Orientalíssimo

por Diogo Bercito

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Blog sobre o Oriente Médio, é produzido por Diogo Bercito. O repórter foi correspondente da Folha em Jerusalém e é mestre em estudos árabes pela Universidad Autónoma de Madrid.

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O nome do Estado

Por Diogo Bercito
O líder sionista Ben Gurion proclama a independência de Israel em 1948

O arquivo nacional de Israel divulgou um documento sobre as discussões a respeito do nome que teria oficialmente, em árabe, o Estado judaico então recém-criado.

É uma história interessante noticiada pelo “Times of Israel”, aqui, possibilitando uma espiadela em como pensavam os arquitetos da construção nacional.

Havia três opções: Palestina (“Filastin”), Sião (“Sayun”) e Israel (“Isra’il”).

“Filastin” foi rejeitado, informa o “Times of Israel”, porque era esperado, à época, que fosse criado um outro Estado de mesmo nome.  “É provável que o Estado árabe que será estabelecido na terra de Israel também será chamado de ‘Palestina’ no futuro, o que poderia causar confusão”, diz o documento.

“Sayun” foi também rejeitado, já que o sionismo tinha adquirido uma carga pejorativa entre as populações árabes, após décadas de imigração judaica para a região. Escolher o nome “Sião” “traria reais dificuldades ao cidadão árabe no Estado judaico”, diz o papel (ainda segundo o “Times of Israel”, já que o original está em hebraico).

Dessa maneira, excluídas as outras duas opções, foi elegido o nome “Isra’il” para ser título oficial do Estado, em árabe –decisão mantida até hoje. Vale notar que não poderia ser “Israel” em árabe por uma diferença de sons entre as duas línguas.

Para os leitores que falam hebraico, o documento original está disponível aqui. Notem que os nomes em árabe estão escritos a mão.

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