Motoqueiros contra jihadistas

Por Diogo Bercito
Motoqueiros da gangue holandesa No Surrender, que luta no Iraque. Crédito Olaf Kraak/AFP
Motoqueiros da gangue holandesa No Surrender, que luta no Iraque. Crédito Olaf Kraak/AFP

Com milhares de europeus lutando entre os militantes do Estado Islâmico na Síria, governos no Ocidente têm se preocupado com o dia depois de amanhã. Ou seja: resolvida a ameaça do califado islâmico recém-declarado no Oriente Médio, o que será desses guerreiros quando decidirem retornar a suas casas?

É um dos temores, por exemplo, do governo da Bélgica, que tem realizado um julgamento em massa de membros da organização terrorista Sharia à Bélgica –da qual participa Brian de Mulder, filho da brasileira Ozana Rodrigues (leia mais clicando aqui). Para além da questão mais imediata relativa à segurança nacional, governantes terão de pensar, também, em como e por quê esses jovens foram recrutados pelo extremismo, incluindo a incapacidade dos Estados em integrar suas populações muçulmanas.

Nesse contexto, é curiosa esta notícia divulgada pela agência AFP (clique aqui para ler): na Holanda, um promotor público afirmou nesta terça-feira (14) que os motoqueiros holandeses em combate contra o Estado Islâmico não estão necessariamente cometendo um crime. Eu desconhecia a informação de que uma gangue viajou ao norte do Iraque para se unir às forças curdas –ao que parece, a divulgação começou em um tuíte como esse:

Mas espantam também as declarações do promotor Wim de Bruin. Segundo a AFP, ele disse que unir-se a Forças Armadas estrangeiras não é mais um crime na Holanda, desde que não seja em combate contra o próprio país. Assim, os supostos três motoqueiros da gangue No Surrender não deverão ser investigados pelo Estado pelos embates travados no norte do Iraque. Não terão os passaportes confiscados, como os jihadistas em busca de unir-se ao Estado Islâmico, nem serão levados a julgamentos em massa.

“A grande diferença é que o Estado Islâmico é uma organização terrorista”, segundo De Bruin. Como o partido curdo PKK, ao qual os motoqueiros também não poderão se afiliar, se não quiserem responder na Justiça. Também não poderão torturar ou estuprar, diz o promotor, apesar de que “como isso está acontecendo bastante longe daqui, será difícil de provar”.