Orientalíssimo

por Diogo Bercito

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Blog sobre o Oriente Médio, é produzido por Diogo Bercito. O repórter foi correspondente da Folha em Jerusalém e é mestre em estudos árabes pela Universidad Autónoma de Madrid.

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Refugiado, a seu serviço

Por Diogo Bercito
O campo de refugiados palestinos de Sabra, em Beirute. Crédito Diogo Bercito/Folhapress

Minha colega Carolina Montenegro, que já morou no Líbano, indica a leitura deste texto no site Electronic Intifada. Como conheço a repórter e seu faro, e como também conheço a intifada eletrônica, não hesitei em ler o artigo, assinado por Moe Ali Nayel.

A leitura deveria interessar a qualquer repórter que, como eu e a Carolina Montenegro, trabalha em campo. Seja aqui no Oriente Médio, seja em São Paulo –é necessário ter tato.

O texto também deveria ser fundamental a funcionários de organizações de defesa dos direitos humanos e para acadêmicos, para que se lembrem de que o trabalho deles é, em última instância, sobre seres humanos.

O texto de Nayel é um relato em primeira pessoa a respeito de uma experiência que teve no campo de refugiados palestinos Sabra, uma espécie de favela na periferia de Beirute. Quando estive ali, em 2010, me dei conta de que o termo “campo de refugiados” dá a impressão de uma situação temporária –mas aquelas pessoas estão ali há 65 anos.

Nayel acompanhava um grupo de estudantes de Harvard e seu professor, para traduzir o encontro deles com uma refugiada fugida do conflito sírio. A mulher, chamada Umm Muhammad, porém, estava ali para pedir ajuda –o filho, atingido no conflito na Síria, precisa de cuidados médicos.

O impasse se produz quando Nayel, entre ambas as partes, percebe que eles querem coisas distintas. Até que os visitantes, que em nada se preocuparam com a vida do refugiado com quem conversavam, seguem seu caminho. Umm Muhammad continua ali.

Nayel escreve:

Esse tem sido o dilema dos refugiados palestinos desde 1948: ver grupos de pessoas de todo o mundo andar pela miséria de seus campos e então partir. Tornar seus dramas pessoais e suas histórias disponíveis para escritores e ativistas é, para eles, uma maneira de induzir mudança e ação e fazer avançar sua causa moral.

Mas humanidade é um termo-chave, aqui. Para contar histórias e fazer pesquisas, uma pessoa precisa se lembrar de que os refugiados merecem nossa sensibilidade quando lidamos com suas dificuldades.

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