Orientalíssimo

por Diogo Bercito

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Blog sobre o Oriente Médio, é produzido por Diogo Bercito. O repórter foi correspondente da Folha em Jerusalém e é mestre em estudos árabes pela Universidad Autónoma de Madrid.

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Israel elege chefes rabínicos –para quê?

Por Diogo Bercito

Foram eleitos, hoje, os chefes rabínicos israelenses para as comunidades sefardita (culturalmente identificada com a península Ibérica) e asquenazita (Europa Central e Oriental).

Os rabinos-chefes Yitzhak Yosef (sefardita) e David Lau (asquenazita) ocuparão os postos por dez anos. Eles foram escolhidos por um colégio eleitoral de 150 pessoas, incluindo ministros, parlamentares, rabinos, prefeitos, juízes religiosos e o público em geral.

Até o anúncio dos vencedores, não havia um candidato predileto. Disputaram para rabino-chefe sefardita, além do vencedor Yitzhak Yosef, Shmuel Eliyahu, Zion Boaron e Ratzon Arusi. Para asquenazita, concorriam David Stav e Yaakov Shapira.

As campanhas são apontadas pela mídia local como de incomum “jogo sujo” entre os candidatos, incluindo uma série de comentários islamofóbicos e racistas, com a população árabe como vítima.

A eleição dos rabinos-chefe é um assunto pouco popular em Israel, e a campanha se chocou com a apatia da população nas últimas semanas. A própria existência das posições é contestada.

A posição de rabino-chefe sefardita no território então conhecido como Palestina foi criada durante o Império Otomano, a partir da noção de que os judeus consistiam de uma comunidade religiosa –e de um conceito externo ao judaísmo, que segue o princípio de líderes religiosos locais, em vez de representando grandes grupos.

A dualidade de um rabino-chefe asquenazita foi criada durante o Mandato Britânico, e é alvo de forte crítica no país. Há um movimento político para a unificação do cargo de rabino-chefe, extinguindo a distinção entre sefarditas e asquenazitas. Os ministros Tzipi Livni (Justiça) e Naftali Bennet (Serviços Religiosos) estão encarregados da tarefa.

Entre as funções de um rabino-chefe está liderar uma espécie de gabinete religioso, responsável por questões que incluem as orientações de “kashrut” (quais alimentos são “kosher”, permitidos a judeus, por exemplo). Uma das funções com maior impacto na sociedade, que seria a abertura da estabelecimentos comerciais durante o dia sagrado do shabat (sábado), não deve ser alvo dos novos rabinos-chefes.

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