As fortunas das organizações terroristas

Por Diogo Bercito
A capa da edição israelense da "Forbes". Crédito Reprodução
A capa da edição israelense da “Forbes”. Crédito Reprodução

A edição israelense da revista “Forbes” –sim, aquela da lista de milionários– publicou recentemente um ranking mais peculiar, mas infelizmente relevante à região: o das organizações terroristas (clique aqui se você souber ler em hebraico). Sem muita surpresa, o Estado Islâmico encabeça a lista com uma fortuna anual de US$ 2 bilhões –o maior pé de meia terrorista na história. O segundo colocado é o Hamas, que há alguns meses disputou com o Exército israelense uma violenta guerra na faixa de Gaza, com US$ 1 bilhão anual. Organizei os dados na tabela abaixo.

Segundo a revista, esses grupos terroristas se financiam por meio de uma série de operações, como o tráfico de drogas e a extorsão. No caso do Estado Islâmico, , uma das principais fontes de renda é o contrabando de petróleo. Mas no caso de Hamas e Hizbollah conta também um outro rol de financiamentos, como doações internacionais e agências de governo.

A lista da “Forbes” israelense não pode ser lida, é claro, sem o contexto político. O segundo e o quarto colocados são, afinal, dois dos principais inimigos de Israel na região, em torno dos quais o discurso militar é construído há algum tempo (o jornal local “Haaretz” interpretou os dados, clique aqui para ler). Também será interessante notar que, apesar de o Talebã e a Al Qaeda terem desaparecido das manchetes nos últimos meses, ambas as organizações ainda movimentam fortunas.

A relação dessas riquezas também tem impacto político na reconstrução de Gaza, já que atores internacionais mais de uma vez expressaram preocupação diante das constantes doações internacionais à facção palestina, acusada de corrupção e de ter, por exemplo, usado cimento para construir túneis terroristas, em vez de estruturas de governo. Após a guerra deste ano, foi prometido um repasse de US$ 5,4 bilhões ao Hamas.

Segundo uma reportagem do correspondente do jornal espanhol “El Mundo” (clique aqui), o bolso desses milionários não é apenas uma de suas armas –mas também um de seus pontos fracos. “Localizar e danificar as vias de financiamento é vital para evitar atentados e, a longo prazo, frear a expansão”, de acordo com fontes de Inteligência ouvidas pelo repórter.