A mulher, o véu e a metralhadora

Por Diogo Bercito
Jihadistas em foto reproduzida a partir do Twitter
Jihadistas em foto reproduzida a partir do Twitter

Não foram poucas as vezes em que ouvi de muçulmanas ou de ativistas de direitos humanos em países islâmicos que o maior problema da mulher não é, nessa região, o véu. Apesar de o Ocidente parecer empenhado em decidir se é legítimo ou não alguém cobrir o cabelo, as mulheres no Oriente Médio poderiam escrever uma longa lista de todas as suas outras preocupações –incluindo educação, saúde, empregabilidade e integridade física. O fortalecimento de movimentos extremistas no Iraque e na Síria adiciona alguns itens ao rol.

Interessados no tema encontrarão no noticiário bastante material para preocupar-se. Uma breve passagem pela rede de televisão Al Arabiya, pela manhã, me trouxe hoje uma série de reportagens sobre a mulher e o jihad. Uma delas, que vocês podem ler clicando aqui, relatava a existência de prostíbulos em que iraquianas são escravizadas por militantes britânicas do Estado Islâmico. Segundo o “Daily Mirror”, os bordéis são operados por uma polícia feminina chamada “Brigada al-Khansaa”.

São, de acordo com o jornal, milhares de mulheres capturadas. A prostituição é justificada, ali, a partir da ideia de que as escravas não são muçulmanas e, assim, podem ser usadas pelos combatentes do auto-proclamado califado islâmico. Uma das líderes da força policial é uma britânica de 20 anos. As informações foram confirmadas pela mídia local, que entrevistou pesquisadores.

Outra notícia de selvageria no Estado Islâmico é a imagem, divulgada no Twitter, de uma estudante britânica de medicina que juntou-se aos militantes e deixou-se fotografar segurando nas mãos uma cabeça decepada (leia clicando aqui).  “Emprego dos sonhos: médica de terrorista”, ela teria escrito na rede social.

Foto de suposta estudante de medicina segurando cabeça. Crédito Reprodução/Twitter.
Foto de suposta estudante de medicina segurando cabeça. Crédito Reprodução/Twitter.

Segundo uma terceira reportagem (clique aqui para ler), moradores de uma cidade no Iraque sob controle do Estado Islâmico estão escondendo suas mulheres para que elas não sejam obrigadas a casar-se com militantes. Moradores dizem que jihadistas batem à porta para perguntar às famílias quantas de suas mulheres estão casadas e quantas ainda são solteiras.