterrorizante: “Vão me entrevistar, como ‘jornalista brasileiro’, para saber como eu reagi à notícia dos atentados cometidos por um brasileiro?”

Então comecei a assistir à entrevista com Yasmina Khadra. À pergunta da entrevistadora “como você reagiu à informação de que os terroristas são argelinos?”, ele responde:

Para mim, o assassino não tem uma identidade. Não tem nacionalidade. Ele é caracterizado e identificado por seus atos incorretos. Então não tenho de subitamente me sentir culpado porque (um terrorista) é argelino. Temos de deixar de relacionar a origem de um terrorista com o seu ato. Temos de enfocar no ato, e em nada mais.

Yasmina Khadra nasceu Mohammed Moulessehoul, mas adotou o nome feminino para fugir da censura militar argelina. Ex-militar, ele só revelou sua identidade em 2001. Entre seus livros, estão “The Swallows of Kabul” e “The Sirens of Baghdad”. Convido os interessados a assistir à entrevista abaixo. Quem prefere a leitura, há uma série de reportagens no jornal espanhol “El País” sobre o autor.