O Oriente Médio desenhado em 40 mapas

Por Diogo Bercito
O Oriente Médio à noite; note a concentração de luz em torno dos rios Nilo, Tigre e Eufrates
O Oriente Médio à noite; note a concentração de luz em torno dos rios Nilo, Tigre e Eufrates

Escrevi aqui, no último relato, sobre livros que podem ajudar os interessados no Oriente Médio a entender a região. Na mesma época, recebi de um amigo a sugestão de leitura de um amontoado de mapas médio-orientais (clique aqui para ver). É uma outra maneira de enxergar a mesma questão, ou seja, uma representação gráfica daquilo que temos discutido neste Orientalíssimo blog há mais de um ano: a diversidade do Oriente Médio.

Vale a pena entrar no link que mencionei a cima e ler os mapas, acompanhados de descrição, com atenção. Não apenas pela curiosidade de, “olhe, o califado islâmico incluía tais países”. Mas porque o mapeamento da extensão do domínio árabe, é claro, nos chama a atenção, por exemplo, para a presença islâmica no restante do mundo, em especial em países como a Espanha, que às vezes ainda parece lutar contra sua identidade cultural.

É curioso, também, enxergar em uma imagem o fato de que as religiões monoteístas que chegaram a todos os cantos do globo começaram aqui –há um mapa com o desenho do caminho dessas crenças, no artigo original. Ou entender, por meio dos mapas do Império Otomano, qual foi o momento político em que as fronteiras atuais do Oriente Médio se desenharam.

Escolhi três mapas, entre os 40, para ilustrar este texto. Não por serem mais ou menos importantes, porque aí vai depender do interesse de vocês. Mas porque podem ilustrar também três importantes aspectos regionais que provavelmente teremos em mente, durante as próximas discussões aqui no blog. São eles:

1. O Oriente Médio é árabe. Assim, no mapa das etnias, a cor predominante é amarela, correspondente a esse grupo.

2. O Oriente Médio (e o islã) tem maioria sunita; a proximidade política entre polos xiitas não é acidental

 

3. O Oriente Médio fala “árabe”; as aspas se dão porque, linguisticamente, “árabe” é na verdade um grupo de línguas com afinidade social (leia mais clicando aqui, em um texto que publiquei na “Ilustríssima”); na prática, a língua em comum tanto agrega quanto divide os povos